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    Faz muito tempo que eu não me venho perdido por aí, fazendo minhas bobeiras, as traquinagens que me lembravam os tempos de criança, as pirraças. Há tempos eu estava trancafiado naquele antro repleto de baratas que tinham uma atração irresistível em permanecer em cima do chuveiro. Falando nisso, os carrapatos tinham uma atração irresistível pelo meu pênis, já que acordei umas três vezes com eles me chupando. Nojento, não? Eu estava mais que adaptado àquela vida, mas não quer dizer que eu deveria gostar. Só um maluco gostaria. Eu estava na cadeia. Há tempos também que eu não entrava mais em contato com a minha mãe, do jeito que nunca tivemos uma boa relação - fora a minha infância - não me surpreenderia se ela própria havia decidido cancelar as visitas. Praticamente era a única parente que me visitava, a minha "outra" estava bastante ocupada...viajando, tomando champagne, peidando perfume e conquistando centenas de modelos bonitões que obrigatoriamente têm sobrenome italiano. Quando não pensava nelas, pensava nos dias que faltavam para sair da bosta, eu havia compreendido o sentido de ter bom senso, nunca mais poderia cometer erros como...participar duma seita e roubar a grana deles enquanto os fiéis estavam se matando. Grande esperto eu fui, não?

    A temporada na cadeia havia me dado uma dose tremenda de amadurecimento...e o fato de eu dormir de um olho fechado e um aberto. Porém, a temporada estava chegando ao fim. Jurei nunca mais cometer algo que pudesse entristecer a minha família ou a meus amigos. 2 anos...2 anos de molho e a sociedade iria me receber de um modo que eu nunca havia provado na pele, claro. Eu era um playboy e este era meu apelido na prisão. Além do furto na igreja em chamas, os "homens" puxaram minha ficha e sacaram que eu havia sido preso em uma cidadezinha da Bahia por eu ter metido um soco na casa de um delegado local. Minha mãe soube disso, ao invés de ficar uma arara, manteve o decoro como sempre. Enfim, já está quase na hora de sair dessa cela. Fiz a prece de despedida, tomei um banho caprichado e mantive o antro limpinho. Estava na hora de reconhecer o mundo.

    Este era Pedro Teixeira. 32 anos, mas aparentava ter 10 anos menos, o que ele detestava lembrar. Foi chamado de "moleque" a vida toda, mas isso era mais do que verdade, já que era punido efetivamente por suas molecagens. Era mais um dos poucos membros de famílias abastadas do bairro nobre da Barra da Tijuca que haviam se mudado. Motivo? Falta de calor humano. No caso de Pedro, a falta era tanta que ele passava noites a fio em boates, procurando futuros relacionamentos, mesmo sabendo que a "mulher perfeita" nunca apareceria naquele mundaréu de gente fútil e que te chama de "colega". Pedro era playboy mas fazia questão de ajudar os pobres de uma instituição de menores do bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio...até quando descobriram que ele havia mantido relações sexuais com a coordenadora, uma ruiva francesa que havia me "descoberto" no Fórum Social Mundial. Suas idéias bateram uma na outra, e ele ensinou para ela a língua portuguesa além de otras coisitas más. Falando em língua, ela soube usar muito bem a dela, segundo ele. E ela era casada. O dinheiro falou mais alto na hora de livrar seu rabo e ele prometeu nunca mais cometer um erro semelhante. Não cometeu, mas direcionou sua cabecinha de alfinete para outros "desvios"...o roubo na igreja foi o último deles. Espera que sim.

    Pedro saiu da cadeia com um sorriso de orelha a orelha. Não havia ninguém esperando por ele, mas o delegado lhe passou um sermão lhe aconselhando ter cuidado e não vacilar novamente. Ofereceu uma dose de whisky, Pedro agradeceu. Ao sair da prisão, tão logo apareceu uma pick-up preta na sua frente.

    - Oi! - disse a menina que estava dirigindo. - Me desculpe chegar só agora, o trânsito estava péssimo. Ainda bem que cheguei a tempo, né?
    - É - disse Pedro. - Achei que minha mãe estaria aqui, mas depois eu saquei que seria surpreendente demais se isso acontecesse. Daí, ela mandou sua "travinha"preferida, huhehehe!
    - Fico lisonjeada com pela parte que me toca. Estes dois anos te fizeram ficar mais preconceituoso? Achei que a cadeia melhoraria a mente das pessoas.
    - Tremenda bobeira você pensar isso. Não tamos na Suécia, aqui a coisa pega pesado. Mas, enfim, eu não quero ir pra casa nesse momento, queria ver o mar.
    - Nossa, que clichê. Mas, tudo bem. Como é o meu irmãozinho que tá dizendo...
    Então Pedro e sua "irmã" foram até a praia da Barra da Tijuca. Ele sempre foi uma pessoa estranha e fazia questão de passar isso para as pessoas. Era mais ou menos como o "do contra" da família. Sempre rebelde, alguns parentes até acharam tarde demais que ele voltasse a cometer outra merda depois no incidente no interior da Bahia. E esta última merda não teve como se safar. Resultado? 2 anos de cadeia. Ainda era cedo demais para dizer se a experiência deu um bom resultado. Sua mente ainda estava estática, cinza, no limbo. Mas, agiu naturalmente ao zoar sua parente. Chegando na praia, a menina não imaginou o que ele iria fazer, mas tava mais do que claro.
    - Tá chovendo pra caralho, vai ficar zanzando pela orla dessa forma? - perguntou ela.
    - Não, querida. Vou fazer uma coisa que eu sempre desejei desde que eu entrei naquela cela fedendo a bunda! - Mesmo debaixo de muita chuva, Pedro saiu do veículo, andou calmamente até a areia da praia e chegando à água, mergulhou. "não sabia que ele era mais maluco do que já é", pensou a menina. Mas, é por aí mesmo. Deu umas cinco mergulhadas, onde pôs em dia suas "técnicas de natação". 20 minutos depois, recebeu uma chamada de sua parente. "Vambora!". Ele precisava relaxar, e muito. Os mergulhos foram mais ou menos como uma "entrada" para sua nova vida, como ele pensava.
    - E então, vamos pra casa ou você ainda tem mais alguma loucura pra fazer? - disse ela.
    - Chama isso de "loucura"? Eu tenho umas coisas pra fazer, sim, deixa eu desestressar um pouco. Não tem nada melhor que curtir antes de enfrentar a megera, por isso que eu digo: ESTOU DE VOLTA, PORRA!

    A rigor, seria isso.

    Voltando para o carro todo encharcado, fez questão de se secar como um cachorro, só para incomodar sua prima. É, ele não tinha mudado seu modo de pensar nem seu modo de fazer brincadeiras de mau gosto. Era o velho Pedro de sempre e que não daria para mudar tão cedo. A chuva foi dando uma trégua com o tempo até que depois de um giro pela Barra da Tijuca e brincadeiras a parte, resolveram dialogar:

    - Eu estava com muita saudade da liberdade, mas no meu caso foi até bom descobrir o "lado B" da vida, hein? Se bem que isso não mudou meu jeito de ser.
    - Ninguém da nossa família esperava que você saísse um evangélico lá de dentro. Você sempre foi o mais..."diferente" da família, mas não exatamente uma "ovelha negra". Bem, pelo menos eu nunca pensei isso, sempre estive do seu lado.
    - É pra chorar? Eu sei como você é desde criancinha e sei o que sente por mim. Você é até mais maleável que a minha mãe. Mas me diga uma coisa...pode dizer?
    - Sim, claro. Digo, depende do teor...
    - Você já cortou o piru? - feita a pergunta, obviamente que ela ficou encabulada. - Me desculpe dizer, antes de eu ser preso, você havia me dito que iria tirar, não sei como tá a sua situação em relação a isso, ou você simplesmente será o eterno travesti com cara de menininha de sempre, mas que tem um jebão aí em baixo?
    - Eu...peço que você se refira a mim com um pouco mais de respeito. Nós somos primos e muito amigos, mas não quer dizer que eu tenha de aturar esse tipo de desrespeito. Aliás, nenhuma forma de desrespeito. Você tem o dom de colocar tudo a perder, meu chapa.
    - Ok, me desculpe. É que parece que acabei de ressucitar e estou curioso a respeito de algumas coisas. Curioso a respeito do seu corpo, por exemplo. Você me disse que iria cortar a "cobra" fora, etc e tal.
    - Eu já fiz, foi logo depois de você ser preso. E como você vê, tirei o pomo de adão, pedi para injetar hormônios nos meus seios e tudo mais. Sei que vai guardar esse babado todo pra si mesmo, mas você iria saber de qualquer forma...só esperava que fosse mais educado ao perguntar.
    - Eu já pedi desculpa. Mudando de assunto, estou com fome. Faz tempo que eu não mastigo carne. Há 2 semanas que só recebi sopa na cadeia.
    - Vamos pro McDonalds, tem um logo aqui perto.
    - Nãão, vamos comer algo de verdade e eu também não estou afim de aturar atendentes com vozes irritantes com e espinhas pra cuidar. Tem um restaurante bacana na Armando Lombardi, se não me lembro. Aquele que a gente sempre comia quando comemorava seu aniversário...vamos lá.

    Daí, os dois chegaram ao estabelecimento e se fartaram até não poder mais: batata, carne à vontade, salada verde, linguiça, arroz, feijão, frutas...o sujeito bebeu como se havia passado um mês penando no Deserto do Saara. Era prato atrás de prato, mas claro, ele sabia que sua prima estava bancando tudo.

