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[AVALIAÇÃO] Você é Minha Mãe? Alisson Bechdel - a "continuação" de Fun Home

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  • [AVALIAÇÃO] Você é Minha Mãe? Alisson Bechdel - a "continuação" de Fun Home

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    Em Fun Home, a graphic-novel que alçou Alison Bechdel ao estrelato nos quadrinhos, a autora falava da relação conturbada com o pai, um professor de literatura e gay enrustido que cuidava ainda de uma agência funerária situada na casa da família. A essa história, Bechdel intercalava a narrativa de suas descobertas intelectuais e sexuais - aos dezenove anos, a autora contou à família que era gay -, numa reflexão sobre gênero, família e morte. Fun Home acabou por se tornar um dos quadrinhos mais premiados da última década, tendo sido eleito livro do ano pela revista Time, a única HQ a receber a distinção.
    Nesta continuação de Fun Home, Bechdel segue na trilha de seu passado, investigando agora a relação com a mãe, uma atriz amante de música e literatura presa a um casamento infeliz. Num relato emocionante e divertido,
    a autora se debruça sobre o abismo que a separa de sua mãe - que parou de tocar
    ou beijar a filha antes de dormir, “para sempre”, quando ela tinha sete anos - em busca de respostas e de novas perspectivas para o futuro de ambas. Combinando elementos tão díspares quanto a vida e obra do psicanalista Donald Winnicott, uma ilustração do Dr. Seuss e a própria (e monogâmica em série) vida amorosa, Bechdel persegue uma frágil e surpreendente trégua entre ela e a família.



    Fun Home foi relançado outro dia e acabei puxando esse aqui (enfim) pra leitura. Acho que com o relançamento vale um tópico de avaliação mesmo de uma obra lançada há certo tempo (2013), já que o retorno de Fun Home pode despertar interessados no fórum.


    Para os homens um manual de como sobreviver a ser pai de menina casado com a mae dela.


    Quadrinho sem simplificação e sem receio algum de abordagem profunda, seja da história que se pretende contar em si ou do conteúdo técnico dos temas e autores de que fala.


    Tem uma complexidade narrativa muito interessante, com linhas sobrepostas a todo o tempo, a Autora fala de seus acontecimentos, há a narração dos acontecimentos em si, e ainda a inserção de trechos de livros e textos que tenham sido relevantes.


    Não há a menor dificuldade de entendimento, até porque não tem nenhum cientificismo ou necessidade de explicação ou compreensão técnica dos trechos utilizados, há uma amarração excelente nesse ponto em buscar indicar trechos e seus significados pra Autora, e não necessariamente investigar aquelas obras dentro dessa.


    Toca numa relação humana muito explorada no cinema e na literatura - um exemplo antigo, Sonata de Outono, um novo, O Conto da Aia (livro e série) - e o faz de maneira franca, honesta e com a habilidade de fazer perceber situações corriqueiras dentro de uma grandiosidade que só se nota se se estiver observando com cuidado.


    Em tempos de tanta imbecilidade (até institucionalizada) ao entorno de temas como sexualidade, gênero e identidade, com reações as vezes de deslegitimação superficial, a clareza e simplicidade com que Bechdel aborda os temas dá uma perspectiva muito limpa dos assuntos.


    Não há nenhuma politização ou erudição autocondecendente da condição humana retratada, a autora é muito habilidosa em fazer da história da sua vida apenas isso mesmo, dando recado, marcando sua posição e esclarecendo seu lugar no mundo para além do que o mundo poderia pretender.


    O foco aqui é, tal qual em Fun Home, a relação familiar dos envolvidos, e como isso determinou ou não sua posição no mundo, e não discutir (ou problematizar) essa posição.


    Diferente de vários outros lançamentos - muito mais recentes até - que possuem o caráter autobiográfico não tem apelo a uma dramatização romantizada das situações ou uma doçura modorrenta e sem graça.


    O subgênero autobiográfico é muito publicado no Brasil hoje e “Você é Minha Mãe” passou sem deixar grande falatório, ao contrário de outros bastante reconhecidos e laureados.


    Não é um “esquecimento” justo, Você é Minha Mãe não deixa de ser um “livro sobre um livro” em relação a Fun Home em alguns pontos, mas por si só é uma obra grande, densa, que vale muito a pena ser lida.
    Let´s put a smile on that face!!!

  • #2
    Re: [AVALIAÇÃO] Você é Minha Mãe? Alisson Bechdel - a "continuação" de Fun Home

    não é tão bem falada quanto fun home, mas acho que lerei

    Enviado de meu SM-G955U1 usando o Tapatalk

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