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[Avaliação] The Ring of the Nibelung (Dark Horse, 2014) - P. Craig Russell e Outros

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  • [Avaliação] The Ring of the Nibelung (Dark Horse, 2014) - P. Craig Russell e Outros

    The Ring of the Nibelung






    Autores: P. Craig Russell (Roteiro e Arte), Patrick Mason (Tradução do Texto Original), Lovern Kindzierski (Cores) e Galen Showman (Letras).
    Formato: Capa dura (424 páginas, lombada costurada).
    Editora: Dark Horse.
    Edição: 01 (19 de agosto de 2014).
    Idioma: Inglês.
    ISBN-10: 1616554010
    ISBN-13: 978-1616554019
    Dimensões: 17,3 x 3,3 x 26,4 cm


    The Ring of the Nibelung (O Anel de Nibelungo) é um quadrinho roteirizado e desenhado por P. Craig Russell (Sandman: Os Caçadores de Sonhos) o qual foi a adaptado a partir do ciclo de quatro óperas épicas Der Ring des Nibelungen, compostas pelo alemão Richard Wagner entre os anos de 1848 e 1874, tempo utilizado tanto para compor a música e como para escrever o livreto. A ópera original trata-se de uma adaptação com personagens da mitologia nórdica, além de basear-se na Canção dos Nibelungos (Das Nibelungenlied). A ópera foi uma das inspirações para O Hobbit e O Senhor dos Anéis. P. Craig Russell ganhou o prêmio Eisner de melhor desenhista pelo seu trabalho nesta obra.




    A história trata do ciclo de nascimento e morte do mundo, bastante similar ao que se encontra na mitologia nórdica, mostrada em muitas outras obras do cinema, livros e animações, até o seu crepúsculo para que possa renascer. A obra em quadrinhos é dividida em quatro partes assim como a ópera original, as quais são: The Rhinegold, The Valkyrie, Siegfried e Götterdämmerung, estas partes foram originalmente lançadas pela própria Dark Horse em minisséries (The Ring of the Nibelung: The Rhinegold #1-#4, The Ring of the Nibelung: The Valkyrie #1-#3, The Ring of the Nibelung: Siegfried #1-#3 e The Ring of the Nibelung: Götterdämmerung #1-#4), a versão usada nesta análise é o encadernado que compila todas as minisséries, além de material extra.

    The Rhinegold conta a história da criação do mundo e dos Deuses, e de como o Nibelungo Alberich forjou o Anel que dá título à obra. Em The Valkyrie temos a origem de Siegfried e a maquinação das divindades sobre a vida dos mortais. Na terceira parte, Siegfried, temos a ascensão do herói e seu confronto com o Dragão Fafnir. Na última parte, Götterdämmerung (A qual significa “Crepúsculo dos Deuses” em Alemão) temos as consequências das ações de Siegfried e o fim do ciclo. Todas as partes se conectam muito bem, com algumas recapitulações em certos momentos.

    O roteiro é muito bem elaborado e com um bom desenvolvimento, consegue prender o leitor, tem-se uma boa utilização dos balões de fala para expressar o tom musical para dados momentos, pois trata-se da adaptação de uma ópera, então a dificuldade para se passar todo aquele sentimento musical é grande, porém Russell consegue transpor isso de forma magistral, como mostrado nas imagens exibidas. Há uma boa utilização das letras em maiúsculo e formato dos balões, assim como o efeito de descoloração da fonte, em um dado momento da história, Voton tapa os ouvidos para não ouvir o que sua esposa estava falando, e conforme ela fala a fonte muda para uma tonalidade mais branca, um excelente trabalho de Showman neste aspecto. Os personagens, conforme a obra original, são inspirações da mitologia nórdica, então ao invés de encontrar-se Loki, tem-se Logé, ao invés de Odin, vê-se Voton (apesar de que na ópera de Wagner é Wotan) e para Thor tem-se Donner. As falhas nos Deuses são bem visíveis, ninguém é perfeito neste universo, ganância é algo bastante latente no decorrer da história.