    - Dá gosto de ver você se esbaldando na comida - disse ela, sorrindo enquanto Pedro bebericava guaraná natural.
    - Embora eu tivesse sido "agraciado" pela Cela Especial, isso não se aplicava ao que era servido pra mim. Eu comia praticamente a mesma comida dos presos e a coisa só mudava de figura quando eu fazia uns "trabainho" e com isso tive direito a pizza, entre outras regalias.
    - Que espécie de "trabainho" é esse? Favores sexuais, ou algo do tipo? Me desculpe ser direta, huehehe.
    - Não. Eu precisava de grana pros cigarros, pra pinga, pra pizza e pra carne de primeira. Tinha um dia lá que a galera teve de fazer fila pra comer um viado. Achei espetacular que eu tinha sido o primeiro, já que eu sempre me matava na punheta. O cara era homem e tal, mas fazer o quê? Ele acabava de entrar na prisão e foi com o consentimento do mesmo. Como estava há mais de um ano sem transar, tive que aceitar, oras. Imaginei que seria a bunda daquela modelo magrela superestimada e mandei ver.
    - Você...você realmente fez isso? - perguntou a prima, visivelmente pasma.
    - Claro que não, estou apenas brincando com você. Tá, essa foi a última vez, estou tão empolgado com a liberdade que estou passando dos limites. E vi algumas revistas em quadrinhos lá no carro, eram suas?
    - Sim. Eu comecei a entrar mais na internet e agora estou participando de um fórum de discussão relativo à quadrinhos, desenhos japoneses e afins. O pessoal é bacana, mas alguns são bobinhos de dar dó. Me lembram você. Até cogitei um encontro, mas é provável que eles fiquem chateados comigo, já que estão cantando a pessoa errada.
    - Mas, nerd é assim, esperava o quê? Falando nas suas revistas, vi um encadernado ali do MESTRE inglês barbudão.
    - Ah, você já ouviu falar nele?
    - Sim, claro. Eu era nerd, até o momento em que cansei de ficar batendo boca com quem provavelmente não valeria um centavo furado. Optei pelo lado mais sensato. Quanto custou esse TP (encadernado)?
    - 90 reais.
    - Tá certo que somos dois boa-vida, mas 90 reais por um TP de mais ou menos 100 páginas é uma bruta babaquice, não? Mas, tranquilo, o dinheiro é seu. Eu ajudava as criancinhas daquele abrigo, creio que você deveria fazer como eu e ajudá-las também ao invés de gastar com gibi...e pior, vi o tipo de papel dele. Comparando com o higiênico, quase não difere muito.
    - Não acredito que você está dando uma de ingrato pra cima de mim. Eu sou a única pessoa que te recebe depois que você ganha a liberdade, banquei seu almoço e você vem despejar sua verborragia julgadora e inútil pra cima de mim? Dá um tempo, cara, você está insuportável, hoje! - Ela sai aborrecida da mesa e vai pra fora. Pedro achou que ela seria mais paciente, mas do jeito em que ele se empenhava em ser um chato de galocha, até o mais paciente dos budistas iria mandá-lo tomar no olho do cu, DO CU por seus desaforos. Vai ser chato assim no inferno.

    Engolindo seco, ele sai da mesa e vai até ela, escorada na pick-up, quase chorando. Por fim, escuta um "não fica triste" de Pedro. A abraçou carinhosamente. Tocou em seu rosto e enguxou suas lágrimas. "Me desculpe", disse ele. É, ele realmente parecia arrependido.

    - Pô, eu me importo pra caramba com você, provavelmente até mais que a sua mãe e você vem agir dessa forma comigo...
    - Ok, ok, vamos voltar, tem muito babado que precisamos comentar. Falando em babado, e sobre a minha irmã, nenhum paradeiro dela?
    - Ué, depois que ela se tornou uma "cantriz", certamente não entraria em contato conosco do jeito de antes. - E era mesmo.

    A irmã de Pedro comparecia ao lar ao menos uma vez por mês e quase sempre nunca falava dele. Nem falava mal. A partir do momento em que seu irmão foi encarcerado praticamente deixou de existir para ela. Seu nome era Michelle, 30 anos de idade. Sua "prima" se chama Nicole, ex-Nicolas, transsexual de 28 anos, a pessoa mais normal da família. Sua mãe? Elizabeth, descendente de uma linhagem real brasileira que hoje em dia está caindo em decadência. 69 anos. Sua família era mais do que rica, fazia questão de dizer que "tinha brazão" e gastava demais em compras, esbanjava dinheiro. Pedro era um dos únicos membros que comprava suas roupas em brechó, odiava shoppings e pessoas fúteis. A maior parte de seu tempo era dedicada a seu emprego - taxista - a pelada nos domingos com suas amigas e às noites de farra em companhia de seu melhor amigo Rocco, um italiano radicado no Brasil, festeiro e que se drogava para aturar a sua difícil rotina de trabalho. Falando nele, o sujeito acabou de ligar para Nicole. "O Rocco quer falar com você", disse ela.

    - E aí, rapaz, finalmente ganhou a liberdade, hein? - disse Rocco, todo empolgado.
    - Já era hora, mas você sabia que eu iria sair hoje e nem me esperou, hein?
    - Eu estava muito ocupado fazendo os preparativos pra festa, porra! Eu te disse que iria ter festa em sua homenagem, hoje, às 23:00! Lá na minha casa! Só espero que não seja idiota de faltar!
    - Não vou faltar, deixa comigo.
    - E tem algumas pessoas que querem te ver, é melhor não faltar mesmo. Diga pra Nicole que ela também está convidada. Venha de bermuda e chinelo, já que a festa está longe de ser algo "de gala", sem essas frescuras.
    - Tranquilo, tosco, 23:00 eu tô aí.
    - Valeu!

  • #2
    - Eu apenas te deixarei lá, Pedro, não posso participar dessa festa.
    - Unicamente porque é do Rocco? Tá certo que por um tempão ele errou, cometeu altas cagadas, mas eu creio que ele melhorou de uns tempos pra cá. Que tal dar um voto de confiança pro sujeito? E também tem aquela coisa, ele gosta de você...no bom sentido, claro.
    - O problema não é esse, é que tenho algumas coisas pra resolver, como conversar com minha tia, por exemplo. Hoje ela definitivamente não pode te ver, pois está muito ocupada.
    - Tranquilo, você fez o trabalho direitinho de vir me buscar. Porém, você não vai me levar até o Rocco. "Porquê não", você poderia perguntar. Desde que saí da cadeia achei que deveria ver algumas pessoas, pegar algumas coisas.
    - E que coisas são essas? Pode me dizer pra sua prima, ou você está pensando em cometer alguma besteira novamente? Saiba que nem sempre sua mãe irá...
    - Salvar meu rabo novamente, sei. Tanto que ela me deixou preso por 2 longos anos. Mas, dane-se, não estou magoado. É que eu realmente preciso resolver um imbróglio. Prometo ligar pra você quando a situação for resolvida, mas provavelmente de lá eu vou direto pra casa do Rocco. Então, acho que a gente vai se ver novamente só amanhã.
    - Tudo bem, como você não é nenhuma criança e sabe exatamente o que é o bem e o mal...onde te deixo?

    Daí, Pedro e Nicole foram até o longínquo bairro de Paciência, na Zona Oeste carioca, próximo à Santa Cruz, onde seria a última estação de trem, além de fazer divisa com vários municípios. Nicole o deixou próximo a estação de trem, deu um celular, desconfiada do que ele poderia fazer naquele bairro. Se despediram e foi embora. Pedro não estava nem aí se ela confiava ou não nele, o sujeito tinha coisas a fazer. Andou alguns metros até o bairro 22 de abril e tocou a campainha de uma casa com um letreiro de madeira escrito "Fundo do baú". Era nada mais que um brechó. Rapidamente foi atendido:

    - Boa-tarde. Eu me lembro de você. Faz tempo que não aparece aqui - diz a gordinha moradora do local.
    - Sim, fazem aproximadamente 2 anos. Me desculpa, é que...
    - O que você esteve fazendo durante esse tempo todo? - ela perguntou. Pedro estava visivelmente encabulado, não queria dizer que estava preso, mas daí a dona do brechó apareceu.

    Uma velha amiga dele, que sempre fazia uns descontos nas roupas unicamente pelos dois serem conhecidos há tempos, lhe dava almoço quando este estava longe demais de sua casa - já que de paciência para seu lar ficava bem longe. Não era como "a mãe que Pedro nunca teve", pois essa afirmação seria uma mentira. Mas ele adorava ser amigo de pessoas muito mais velhas que ele, unicamente pela experiência de vida. E como ele era nada mais que uma criança, tinha uma porrada de coisa pra aprender.

    Ela deixou Pedro entrar no brechó, enquanto eles conversaram. O sujeito contou realmente sobre o que ocorreu nestes últimos 2 anos. A gordinha ficou impressionada e quase chorou. Depois, foi fofocar para os filhos da dona. O jovem pôde escolher um terno, gravata e calça pretas de graça. "de graça? Não acredito!", perguntou ele. Mas, essencialmente ele adorou aquele momento, pois não gastou um centavo com aquelas roupas. "O que a amizade pode fazer com as pessoas. Mesmo assim, estou muito agradecido por ter conseguido tudo isso sem pagar", ele pensou. E agradeceu abertamente. Foi convidado pra comer alguma coisa, mas o moleque ainda quis escolher o quê. "Tem suco?". Claro que tinha. Tomou uma jarra inteira de suco de maracujá.
    - Poxa, a senhora nunca me tratou tão bem assim, parece que...está me armando alguma coisa. Como se tivesse envenenado o suco ou coisa assim...

    A dona caiu na gargalhada. Respondeu que tinha um filho 10 anos mais novo que Pedro, que tinha um emprego decente e uma faculdade pra estudar, mas que deixou tudo isso de lado pra acompanhar seus jovens - e perigosos - amigos para um ousado roubo a banco no centro da cidade. Resultado: de seus 5 amigos, 4 morreram numa troca de tiros com a polícia. O que sobrou foi pro xilindró junto com ele. E o cara está mofando até hoje no presídio Bangu 3.

    - ...então, não pense que estou fazendo isso querendo algo em troca ou para te passar a faca nas costas, não. Faço isso pela sua situação e porque você lembra meu filho. Só isso. Me desculpa qualquer coisa - disse a dona do brechó.
    - "Desculpas", digo eu. Me desculpe ser tão desconfiado. Acabei de sair do inferno, então...há alguma coisa que eu poderia fazer até pra retribuir a ajuda?
    - Não, pode seguir seu caminho. Vai demorar mais de 5 anos pra ele sair daquele covil, então, se você quiser passar aqui com mais frequência...
    - Vou fazer isso com toda a certeza. Nunca me esqueci da senhora, não é hoje que eu iria me esquecer. E obrigado pelo suco e pelas roupas. Valeu.

