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[AVALIAÇÃO] Tex #583 A Prisioneira do Deserto (o retorno de Lupe parte final)

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  • [AVALIAÇÃO] Tex #583 A Prisioneira do Deserto (o retorno de Lupe parte final)



    A história começa exatamente mostrando como a Lupe conseguiu sobreviver após cair naquela tormenta onde nem o Tex conseguiu encontrar o corpo dela, desmemoriada ela é acolhida por um eremita de nome Ricardo, filho de um poderoso rancheiro que não mede esforço para acabar com o campesinato local e aumentar suas posses, Ricardo por não concordar com as atitudes do pai e principalmente por este ter vendido como escrava a garota do qual o filho gostava, vai viver isolado nas montanhas, logo surge uma atração entre ele e Lupe, porém, Lupe não sabe que Ricardo é filho desse tirano e os dois partem numa trilha pra vingar a morte da antiga companheira de Ricardo. Ao chegar lá no rancho se sabe que o Tirano morreu e daí Ricardo se revela como filho do proprietário e decide tocar o rancho, Lupe então passa a levar uma vida como senõra mas não traindo suas raízes.

    Conseguem localizar os filhos de Lupe, Ruben e Luz e todos vão viver felizes para sempre na grande propriedade, só que não é bem assim, aos poucos o Ricardo vai mostrando sua verdadeira natureza que em muitos pontos se parece com a do seu pai, logo uma vida de tristeza se abate sobre Lupe e ela deseja sair dali o quanto antes, principalmente após certos episódios, consegue fugir levando a filha e se junta aos guerrilheiros de Fernando Drigo, o outro filho infelizmente já tinha tido sua dose de lavagem cerebral por parte do padrasto e continua firme no rancho. Enlouquecido pela fuga da mulher logo o rancheiro parte para retaliação pra cima dos camponeses até que Lupe decide se entregar e vai viver como prisioneira.

    Essa história tem algumas subcamadas interessantes, principalmente na ambígua forma do Ricardo enxergar as coisas, quer a mulher e os filhos mas ao mesmo tempo quer se impor no esquema patriarcal, sendo que a Lupe não aceita ser só uma mulher passiva, apaga da memória do filho dela as lembranças de um pai que lutava pela honra e liberdade mesmo sendo um pé rapado. É bem construída a forma determinante como a Lupe encara as coisas.

    A difícil missão de se infiltrar no rancho para descobrir onde Lupe está trancada cabe a Kit Willer e Jack Tigre enquanto Tex e Carson vão acompanhando os movimentos de longe. A batalha para salvar a mexicana se dá dentro de um pequeno forte e após liberta e com a redenção do filho Ruben, chega a hora da Lupe ficar cara a cara com seu atual esposo e resolver o lance de uma vez, cavalga ao lado de Tex relembrando os velhos tempos,

    Rapaz, esse negócio parece um filme de western com um roteiro meio romanceado, no bom sentido é claro, visto que a protagonista passa por muitas coisas ao longo da história. Os diálogos são brilhantes e é mesmo como se tivesse vendo um filme foda do Tex, ele levanta a bola do velho camelo como nunca vi: "Kit Carson, meu mestre e ranger incomparável, pra mim é como um irmão mais velho" (apresentando o velho pard para Fernando Drigo) "não é longe demais?" "está me estranhando, irmão? Posso acertar um alvo há duzentos metros!" (Jack Tigre encerrando o papo com Kit Willer antes da ação) "você tem muito caráter, cara Lupe... eu a admiro demais" ( um Tex sentimentalista e amolecido deixando claro que essa seria sua segunda escolha como companheira se os rumos não tivessem sido da forma como foi).

    Uma trama bem legal que poderia ter se extendido um pouquinho mais para abordar de forma mais épica o embate final com o capataz Rodrigo, que é um filho da mãe da pior espécie, mas acho que mesmo assim saiu tudo na medida.



    Página do cacete, ambientação é tudo.

    Alessandro Piccinelli com sua maior e óbvia influência, Claudio Villa
    Last edited by Mountain Man; 01-07-2018, 03:10 PM.
    “Quando quero relaxar leio ensaios de Engels. Quando quero algo mais sério, leio Corto Maltese.” Umberto Eco.

  • #2
    Re: [AVALIAÇÃO] Tex #583 A Prisioneira do Deserto (o retorno de Lupe parte final)

    "Na medida" é o termo ideal para descrever essa história. Queria partilhar da empolgação do colega, mas eu achei, sinceramente, após uma primeira parte muito boa e empolgante que a história perdeu um pouco de gás e originalidade inicial. Afinal, temos DE NOVO um flashback mostrando coisas que não são narradas através da história natualmente e DE NOVO um confronto num lugar cercado, numa espécie de "forte" e, veja só, Tex numa descida. Seria sincronicidade isso?




    A coisa mais original e interessante da história (convenhamos, o romance entre Lupe e Ricardo foi conveniente demais) foram Jack Tigre e Kit Willer se infiltrando entre os comancheiros de Ricardo De La Serna e ganhando a amizade do filho de Lupe, Ruben, que como disse o amigo, estava bitolado por Rodrigo. Eu diria que o final foi um tanto apressado e cópia demais dos eventos passados, a ação devia ter transcorrido toda no forte onde Lupe foi libertada, numa sequência eletrizante até o final, para pelo menos ganhar no quesito originalidade.


    do caralho esse trecho, embora Boselli e Piccinelli tenham tocado o zaralho aquele realismo no tiroteio que elogiei na edição anterior


    Apesar disso, ainda é uma história boa e divertida de Tex. Não é de se jogar fora. Serviu para trazer essa personagem de tempos tão antigos de volta para a "convivência" dos pards e não duvido nada que esta história serviu para utilizar a personagem mais no futuro, assim como tivemos com o Retorno de Yama. O gibi também vale por causa da EXCELENTE arte de Piccinelli, um verdadeiro desbunde. Se todo filler de gibi tivesse um artista como esse...



    arte da capa do Villa, acho que foi a colorização que deixou o rosto da Lupe meio estranho mesmo (pensei até que fosse outro artista)

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    • #3
      Re: [AVALIAÇÃO] Tex #583 A Prisioneira do Deserto (o retorno de Lupe parte final)

      Sim, na medida, pra mim caiu mais na graça por já conhecer a Lupe de muito tempo atrás, mas é uma história básica que vem acrescentar ao cânone do personagem de forma positiva, então tá valendo.
      “Quando quero relaxar leio ensaios de Engels. Quando quero algo mais sério, leio Corto Maltese.” Umberto Eco.

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