    A arte é simplesmente fenomenal, Russell consegue fazer os personagens terem expressões incríveis, fazendo com o que o leitor identifique com facilidade o sentimento do personagem naquele quadro. Os enquadramentos são incríveis, a paleta de cores Kindzierski é muito bem escolhida, há uma boa combinação de cores mortas em momentos mais sóbrios. Uma coisa que realmente gostei na arte do Russell foi a escolha de designs simples para os personagens e objetos, porém feitos de forma magistral, mesmo que o Fafnir pareça um apenas uma enorme crocodilo, em sua luta contra Siegfried é possível perceber a ferocidade de um Dragão. As tomadas com uma câmera mais panorâmica utilizadas por Russell também aparecem, como nas cenas que encerram cada parte.



    A edição encadernada da Dark Horse é muito bem feita, em capa dura, papel couchê de boa gramatura, sem muita reflexão e com impressão muito boa. A lombada é costurada e de boa abertura, o leitor não perde nada em relação a arte e a encadernação é muito bem firme na lombada, as folhas não acabam indo pra fora da encadernação. Não há sobrecapa, fita para marcação de páginas e a numeração das páginas é omitida. Vou ser sincero que senti falta de sobrecapa, é um detalhe que gosto bastante, é ter uma sobrecapa com uma arte do Russell é algo incrível. A capa da edição consegue passar muito bem o que a história tem a dizer: Ciclos. Após a leitura recomendo observar a capa e notar como ela caiu muito bem nesta edição.

    Quanto ao material extra tem-se o prefácio, a já tradicional galeria de capas e esboços do Russell, mas não se restringe apenas a isto, o que mais gostei dos extras é que Russell adicionou um texto explicando sobre Adaptações, como foi o trabalho dele para pegar uma ópera e transformar aquilo em quadrinhos, nos extras é mostrada uma comparação do texto original, traduzido para o inglês por Mason e a versão final em quadrinhos, é neste momento que o leitor percebe como Russell consegue passar a musicalidade para a obra em quadrinhos.







    Rumores dizem que a Editora Pipoca & Nanquim, como mostrado em teaser no seu Instagram, trará a obra para o Brasil, isso é muito bom, pois de fato a editora consegue dar um bom acabamento em boa parte de suas obras, como foi o caso de Beasts of Burden, também da Dark Horse, e Conan, O Bárbaro (Livro). Fica a torcida pra que caso eles lancem, consigam fazer melhorias em relação a edição da Dark Horse, uma adição de sobrecapa seria bem-vinda, afinal, a editora trabalha com versões de luxo, não edições comuns. Outro fator de melhoria, seria uma versão maior, do tamanho de Beasts of Burden, para realçar ainda mais a arte de Russell.

    Um excelente quadrinho, adaptado de uma das mais famosas obras ocidentais. Excelente roteiro e arte onde a um casamento perfeito entre eles, o senhor Russell teve um Eisner mais do que merecido. A edição física atualmente é um pouco difícil de achar, mas ela está disponível em versão digital no Comixology e Kindle. Fica a torcida para que a obra seja mesmo lançada no Brasil.

    Nota: 10/10.
    'The world is a fine place and worth fighting for.' I agree with the second part.

  • #2
    Re: [Avaliação] The Ring of the Nibelung (Dark Horse, 2014) - P. Craig Russell e Outros

    Obrigado pelo tópico, me poupou de comprar. Mas legal lançarem isso aqui.

    Enviado de meu SM-G955U1 usando o Tapatalk

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    • #3
      Re: [Avaliação] The Ring of the Nibelung (Dark Horse, 2014) - P. Craig Russell e Outros

      Avaliação muito boa! Fiquei bastante interessado.

      No mais:
      "10/10"
      "Obrigado, me poupou de comprar"

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      • #4
        Re: [Avaliação] The Ring of the Nibelung (Dark Horse, 2014) - P. Craig Russell e Outros

        Obrigado pela resposta positiva!
        Eu achei pertinente fazer a análise, pois vi que tinha pouca coisa na internet mostrando a obra.
        'The world is a fine place and worth fighting for.' I agree with the second part.

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