    Após a visita, Pedro tomou um ônibus até o bairro de Campo Grande, há alguns poucos quilômetros dali. Entrou em um beco, onde chegou atrás de um casebre. "É, acho que ninguém entrou aqui faz algum tempo", pensou. Pulou o muro da casa, sabendo que não iria ter nenhum cachorro disposto a arrancar seus bagos fora. A casa estava totalmente escura, repleta de mofo, cheiro forte de poeira e infiltrações. Mas, ele estava mais do que acostumado com o ambiente. Daí, começou a tocar o solo, ver se não tinha alguma cavidade macia ou bamba. 2 minutos de procura, conseguiu. Deu umas batidinhas, achou o buraco cuidadosamente tampado. Deu uma olhada no armário velho e catou uma pá coberta de cal, cheia de teias de aranha. Carregou com dificuldade até o buraco e começou a cavar. Tum, tum, tum, tum, tum, tum...mas um TUM e chegou a romper a madeira que cobria o buraco. Foi batendo mais agressivamente até quebrar por completo. Jogou a pá no chão e abriu com suas mãos. RAK! Tinha um saco plástico lá embaixo...cheio de dinheiro.
    Pedro deitou no chão à beira do buraco e pegou o saco, que pesava mais ou menos uns 10 kgs. Trouxe pra cima - óbvio - e despejou toda a grana no piso, pra contar quanto tinha. 10 minutos depois, chegou a conclusão de que tinha 2 milhões de reais. Cash. Grana pura. Tudo vindo de dízimo e oferta da igreja. "Era só o que faltava: eu sabia que tinha gente que iria escapar daquele maldito suicídio em massa, mas os caras esqueceram de buscar a grana", pensou ele.

    Enquanto os fiéis eram queimados vivos, Pedro saiu pela tangente e aproveitou a abertura secreta do templo, mas antes tinha sacado que algumas pessoas saíram antes dele. O pastor principal da igreja, o "Apóstolo"Luiz, não estava entre os corpos carbonizados, muito menos sua mulher, a "Bispa"Luciana. E até hoje, eles estão sendo procurados pela polícia, pelos parentes e pelos ex-membros da igreja. Ao sair do incêndio, Pedro juntou estes 2 milhões e chegou a este antigo templo da igreja - onde era diácono - e escondeu tudo no subsolo da mesma.

    Tratou de sair dali rapidamente. Pegou o celular, ligou pra Nicole e lhe disse para o pegar na frente do templo, junto com o "sacão". Ele ainda precisava comparecer à festa de Rocco naquela noite.

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    • #3
      Alguns minutos depois, Nicole o chegou e o levou. Pedro ficou encucado com o fato dela ter reaparecido bem rápido. "Provavelmente duraria uma hora", ele refletiu. Mas, ele nem sabia para onde ela estava indo. Mas, ora bolas, ali era Paciência, um bairro bem distante do centro da cidade, da Zona Sul, da Tijuca, do Méier...deixou o pensamento de lado na medida em que a noite foi caindo...Ele estava começando a tropegar de sono, até que Nicole disse que realmente, o moleque iria chegar meio chapado de sono para a festa. "Não é melhor você ir pra casa e dormir? É realmente importante pra você, essa festinha?", ela perguntou. Ele fez "sim" com a cabeça e voltou a cochilar. "Me acorde quando chegarmos lá, por gentileza" e apagou. Ela poderia pensar que seu primo possivelmente faria alguma cagada no meio daquele pessoal todo, ficaria mal na fita. Nah, ele não está bêbado, então, sem problemas. A residência de seu melhor amigo ficava no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio, em frente à praia. Ainda meio chapado de sono, Pedro tentou levantar, mas teve de ser ajudado. "Me desculpa o trabalho", respondeu a sua prima, enquanto os dois eram alvos de olhares adolescentes de dentro da casa. Rocco chegou:

      - E aí, rapaz! Estava morrendo de saudades de você! - disse ele, quase sufocando seu amigo com um abraço.
      - É, finalmente os 2 anos terminaram, agora quero descarregar tudo na zoação, bebedeira e coisas que todos nós bem sabemos. Se bem que é clichê demais descontar isso tudo na bebida e mulher, né? Tenho que sacar que não estou em uma novela ou em uma história em quadrinhos - respondeu Pedro. - E esse pessoal, vai me dizer que você conhece pelo menos 10 deles?
      - Er...conheço praticamente todos!
      - Mentira.
      - Que seja, essa galera toda é da faculdade, além do mais eles chamaram mais gente, e como não sou idiota nem nada, tiveram que contribuir pra "vaquinha" de comida e bebida, acha que eu iria pagar tudo do meu próprio bolso? Espero que não se preocupe com os gastos, você veio aqui pra curtir. Essa festança foi feita pra você.
      - Eu não vou dizer "não precisava", pois seria hipocrisia. Valeu pela festa, meu chapa. - retribuiu o abraço e disse para Nicole: - prima, me apareça aqui amanhã de manhã. Como é que dizem..."Hoje, eu não sou de ninguém".
      - Só não exagere, pois não estou pra ser sua babá. Se bem que não adianta muito dizer isso a alguém como você.
      - Obrigado pela parte que me toca. Valeu! - e ela foi embora após a despedida.

      Realmente, havia um porrilhão de pessoas curtindo a festa, regada a muita comida e bebida, e obviamente, zoeiras mil, nudez e brincadeiras de mau gosto. Pedro tava que tava, ele tinha que descarregar o tempo que ficou encarcerado, entrando em contato com párias da sociedade e o escambau, nessa festa. Daí, o que ele pensou, em primeiro lugar: bebidas. E bebeu. Muito. Experimentou desde vinho, passando por cerveja preta à mais pura cachaça. Logo, resolveu misturar todas as bebidas que vinha pela frente num só copão. Uma de suas colegas lhe disse que ele iria morrer. Outra disse que o sujeito iria estragar a festa cometendo uma besteirada daquelas. Mas, ele estava pouco se lixando. Bebeu e ficou "normalzinho". Nos fundos da casa havia uma piscina, já repleta de jovens ocupando. "Foda, queria nadar", disse ele. Foi aí que tentou imitar um campeão olímpico de salto ornamental e caiu da sacada, numa altura de 8 metros. Sorte que não atingiu alguém. Saiu da piscina, se secou e ficou só de chinelo, bermuda florida e sem camisa na festa. Até que Rocco lhe apresentou uma pessoa:

      - Olhe, Pedrão, essa é a Miss Brasil Na...
      - Putz, sempre quis conhecer essa mulher. E então, o que a senhorita olhos faz na Babilônia? - perguntou.
      - Nossa, mais uma pessoa que se encanta pelos meus olhos castanhos. Prazer, Pedro. Você disse que sempre quis me conhecer, mas eu é que sempre quis te conhecer. Você é uma pessoa relativamente famosa no meio "underground" carioca - disse ela, sorrindo bastante.
      - Mesmo? Achei que minha irmã era mais famosa que eu, mas pelo menos, que bom que eu supero ela em alguma coisa. Porém, voltando aqui: você está estupidamente vestida de um modo provocativo...esse biquini preto foi feito com couro? - pergunta ele, olhando para os peitos, ao invés do biquini.
      - Não seja bobo, vai me dizer que não quer tocar em um assunto mais interessante que isso? - disse a Miss, que enquanto alisa os longos cabelos negros, fixa seus olhos enormes no rapaz. Rocco se despede dizendo um "ops, deixarei vocês sozinhos". - Rocco me disse que você sempre...sempre...
      - Eu "sempre"...?
      - Sempre...você sabe...por mim. - enquanto a morena tenta explicar, deixa sua mão direita semi-fechada e faz um movimento para baixo e para cima, soltando um sorriso maroto. - Eu confesso que ri pra caramba quando soube, mas por outro lado, me senti desejada, sabe?
      - Desejada porque um "famoso" bateu punheta por você? Achei que você nem tocaria nesse assunto tão rapidamente. Mas, pra vir nessa festa a pessoa tem de ser meio maluca, mesmo, huehehe. Eu mato o Rocco por causa disso.
      - Me desculpa se eu fui direta demais...
      - Na verdade, você não foi direta, mas ganhou uns pontos comigo justamente por não ter papas na língua. Se bem que eu também sou assim, então temos algo em comum. Enfim, aproveitando que você achou alguém de uma família que provavelmente iria te ajudar a alçar seu estrelato, você quer transar comigo, né? Se bem que você teve um affair com o governador daquele estado lá.
      - Mas...eu...eu não quero fazer isso porque sua família é famosa, não me entenda mal! - disse a Miss, se aborrecendo. - Está achando que eu sou uma alpinista social ou algo assim? Está me ofendendo e eu...
      - Tudo bem, mas você disse "Você é uma pessoa relativamente famosa no 'Underground' carioca". Além do mais, acho até estranho que você "goste" de um sujeito feio, magrelo e inútil como eu.
      - Nossa, não imaginei que você chegaria a esse ponto. E ainda gosta de se depreciar. Não sei como perdi tempo com você e com sua festinha. - quando a Miss iria embora, Pedro segurou em sua mão dizendo que é totalmente o contrário de alguém com baixa-estima. Ele estava apenas sendo sincero consigo mesmo e com ela, apesar de já sacar o que ela realmente queria com a hora do Brasil.
      - É verdade que eu bato uma por você. Você tem peitões que me fazem lembrar meus tempos de criança, um coxão que me dá vontade de lamber e uma boca tão tesuda que só pelo fato de eu querer meter a língua dentro, me deixa todo eriçado. Vamos deixar de papo. Que tal alegrarmos a nossa noite, senhorita Miss Brasil? - após estas palavras, a moça - mais alta que ele - olhou para o chão e esboçou um sorriso. "Vamos lá, você não tem nada pra fazer, mesmo", fomentou Pedro. Ela tocou em sua mão e ambos foram para um dos quartos da casa. "Saiam fora, junkies", ela gritou aos moleques que cheiravam cocaína no criado mudo. Fechou a porta.

      Pedro estava visivelmente nervoso naquela situação, apesar de excitado. Não esperava a hora de comer aquela morenaça gostosa, interiorana e que por muito tempo foi a causa de tantos futuros filhos mortos. "Deitaí", ela disse. Ele deitou na cama, estava mais do que tremendo. O sujeito tinha que se acalmar, aliás, foi isso mesmo o que ela avisou para ele. A Miss tirou o salto alto, tirou uma camisinha rosa da bolsa e colocou no pênis dele. "Antes de chupar, me beija. Sempre quis te beijar olhando pros seus olhos, é um desejo bem estranho, né?", perguntou a ela. Teve seu pedido atendido. Se beijaram, de língua, enquanto ela olhava para ele de um modo sensual e vice-versa. Ele aproveitou o momento para ingerir o máximo de saliva da morena, enquanto enfiava o dedo na sua bunda. Ele queria porque queria chupá-la, até que ela disse: "Achei que quem iria se divertir aqui seria você, não eu. Então, deixe tudo comigo, só fique mais calmo, não se afobe". A Miss Brasil chupou o rapaz, ele se contorcia de prazer. Até que depois sentou em cima com gosto e ele aproveitava o máximo enquanto apalpava o bico dos seios dela. Trocaram de posição, ela ficou de 4 e ele mandou ver, metendo na bunda dela enquanto lambia seu pescoço como um tarado e não tirava as mãos de seus seios. Rapidamente, a moça começa a rugir. Isso mesmo, rugir, feito um leão. Pedro estranha a atitude, mas acha que seria apenas um modo de "apimentar" a transa. "Quer que eu...goze dentro?", ele pergunta, mas ela não fala nada. E ele goza. TUM! Ambos caem no chão.

      - Obrigado...valeu mesmo...acabou de...realizar o sonho de um ex-nerd punheteiro. Mas, eu estou a um passo deles, não? Por quê não olha...pra mim?

      Pedro tenta virar o rosto da Miss, até que observa seu semblante: olhos amarelo fogo e dentes caninos protuberantes. Por fim, ele toma um soco bem dado na cara. Desmaia.

      Dia seguinte ele acorda. Abriram a porta subitamente, onde uma japonesa de maria-chiquinhas o viu. Fechou. Seu rosto ainda dói pela porrada. "Não acredito que ela fez aquilo", ele pensou. E não acreditava mais ainda no semblante da menina após a transa. Como se fosse um maldito prazeroso e doloroso sonho. Se levantou, abriu a porta e deu uma olhada ao derredor, a casa estava TODA LIMPA. O que foi mais um motivo para pensar que tudo o que ocorreu ontem foi um sonho. Mas, e a dor no rosto, foi o quê, então?

      - Bom-dia, cara - disse Rocco, tomando uma vitamina. Fiz seu lanche, aliás, o pessoal que me ajudou a arrumar a casa tá tomando café lá na varanda, vamos lá.
      - Porra, você deveria ter me dito que tava arrumando a casa, acho que dormi demais, não?
      - Sim, são 4 horas da tarde. Aquela drogadona deve ter feito horrores com você, hein?
      - Que drogadona? Você me viu eu me engraçando com a Miss Brasil, inclusive a gente transou!
      - Tá maluco? Você transou foi com uma roqueirinha que sempre vem nas minhas festas, a Kelly. Aliás, ela é muito mais festeira que eu, mas tem o ótimo hábito de fazer merdas por onde passa. E pelo jeito, fez mais uma, confundindo a sua cabeça. - ao afirmar que Pedro transou com uma "qualquer" ao invés da miss pra lá de gostosa, começou a achar que estava ficando maluco. Se encaminharam à varanda, onde tinham uns 3 amigos de Rocco, incluindo a japonesinha. Todos estavam comendo sandubas e tomando vitaminas e sucos.
      - Não é possível, cara. Eu...eu levei ela pro quarto e transamos. ERA A PORRA DA MISS BRASIL!
      - Eu não me lembro de chamar nenhuma Miss pra festa, nem de ter te apresentado ela. Não é, pessoal? - todos concordaram. - E sei que brincadeira tem hora, não me divertiria confundindo sua cabeça, tá mais na cara que seria brincadeira de mau gosto. No mais, esquece isso, só pelo fato de você ter comido alguém já é um motivo pra ser feliz. E apesar da guria ser "junkie", pelo que me lembro ela não tinha nenhuma doença venérea.

      Realmente, Pedro estava querendo entender o que ocorreu. Era realmente um sonho? Ele lembra que viu, conversou, beijou, abraçou e meteu a pica na Miss Brasil, mas na verdade era uma outra pessoa, então? Que coisa..."deve ter sido a cadeia, só pode", pensou ele. E tratou de esquecer. Vai continuar comendo a miss na punheta, mesmo. Então, fez seu lanche e conversou com o pessoal. Pediu licença para ligar para sua prima Nicole:

      - Você dormiu demais, cara. O que aconteceu? - perguntou ela.
      - Além da decepção que houve aqui? Nada. Dormi muito porque estava bem cansado, você viu que eu cochilei antes de chegar aqui.
      - Ah, sim. Ok, então faça o seguinte: tome um bom banho, eu irei te dar um terno bem bonito, daí te deixarei no Concurso de Moda daquela editora que você tanto odeia. Começa daqui a pouco e vai até 10 da noite. Fora isso, você irá gostar de conhecer uma pessoa que provavelmente fará parte de sua vida, a partir de hoje. Mas, não con-to!
      - Haha, adoro surpresas. Não precisa me dar roupa, você viu o terno que eu consegui. Espero que seja algo que realmente compense a frustração que acabei de ter agora.
      - Que frustração?
      - Haha, não contarei. Daqui há 1 hora você pode vir aqui. Valeu?

      Após a despedida, Pedro continuou a comer, enquanto conversava com os amigos de Rocco. Lembrou a suposta conversa que teve com a miss e lembrou ainda mais quando ela falou que ele era famoso no meio "underground" carioca. Acontece que ele nunca foi famoso a não ser por culpa de sua irmã, esta uma das celebridades mais famosas do Brasil. Pedro se achava um homem anti-social, que tudo o que queria era ter uma vida de repleta paz, com a tranquilidade de quem acorda com o sol na cara, vai à padaria comprar pão e frios e passa o fim de semana chovoso vendo DVDs. Agora que ganhou a liberdade, acharia que com o dinheiro de sua família poderia conseguir uma vida semelhante, mas óbvio, haveriam passos a serem dados. O primeiro era rever sua mãe, o que ele considerava a coisa mais importante no momento. Sua irmã não importava mais que isso, até porque aparentemente Michelle estava muito feliz sem saber dele, considerado por ela há alguns anos atrás como o "estorvo da família". Provavelmente esqueceu-se de que saiu literalmente da costela dele como Eva saiu de Adão...

      Terminado o rango, todos se sentaram para assistir a um DVD que Rocco havia alugado. "O que está havendo com você, cara? Está estranho desde que acordou", perguntou ele. Pedro realmente não estava bem, mas não queria encher o saco alheio por isso. "Tem uma aspirina, aí?", ele perguntou. Um dos amigos - um ruivo encaracolado - descolou um frasco e ele tomou, antes de dizer "é aspirina mesmo, né?". A buzina tocou. Era Nicole. Pedrão se despediu do pessoal, agradeceu pela festança e por tudo ter saído bem - er...quase tudo - e foi embora.

      - Aconteceu alguma besteira e você quer me contar? - perguntou sua prima.
      - Não sou tão previsível assim, baby. Estou querendo ver a fuça da minha mãe faz muito tempo, vamos ver se ela continua sendo a mesma pessoa de sempre. E "Concurso de Moda"? Ainda continua ganhando uma boa grana fazendo roupas e acessórios, não é?
      - Isso mesmo, as coisas estão indo de vento em popa. Embora soe estranho, ela também quer te ver mais do que ninguém nesse mundo.
      - Ok, isso vai ser mui interessante, hehe.

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      • #4
        Não leria isso nem que o van fosse um bom escritor e me pagasse...
        Mas as minas da primeira foto eu comeria todas!
        Aqui é o lugar onde o filho chora e a mãe não escuta

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        • #5
          Impressionante como este gago é insistente...
          BEHOLD MY POWER

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          • #6
            No carro, Pedro ainda pensava no ocorrido na noite passada, tentava reencontrar cacos, coisas que pudessem afirmar o fato dele ter supostamente transado com a miss. Mas, as armas dele só eram as lembranças, que teimavam em ir embora...e iam, estavam indo...e não havia como ele interromper o processo, então ele tentou arrumar um meio: catou um pedaço de papel e começou a relatar o que para ele ocorreu naquela noite. Escreveu detalhadamente os beijos, abraços e o sexo. Escrevia enquanto era observado por sua prima, que não tirava os olhos de um Pedro inquieto:

            - O que você está fazendo? - perguntou ela, enquanto ajeitava os óculos.
            - Escrevendo como foi minha transa com a Miss Brasil. Você pode não acreditar, mas realmente aconteceu. - ao dizer, sua prima gargalhou como nunca havia feito antes, o que escancarou ainda mais o que achava da situação.
            - Ok, tá certo que você é filho de uma família famosa, mas vamos com calma. Não me lembro que Rocco havia convidado pseudo-celebridades pra sua festa, se ele convidou a Miss Brasil, é certeza de que tem muito conceito na coisa...ou ela poderia ter vindo por você, já que tipos como ela certamente iriam se aproveitar de algum membro da nossa família.
            - Realmente aconteceu, ela esteve lá...mas não sei o que deu no Rocco e naquele pessoal, que me disseram que ela não veio, e que provavelmente eu dei umas bimbadas numa junkie qualquer...não me lembro de ter feito isso, só me lembro de ter comido uma miss muito gostosa. Se bem que foi sorte demais, ela realmente estava interessada em mim.
            - Eu sei que por muitas vezes a maioria pode estar errada, mas não creio que Rocco estivesse pregando uma peça com você. Você bebeu alguma coisa na festa, se drogou ou algo assim?
            - Lembro que tomei umas vodcas com limão e uma taça de vinho tinto...mas esse pouquinho não iria pirar meu cabeção, não é possível. Quando eu transei com a menina, não estava bêbado, juro!
            - Ok, esqueça isso. Na boa, esqueça, não vai valer mais a pena quem você transou ou deixou de transar. Mas, como você não é burro, aposto que usou camisinha, ou estou errada?
            - Tá certa.
            - Ótimo. Lembro-me que quando te visitei, você me disse que a primeira coisa que faria em seus primeiros dias de liberdade seria ver todos que você gosta, acertar assuntos pendentes, etc. Óbvio que é algo que qualquer ex-preso faria, e como nossa festinha de moda será à noite, o que pretende fazer a essa hora? Vamos pra casa?
            - Ah, qual é, eu ainda tenho a tarde toda pra curtir e rever algumas pessoas. Falando em acertar assuntos pendentes, queria que você me levasse à Nilópolis. Não sei se você recorda, mas eu namorava uma menina que mora lá, não sei se ainda mora, queria dar uma olhada. Ou melhor: me deixe lá na rodoviária da Central, eu tomo o ônibus.
            - Pra quê você precisa pegar o ônibus se está dentro de um carro que poderia te levar lá tranquilo? Não cria caso. A meu ver, parece que você faz questão de ser rebelde.
            - Não é por isso, minha cara travinha. É que faz algum tempo que não viajo por aí. E como estou indo pra lá por um bom motivo, nada melhor que curtir a viagem dentro do ônibus, eu tenho estes desejos estranhos, você sabe disso mais que ninguém. Bem, você sabe que eu não sou maluco.

            E então, foi assim: Nicole levou Pedro até a rodoviária Menezes Cortes, na Central do Brasil. Uma rodoviária praticamente atrás da estação de trem, um local sujo, repleto de mendigos e prostitutas - das mais horríveis - , e recheado de hotéis onde a diária não passa de 25 reais. Se despediram, Pedro comprou um churrasquinho de frango, esperou uns 5 minutos até o Nilópolis - Central aparecer. Tomou um açaí de meio litro enquanto entrava na condução. E foi embora.

            Havia tempos em que o sujeito não observava a Ponte Rio - Niterói, a Baía de Guanabara e uma das avenidas mais movimentadas da cidade, a Avenida Brasil. Estes 2 anos serviram para ele ficar mais esperto, porém obviamente que estes tempos confinado aumentaram ainda mais sua saudade de viver a vida, ver o mundo e fazer praticamente o que quiser. Era muita saudade. Chegou ao cúmulo da emoção quando choramingou, observando os ônibus intermunicipais se dispersando...um indo para Maricá, outro indo para Vale do Ipê, Duque de Caxias, Niterói, Miguel Couto, Éden, Vila de Cava...agora que havia terminado seu sofrimento no Big Brother vagabundo e desprezado, tinha uma vida pra tocar. Ok, quantas vezes eu vou ter que dizer isso?

            Em 45 minutos, havia chegado no município de Nilópolis. Não perguntou nada, ele sabia onde iria. Saiu da pequena rodoviária e se dirigiu à Avenida Mirandela, a mais famosa da cidade. Do seu lado estava a estação de trem. Chegando na tal avenida, não deixou de esbarrar - sem querer, claro - nos pedestres, pois o local todos os dias é tomado por vendedores ambulantes, permeados no comércio formal e permanente do lugar. Atravessou a rua e andou por 20 minutos, chegando em uma rua calma, próxima à escola de samba local. Apertou a campainha.

            - Oi - disse uma senhora negra e gorda, em cima do muro branco da residência.
            - Oi, eu...eu sou um amigo da Rayane, vim aqui visitá-la. Faz um tempo que não venho aqui.
            - Eu meio que me lembro de você...seu nome é...Pedro, né? A Rayane tá na escola, e de lá vai pra escola.
            - Peraí, ela sairá da escola e irá pra escola de novo?
            - Escola de samba. Você sabe, ela é rainha de bateria faz muito tempo, o que é motivo de orgulho pra mim que sou mãe dela. Mas, realmente faz muito tempo que você não aparece aqui, hein? O que aconteceu? - Pedro não queria revelar que havia sido preso, dito isso, ela poderia impedir dele ver Rayane, então...
            - Eu...tive que fazer algumas coisinhas.
            - Hum...se você quiser, eu posso ligar pra ela e depois das aulas ela poderia dar uma passadinha aqui e falar com você. Enfim, se quiser, pode entrar...já almoçou? Espero que você não seja algum tarado ou algo do tipo.
            - Qual é, a senhora me conhece, huehehe. - Daí, ela explicou que se tratava de uma brincadeira, a mulher se lembrava bem de Pedro.

            Ele se lembrava da trajetória de Rayane na escola de samba local como rainha de bateria. Iniciou a carreira tão jovem, sua juventude impressionava repórteres, simpatizantes da escola e as demais pessoas, que sempre acompanhavam o empenho da menina nos ensaios e nos desfiles. Tal carisma adolescente havia ajudado a escola a conquistar o prêmio por várias vezes. Rayane iniciou a carreira com 14 anos, até que começou a crescer e a diminuir o tamanho do biquini. Não fazia o estilo "adolescente namoradeira", mas era histérica, popular, com uma turba de "amigas" a seu encalço. Seu maior passatempo era shoppings, sambar e entrar no MSN e Orkut. Adcionava seus amigos por lá com uma facilidade tremenda, mas via que alguns a adcionavam unicamente por ser uma celebridade, então ela deletava. A maioria dos homens se aproximavam da menina exclusivamente para fins sexuais, então ela raramente falava com meninos a não ser seus amigos de infância, seu irmão mais novo e primos. Sua vida era o samba, a liberdade sem concessões e...o shopping.

            Rayane havia terminado de participar da aula até que recebeu um telefonema de sua mãe. "O Pedro está aqui esperando por você". Seu belo rosto mulato enbranqueceu-se. Pegou a garota desprevenida, sem ter direito o que pensar, totalmente desarmada. Uma de suas amigas até disse "Tá tudo bem?" e Rayane disse que estava, claro que mentiu. Justo agora quando ela estava começando a se engraçar com um menino "de bem", confiante e boa-pinta...o que o feioso, anti-social e arrogante Pedro era diante dele? Mas, ela sempre gostou desse feioso, anti-social e arrogante. "Foi a pessoa mais verdadeira que conheci", pensou ela. Então, o que fazer? A morena iria direto para a escola de samba, onde tomaria um bom banho, vestiria a roupa da escola e começaria o ensaio. Mas, estava preocupada com Pedro e queria resolver o imbróglio de uma vez. 2 anos foram demais para ela, tanto que não aguentou esperar.
            Pedro estava saboreando um copo de café com leite quando a campainha toca. "Rayane!", gritou a menina. Ele sentiu rapidamente uma dor no coração, o que evidenciava sua tensão. Muito tempo que ele não observa aquele corpão gostoso, né? A mãe dela abriu a porta e a primeira coisa que a menina viu foi o semblante visivelmente nervoso de seu ex-namorado. "Argghh...", era o ruído que ele dava bem baixinho...seu corpo estava paralisado. Rayane olhou para o chão e chegou perto dele:

            - O bom filho à casa torna - disse ela, esboçando um sorriso.
            - O-oi - disse ele. - Desculpa o nervoso, faz muito tempo...você sabe.
            - Sei. Ninguém te abusou na cadeia, né? - perguntou Rayane, rindo.
            - Não, estive me reservando nestes 2 anos pra você. E aqui estou, preparado pra desforra.
            - Você fala como se eu te pertencesse...pena que chegou bem atrasado.
            - Vai me dizer que está namorando com um sujeito sem graça, chato e que é o único que ri de suas próprias piadas?
            - Nossa, dá pra arrumar um emprego de médium, hein? Mas, ele me dá direitinho o que eu mereço.
            - O quê? Piru? Dinheiro? Eu também tenho as mesmas coisas e provavelmente sou bem mais divertido.
            - Acha que uma pessoa como eu iria esperar você depois destes 2 anos? - disse ela, enquanto sentava no sofá. - Achei que sairia todo detonado da cadeia, mas a arrogância não foi afetada nem um pouco. Está bonito como antes, mas...uma beleza mais "crua".
            - Qual é, vai me dizer que você vai se mudar pra Zona Sul, vai ouvir Franz Ferdinand e Beatles e usar All Star, também?
            - Huhehee, não. Continua sendo o bobo de sempre. Você acharia que vindo pra minha casa, tentando convencer minha mãe de que era um "cara legal" e tudo mais iria amolecer meu coração?
            - Olhe, eu fiz besteira. Mas, eu me redimi e não quero dizer que sou mais "bonzinho" que antes, até porque não sou. Eu só sei que ainda estou apaixonado por você, batia várias na sua "intenção" quando te via na televisão e tudo mais.
            - É pra eu ficar feliz ouvindo isso?
            - Na verdade, é. - Pedro tocou o rosto de Rayane, enquanto a outra mão tocava sua cintura. - Não estou te dizendo que eu deveria ter você depois dessa porcaria toda, mas meu sentimento é o mesmo. Você poderia dizer "e você acha que o meu sentimento por você é o mesmo?", mas pensa uma coisa: A gente sempre teve um amor mútuo e o que eu fiz não teve nada a ver com você.
            - É, continua sendo o bobo de sempre.
            - Sei que hoje poucas pessoas falam isso mas...eu amo você. Sempre amei você.
            - Er...eu...
            - Olha, não precisa me dar a resposta agora. Voltei pra ficar, mesmo. Eu preciso ir acompanhar a minha mãe em um concurso de moda, e vou voltar a fazer um MSN. Sei que você tem um, me passe o seu. Cê vai entrar na internet, hoje?
            - Entrar eu vou, mas será bem de tarde, já que ficarei a noite toda na escola de samba. Meu msn é [email protected]. Anotaí.
            - Tranquilo, eu queria muito te ver. Queria que pensasse com carinho sobre a gente querer voltar ou não...qual é, a gente sempre se gostou.
            - Eu não vou falar nada agora, meia-noite a gente conversa. Espero que esteja acordado. Eu...eu fiquei feliz por você ter voltado, mas isso não quer dizer que eu voltei pra você. Vou pensar, hoje às meia-noite a gente se fala, não vou furar.

            - Ok, eu sei. - Pedro não conseguia segurar a empolgação, mesmo olhando a expressão de Rayane que provavelmente dizia: "Que idiota", mas ele não se importava.

            Subitamente ele queixou-se de sede e foi o primeiro a chamá-la para a cozinha pedindo um copo de água. Entrou primeiro e esperou ela entrar até que a colocou contra a parede. Beijou a mulata com paixão, enquanto sua mão direita passeava por aquela cintura. Rayane ficou estática, deixava ele fazer o trabalho, até que o homem começou a descer seu corpo o cobrindo de beijos...chegou ao pescoço, depois a abraçou carinhosamente enquanto beijava seus seios. A menina não poderia esconder seu estado ofegante e começou a sentir prazer. Enquanto ele descia, tocou atrás das coxas dela, alisou enquanto beijava aquela barriguinha sensual - resultado de muita ginástica - , até que ele resolveu tirar a calça apertada da garota. Não escondia o desejo de querer chupá-la.

            "Rayane, tá tudo bem aí?", perguntou sua mãe. Ambos tomaram um susto e decidiram adiar o ato.
            - Er...então, eu ficarei esperando sua ligação. - disse um encabulado Pedro.
            - Ok, pode deixar comigo. - Se despediram e seu ex-namorado foi embora.

            Rayane se perguntou se realmente valeria a pena deixar de namorar um "boa-pinta" e voltar com uma pessoa desajustada e arrogante como seu ex. Pedrão era como se fosse uma espécie de "mentor" para a menina, já que o próprio lhe ensinou muitas coisas e ela achava que ele havia sofrido demais na prisão, e nada mais normal que voltar a seus braços depois de tanta tribulação. Mas, ela tava namorando e não havia aguentado esperar ele durante tanto tempo. Sim, ela ainda gostava dele, mas as coisas não seriam como antes nem que a vaca tussa.

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            • #7
              Eu só li até a parte do carrapato que chupa pitocas!!!
              MCSRN - Movimento Calcinhas Sim Repressão Não!!! Desde 02 de novembro de 2002!!!

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              • #8
                A noite caía, mas em comparação à noite anterior, a negada começava a sentir mais calor ainda. Pedro estava lendo seu jornal preferido no carro enquanto Nicole pedia uns sanduíches no Bob's da Tijuca. Recordava o tempo em que o bairro era mais complicado de se viver, depois que os traficantes dos morros locais resolveram saquear o comércio do bairro, despertando a atenção da polícia militar, e iniciou-se uma pequena guerrilha. Os "puliça" começaram a arregar devido as numerosas baixas, chamaram reforços, como a "tropa de elite" da polícia civil, que ajudou a enterrar os malfeitores. Os tempos são outros, agora. Mesmo assim, o povo não cessava seu "medinho" quando um mulato ou negro se aproxima de um carro pedindo dinheiro, não cessaram o hábito de generalizar, não cessaram o hábito de serem os primeiros a apontar o dedinho acusador quando alguém relativamente famoso na comunidade comete uma merda. Aliás, não só isso. Apesar das coisas terem melhorado de uns anos pra cá, não quer dizer que a cidade do Rio poderia ser levada à sério. A maioria dos cariocas achavam que a cidade nunca seria um modelo de perfeição, ainda mais por ser uma metrópole brasileira. Mas, isso não interessava ao Pedro e a família dele. Apesar do calor, chuviscava bem fininho e os dois se dirigiram ao Concurso de Moda, na Zona Sul da cidade.

                Chegando no palacete, uma multidão se apertava na porta. Uns ficaram visivelmente indignados por serem barrados, enquanto os que conseguiram não escondiam seu semblante arrogante perante os "perdedores". Nicole disse para Pedro sair do carro, já que o manobrista se encarregaria de estacionar o carro. Rolava muita música ainda do lado de fora, haviam os típicos seguranças "armários" e modelos entrando no local. Nicole e Pedro entraram direto, após ela mostrar o cartão especial do evento. "ele tá comigo, ele tá comigo", disse ela, referindo-se a seu primo.

                Lá dentro havia um sem-número de VIPs, celebridades internacionais, seja modelo ou estilista. Milhares de mesas, música clássica, garçons rodando para lá e para cá com suas bandejas recheadas de canapés e champagnes, decoração mais gay possível, chafariz de vinho tinto, gente histérica. Pedro não queria se perder, mas tava tranquilo, pois era acompanhado por Nicole o tempo todo, até que por fim ela achou sua tia e mãe de seu primo:

                - Titia, titia! - gritou Nicole. O coração de Pedro disparou, certamente ficou mais tenso e de respiração dificultosa. Havia tanto tempo que não via a própria mãe, não teria ficado impressionado com a reação de seu corpo. Rapidamente se aproximaram à mesa. Elizabeth, uma socialite de peso, estilista de sucesso e colunista de uma revista de prestígio internacional cumprimentou sua sobrinha Nicole, que estava na frente de Pedro. Pedro não escondia seu desconforto, sua timidez e nervosismo.
                - Pode ser clichê o que eu vou dizer, mas...há quanto tempo, meu filho - disse Elizabeth, usando um vestido prateado que casava perfeitamente com seus longos cabelos grisalhos - que estavam presos - e seus olhos azuis-safira. Ela aparentava uma tranquilidade que esmagava seu filho lentamente.
                - Há...há quanto tempo, mamãe - balbuciou Pedrão, diminuto. - E então, vamos...começar a nos relacionar novamente?
                - Eu seria uma péssima mãe se não aceitasse isso, não é? Eu confesso que não fui aquela mãe presente, mas quero que se sente, está muito nervoso, o que não é surpreendente. - Ele sentou, mal conseguia olhar nos olhos da matriarca. - O que quer que tenha ocorrido com você na prisão, deve esquecer. Você poderia até perguntar "isso não será fácil, pois foram 2 longos anos de suplício", mas pense que saiu das agruras do inferno e finalmente encaminhou-se ao paraíso. Ou seja, uma nova oportunidade para que tome um tino em sua vida.
                - Eu...contava os dias da minha futura liberdade, mas vou ser sincero: não queria ver a senhora tão cedo. Exatamente por ser ausente, estar mais preocupada em confeccionar roupas do que me fazer um carinho. Fora estes 2 anos em que estive ausente, raramente nos abraçávamos.
                - Então, você acha que eu lhe devo uma retratação prometendo que essa sua "segunda vida" eu deveria ser diferente?
                - Eu creio que, sendo MÃE, a senhora deveria ser diferente. Sei que tenho 32 anos, não sou nenhum adolescente magoadinho e que eu poderia ter minha vida separada da família, mas seria até humano a senhora me tratar devidamente como sendo seu filho. Sei que minha irmã conquistou as coisas e as pessoas mais que eu, ela tá de 1000 a zero em mim em matéria de carisma, mas não quer dizer que se eu não ajo como ela, deveria ser descartado. Não estou sendo ingrato por tudo que fez por mim, mas materialismo ajuda até certo ponto. No ponto de que estou falando, dinheiro não pode ajudar em nada, muito menos encobrir.
                - Eu sei. O problema é que eu estou mais do que viciada com o Showbizz, com esta vida de correria, beleza, dinheiro, poder...não irei omitir nada pra você, sei que o problema está comigo.
                - Sim, o problema está com a senhora. E nem preciso dizer que tive de dar uma de rebelde para chamar a atenção da senhora, assim como um filho adolescente faz com os pais quando não está recebendo a devida atenção. Agora, vamos chegar a um denominador comum: Para mim, esta libertação é o recomeço de minha vida, assim como qualquer preso pensaria quando posto pra fora da cadeia. A partir do momento em que um colaborar com o outro em suas carências, tudo ficará bem. Se bem que eu nem deveria "combinar" esse tipo de coisa, já que carinho materno é o que normalmente uma mãe faria.
                - Ok, entendi. Mas, me diga uma coisa: antes de você fazer aquela besteira e ser trancafiado, o que você estava fazendo para que eu me preocupasse com nosso relacionamento? Sua veia rebelde não vem de ontem, vem de muito tempo atrás, pior que cheguei a um ponto em que a convivência estava insuportável. E quando comecei a receber mais trabalhos, disse: "tá pra mim". Juntei a fome com a vontade de comer...
                - Valeu, mas é passado. A longa temporada no xilindró me fez refletir meus atos, realmente fiz besteira, não só aquilo, mas muita coisa. Porém, eu voltei renovado, aliás, alguém tem que amadurecer cedo ou tarde. Eu não sou mais um adolescente, eu tô disposto a reatar nosso relacionamento familiar e inclusive, a arrumar emprego, quem sabe até formar minha própria família? Agora, eu não posso construir meu castelo sozinho. Tá certo que eu vivo um mundo em que muita gente daria - desculpa, - o cu, O CU para ter. Eu só quero ter minha vida de volta e vou aproveitá-la de uma forma que possa agradar quem me ama.
                - Essa última frase poderia ter sido usada num filme romântico - disse Elizabeth, rindo. - Eu confio em você e sei que não está fazendo todo esse discurso da boca pra fora. Espero que eu não esteja enganada, pois foi como você acabou de dizer, agora: tem gente que daria o rabicó, a "maquininha de fazer churros", o rabo, o fiofó para ter uma vida como a sua...tirando a temporada na cadeia, óbvio. Antes de me conhecer, você vivia em uma situação oposta, então mais que ninguém, conhece muito bem as duas faces da moeda. Agora que você está voltando e estou depositando mais um voto de confiança, não faça mais besteiras. Não estou propondo uma troca, já que como você disse, como sua mãe, eu deveria te dar aquele amor materno que sua outra mãe falhou em te oferecer. Irei reparar meu erro, você vai perceber quando nós ficamos mais próximos. Fora isso, seja bem-vindo novamente à família. E aproveite o contrafilé que vou pedir agora.
                - Obrigado pela confiança, mamãe.

                Nicole achou a reconciliação a melhor coisa do mundo. Extravasou sua alegria abraçando os dois e propôs um brinde a aliança que havia sido remendada, a família estava mais unida. Mas...e Michelle? "Como de praxe, ela está viajando", disse Nicole. Conversa vai, conversa vem, Pedro queria ir embora. Não aguentava mais comer, queria repousar a carcaça em alguma cama bem quentinha.

                - Eu preciso ficar, meu desfile começa daqui há 5 minutos. Não está em condições de assistir, não? - perguntou Elizabeth.
                - Acho que não, tia - respondeu Nicole, observando Pedrão morrendo de sono. - Vou levá-lo pra casa. A senhora ainda vai dar as caras por lá hoje?
                - Não, vou repousar num hotel lá em Copacabana.
                - A senhora ainda está morando em Petrópolis? - perguntou o filho. - É meio longe daqui, e eu vou querer ir sozinho, pagando a passagem na Rodoviária Novo Rio.
                - Huehehe, ainda cultivando essa mania? Tudo bem. 100 reais dá pra pagar? Fora isso, pegue também meu número de telefone. Qualquer coisa, fale comigo, meu filho.
                - Dá e sobra. - Pedro pegou a grana e foi levado por Nicole até a Rodoviária Novo Rio.

                No caminho, Nicole não parou de se dizer frustrada, pois acharia que Elizabeth seria um Bicho de Sete Cabeças ao receber seu filho. E não foi.

                R$ 14,00 de passagem. Dormiu como um bebê, na viagem. Lembrava-se de onde morava, um casarão construído no início do século XIX azul com um jardim "de responsa", estilo suburbano americano. Chave pesada, abriu o portão e rolou como um maluco por aquele jardim lindo e enorme. Imitou um lobo. Chegou até a frente de casa, abriu a porta e saiu tirando a roupa enquanto observava o local onde não aparecia fazia muito tempo. Aquele cheiro de poeira evidenciava o quanto tempo que a matriarca daquela abastada família estava ausente. A casa poderia ser dele, até. A localização era boa, apesar de precisar ir ao Rio para ver os amigos, mas a própria cidade de Petrópolis exalava mais segurança e calmaria que aquela metrópole. E tudo o que ele não queria era tensão, não naquela hora. Então, a residência - provavelmente fixa - ele já tinha. Poderia confeitar ainda mais a nova vida com um emprego, ou ao menos um trabalho temporário exatamente para não se passar por dependente, vagabundo e bon-vivant.

                Completamente nu, entrou no banheiro, onde pela primeira vez em muito tempo, olhou-se no espelho. Seu rosto delicado casava com seu corpo semi-magro. Covas na cara, olhos grandes e distantes. Olhos vazios. Seu cabelo estava enorme. Há quanto tempo ele não tocava no cabelo e no próprio rosto - a não ser pra espremer suas últimas espinhas - ? Entrou no chuveiro, cabisbaixo. Deixou a água fria invadir seu corpo, estático. Começou a fazer aquelas reflexões básicas de como seria sua vida, já que ela estava começando a se acertar novamente. Reconquistou a mãe e provavelmente aquele casarão seria seu, ele estava convencido disso.
                Terminado o banho, caiu na cama, peladão. Adormeceu 5 minutos depois.

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                • #9
                  No dia seguinte, enquanto dormia, Pedro alisava um corpo feminino. Era um corpo macio, tão leve que poderia ser carregado facilmente. Tocou seus cabelos longos e sedosos, até que quando finalmente abriu os olhos não viu ninguém na cama. Era um sonho? Uma bandeja com sanduíches e uma jarra de suco de limão repousava em cima do criado mudo. "Quem fez isso pra mim?", perguntou ele. Ouviu um barulho de moto - uma Vespa - indo embora, mas até o sujeito verificar o portão automático do casarão havia fechado e o condutor da moto estava além dos olhos dele. Não era o primeiro mistério que havia ocorrido com ele desde que foi libertado. Pedro ainda não havia engolido totalmente o fato de transar com uma junkie qualquer enquanto pensava que estava com a Miss Brasil. Talvez tenha sido uma espécie de feitiço, talvez não. Mas, ainda tinha muita água pra rolar. Ligou para seu melhor amigo Rocco dizendo que tudo ocorreu bem ao conversar com sua mãe. Ele ficou feliz por tudo estar começando a dar certo para seu amigo, aliás ele nem imaginava que seria diferente. Achava que Elizabeth iria amolecer o coração, pois a cadeia foi o sofrimento maior de seu filho, achava ele. Tranquilo.

                  Terminada a conversa, Pedro não sabia o que fazer naquele dia que estava começando. Daí, direcionou seu pensamento para a pessoa que lhe deixou o café da manhã pronto e que foi embora antes de que ele pudesse identificá-la. Poderia ser sua irmã mais velha, Michelle. Mas, ela estava viajando, ocupadíssima com sua vida artística, quem sabe pensando em não voltar para o seio da família tão cedo. Mas, ela teria tempo para voltar ao casarão e fazer um agrado ao seu irmão? Não sabia dizer, talvez ela tenha passado a noite lá, chegado na madruga enquanto ele estava dormindo. Uma coisa propositalmente misteriosa. Ok, pensou em mais coisas. O que iria fazer a partir daquele dia? Procurar uma escola? O carnaval tava chegando. Um emprego? Ele não tinha nenhum contato, nem ao menos um conhecido em Petrópolis, uma cidade muito mais aprazível e mais calma que o Rio de Janeiro - mesmo assim ele poderia arrumar um trampo, claro -. Fora isso, tinha um clima melhor. O fator clima sempre havia mexido com Pedrão, tanto que antes de ser trancafiado pensou em morar em cidades do interior do estado com climas pra lá de agradáveis, como Paty do Alferes e Miguel Pereira. Era mais uma das pessoas dispostas a procurar a "paz interior e exterior", ou seja, detestava academias, multidões, shoppings e etc. Só entrava quando não lhe restava alternativas. Aquele casarão estilo mal-assombrado era o "home sweet home" para ele, havia achado seu "best place". Mas seria complicado morar lá se ele queria concretizar novamente um relacionamento amoroso com a rainha de bateria Rayane e com o tempo seria no mínimo estressante sempre ter de fazer a ponte Nilópolis-Petrópolis. E mesmo que a convidasse para morar com ele, certamente que ela não iria querer. Como sabia, as coisas não iriam ser como antes nem que a vaca tussa. Os tempos são outros, cacete. E aí?
                  O sol iluminava os belos e apetitosos corpos femininos de uma escola de natação carioca. Mulheres de maiô e biquini, esbanjavam sua beleza jovem no local e nos arredores. Um dos veículos estaciona próximo a escola e dele sai uma menina de cabelos curtos e castanho-claros, baixinha, cheinha e portando uma mochila. Se despede da mãe, que vai embora minutos depois.

                  A menina adentra a academia, em que apresenta o cartão de identificação. "Bom-dia, Lauren", disse a recepcionista. "Aguarde que a professora Marcele está ajudando outra aluna, ela vai aparecer bem rapidinho". Esperou. 5 minutos depois:

                  - Oi, desculpe a demora, Lauren. Esse nome é francês, não é? E então, seja bem-vinda a escola de natação 370. Vai gostar muito daqui e fazer muitas colegas. - disse a professora, forçando uma alegria que logo, logo foi sacada pela jovem.
                  - Oi. - respondeu Lauren. - Na verdade, eu nem pretendo fazer muitas amigas...mas, sei que vou ter um pequeno preço a pagar por isso. Antes que a senhora me diga que tô antecipando as coisas, acredito que aqui não será diferente das outras escolas. Mas, que seja. Quando posso nadar?
                  - Me parece que você é uma menina muito pessimista, hein? Tem algo que em que eu possa te ajudar? Er...algumas meninas aqui realmente costumam pegar no pé das mais esquisitas, quer que eu...reúna todas elas explicando...
                  - Não precisa, quero que veja com seus próprios olhos a brincadeira. Ou melhor, vou torcer para que eu seja surpreendida. Mas, sei lá, acho que é pedir demais. E muito obrigada pelo "seja bem-vinda". - finaliza Lauren enquanto se dirige ao vestiário, onde rapidamente veste seu biquini. A professora achou a menina estranha logo de cara. E não só estranha, mas com tendências depressivas, pessimista, de mal com a vida. Mas, não era da conta dela, não é mesmo.

                  Lauren foi para a piscina, onde observou a água, enquanto refletia sobre não sei o quê. Era observada pela maioria das alunas presentes, do outro lado da piscina, onde recheavam ainda mais com cochichos, fofoquinhas típicas de adolescentes. "Quem é ela?", "Ela é bem esquisita", "Vamos zoar", "como ela é gorda", só para sacar o tipo de frases mais usadas. Como mostrou, a menina estava mais que acostumada em ser tratada como a estranha da escola e mesmo torcendo para que fosse diferente nessa, ela própria não ajudava. Poderia se juntar às meninas desde então. Certo de que elas não tinham sua mentalidade, mas poderia ao menos infiltrar-se nas gurias para que nenhuma delas pensasse mal dela. Porém, não estava nem aí pro que pensassem. Andou até o lado mais fundo da piscina e entrou na água. Começou a nadar ao redor, enquanto as garotas ainda fofocavam, até que a professora chegou e a observou. Ela tinha uma certa desenvoltura na natação, um talento. Uma menina ficou boquiaberta. Duas. Três. Quatro. Uma com invejinha, claro. Terminado de testar a piscina, Lauren conversou com a professora, onde ficou por dentro dos regulamentos, do horário das aulas e aproveitou para conhecer as novas colegas.

                  Guardou teu biquini, sob os olhares de algumas garotas, até que resolveu falar:

                  - Vai ser sempre assim? - perguntou. - Enfim, tô acostumada. Quem sabe a gente poderia sair um dia?
                  - Hum...pelo seu jeito, achei que não gostasse de sair - disse uma alta lourinha. - Mas, confesso que você nada de um modo perfeito, rápido. Vai acabar sendo minha professora algum dia desses.
                  - Ah, nem tanto, mas era uma boa alternativa, já que há alguns dias atrás eu não tinha nada pra fazer, mamãe ficou reclamando, etc.
                  - Minha mãe ainda não reclamou e acredito que ela nunca irá reclamar.
                  - Tem sorte. Você não me disse seu nome.
                  - Yamê. É, sei que é um nome esquisito, mas minha mãe é meia que chegada numa bizarrice, mesmo. Prova disso é que tá casada com aquele gordão do meu pai. E você não é uma pessoa que tenha namorado, ou eu errei?
                  - Acertou, até porque sou a "estranha da escola", então já dá pra sacar como seria. Mas, eu não ligo, um namorado na idade que estou seria bem complicado. Seria péssimo, pra falar a verdade.
                  - Que nada. Seria bem legal, que tal você experimentar? Eu e as minhas amigas iremos no Shopping Tijuca com alguns conhecidos nesse sábado. Posso te apresentar a eles, se você quiser. Topas?
                  - Tá. Topo. - respondeu Lauren, enquanto apertava as mãos de sua nova amiga.

                  Chegou a conclusão de que deveria se aventurar na amizade alheia, até para ver no que daria. Sua vida estava muito sem-graça e ociosa, sua mãe começara a reclamar de sua vagabundagem, mesmo sendo uma menina as coisas não foram aquele docinho todo. Então, iniciou as aulas de natação, matriculou-se numa escola - particular, claro! - e finalmente entendeu de que precisava ser algo mais além da "estranha da escola", já que ela própria fomentava este rótulo. Fora isso, haviam algumas coisas sendo feitas na encolha, de natureza duvidosa. Era o lado B que provavelmente suas novas amigas nunca conheceriam.

                  Pegou sua mochila ao ouvir a buzina característica do carro estranho e espalhafatoso de sua mãe. "Como foi na estréia?". Foi bom, até melhor que a encomenda. Contou as novidades, que fizeram o sorriso de sua querida mãe estender-se de orelha a orelha. Chegando em seu apartamento, saiu tirando a roupa, trancou-se em seu quarto, até que ligou o computador e conversou com uma amiga no telefone:

                  - E então, a natação deve ter sido muito boa pra você, não? - perguntou a amiga.
                  - Acertou na mosca. Não vejo a hora de começar a estudar, mas ainda irá começar o Carnaval...só passei pra dizer que eu finalmente encontrei com o menino. Ele mal vai sacar que foi "vítima" duma coisa que eu achava que não iria dar certo.
                  - E como foi a noite com ele? Vocês transaram?
                  - Sim. Pena que ele achava uma coisa enquanto eu achava outra. E a experiência está tão gostosa, não creio que seria uma boa desistir de tudo, agora. Não quero brincar com ele o tempo inteiro, mas isso foi em resposta a ele ter feito aquilo comigo e com os demais.
                  - Sabe que se ele descobrir que foi você pode te matar, hein?
                  - Acho que não, mas tudo tem seu tempo. Ele irá descobrir, mas provavelmente não irá agir com violência. Até porque o sujeito me conhece desde criança e sempre fomos amigos, enquanto nos relacionamos. Por enquanto, vou brincando com ele, preciso aproveitar a oportunidade. Claro que vou libertá-lo um dia, mas até lá vou fazê-lo de gato e sapato. Eu o adoro.
                  - Você é maluca.
                  - Eu sei que sou.

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                  • #10
                    puta merda
                    que coisa horrivel
                    a primeira frase ja tem erro
                    o cara é muito ruim
                    Giovanni Giorgio

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                    • #11
                      No mesmo dia, Pedro rodou a cidade de Petrópolis procurando emprego. Antes de sair, ligou o computador, fez seu currículo, comprou o jornal e deu uma olhada nos classificados. Hoje em dia, os empregadores têm preferência por quem tem Curso Superior, mas ele precisava voltar a estudar. Ligou para algumas agências de trabalho, que lhe mandaram passar por lá. Daí, ele passou a tarde toda resolvendo a questão. Foi ao centro - ele morava no bairro Valparaíso - , deixou seus currículos em várias empresas e em um banco de emprego. Teve de aturar uma fila enorme no último, tão grande que não teve muita paciência e foi em um restaurante de comida a quilo almoçar. Ao menos haviam poucas pessoas no local. R$ 10,50 de comida, mais uma sobremesa - pudim de leite - e uma jarra de suco de limão. Sua barriga cheia lhe deixou com tanta preguiça que levou mais ou menos 20 minutos até sair do estabelecimento, aproveitando que haviam poucas pessoas por lá. Pedrão não conhecia a cidade, seus poucos cinemas exibiam filmes desinteressantes para ele. Blockbusters, enquanto ele sempre deu preferência a filmes "artês", de orçamento baixo e roteiro melhor trabalho. Tava um tédio do caralho. "Não acredito que eu vou morar aqui", pensou Pedro. "Minha vida está no Rio de Janeiro. Tá certo que aquela casa no Valaparaíso é um sonho, um lugar onde tranquilamente eu poderia viver a minha velhice inteira e morrer, mas não quero passar o dia todo no ócio, sem fazer nada". É, o tédio estava consumindo o interior do teu corpo, ele precisava fazer alguma coisa pra "curar". Foi no shopping, embora ele deteste.

                      Andou um pouco, por um instante nutriu uma certa inveja do pessoal se divertindo. Era a mesma coisa quando de vez em quando dava as caras na escola de samba pra observar o bundão guloso de Rayane rebolar, ele só estava lá pra secar aquela mulata. Falando nela, Pedro sentou em um dos bancos do shopping e resolveu ligar pra ela:

                      - Oi, boa-tarde - disse ele. - Tudo bem com a minha gostosa?
                      - Boa, e então, como está você? Onde você tá? - perguntou Rayane.
                      - Num shopping mequetrefe de Petrópolis. Tô esperando o tempo passar, tô aqui pra não ficar em casa sem fazer nada.
                      - Tá em Petrópolis? Você tá morando aí ou visitou alguém?
                      - Er...tô de visita, minha mãe tá morando aqui. Tô pensando em amanhã voltar pro Rio e alugar um quarto ou até mesmo uma casa aí em Nilópolis, já passei da hora de resolver essas coisas simples da minha vida.
                      - Precisa ter calma. Se você quiser, eu deixo de ensaiar amanhã pra te ajudar nisso.
                      - Opa, legal! Aproveitando, a gente poderia sair, comer alguma coisa, pegar um cinema...os cinemas daqui são uma merda.
                      - Não se empolga, quero te ajudar a alugar essa casa, posso contribuir com uma graninha.
                      - Não, por enquanto não tenho problemas de grana. Cê sabe, minha mãe tá me sustentando, provavelmente serei herdeiro da família, mas hoje mesmo eu estive procurando emprego.
                      - Parabéns. E então, vamos sair amanhã ou não?
                      - Claro que vamos. Pode passar aqui em casa às 12:00.

                      Pedro havia chegado a conclusão de que tinha voltado a namorar a rainha de bateria Rayane, o que obviamente o enchia de alegria. Mas, ele entrava em contato com a Miss Brasil, que ele provavelmente transou na festa do Rocco, seu melhor amigo. Ele poderia bancar o sujeito bonzinho e fiel a Rayane e chutar a outra, ou então poderia escolhê-la e se despedir do bucetão da rainha de bateria. Ou então poderia namorar as duas. Belo progresso, hein? Ele poderia escolher, algo que seria impensável há mais ou menos 5 anos atrás, quando era considerado pelos colegas o "estranho da sala de aula", exatamente como sua amiga de infância, que ele deixou de falar após o incidente suicida de sua antiga igreja.

                      Retornando para casa, entrou na internet, onde a miss estava online no MSN. Abriu o sorrisão.

                      Pedro Lyberty!diz:
                      Olá, senhorita! Tava realmente querendo conversar com você!

                      [ simplesmente Nathy ]diz:
                      eu tb! faiz temp q eu keria fala kum vc depoix dakela noite maravilhoza q tivemus...

                      Pedro Lyberty!diz:
                      O que você vai fazer nesse próximo fim de semana? Tá certo que você está abarrotada de trabalhos, eventos, bailes de debutantes e o caralho à quatro, mas me diga o que vai fazer, que a gente marca um dia.

                      [ simplesmente Nathy ]diz:
                      hm...eh, tein razaum. mas eu possu markar nesse fim d semana pra vc. aparti d segunda eu viajarei para sao paulo, entaum a gente podi conversa...kem sab dá uma rapidinh...

                      Pedro Lyberty!diz:
                      Huehehe! Me diz uma coisa, quero que seja sincera comigo.

                      [ simplesmente Nathy ]diz:
                      podi m dizeh!

                      Pedro Lyberty!diz:
                      O que você viu em mim? Tá querendo ficar comigo por causa do meu dinheiro, por causa da minha família famosa? Vamos, quero que desabafe, seja sincera comigo.

                      [ simplesmente Nathy ]diz:
                      eu sempr xou sincera cum vx. max, respodenu xua pergunta eu xinto prazer xexual pur vx, e eu t adolu. te adolu pq vx paxo pur muita coiz ruim, e fora ixu, akela igreja acabo kum algunx parentex meus...meu pai vendeu noxa caza koloko ela komu dizimu. noix naum fikamux na rua pur kausa da minha tia, ke koloko eles na justissa, entaum elex devolveram a caza. podi kreditá in mim, eh verdadi.

                      Pedro Lyberty!diz:
                      O problema daquela igreja de bosta era justamente esse, eles sempre enfatizavam mais a grana que as palavras da Bíblia, e tinha nego que caía nessa, claro. A maioria dos brasileiros são imbecis, verdadeiras marionetes, capachos, que inconscientemente adoram ser marionetados e depois se acham na pachorra de dizer "Quem é você pra me jugar?". Eles enganavam o povo, eu os enganava, ainda mais quando eu fui o tesoureiro oficial do bispo maior da bagaça. Fui preso e fui liberto, e a sorte é que a Mídia não caiu em cima de mim, eles estão mais ocupados em saber das tendências de moda feitas pela minha mãe.

                      [ simplesmente Nathy ]diz:
                      ke sorte a sua!!!!! esses meus temps de miss estaum me rendendu bonz frutus, to conhexendo muit gente, to ganhando dinheiru soh kum minh prezensa, jah ke o povu adola celebridadez instantaneas...

                      Pedro Lyberty!diz:
                      O povo é babaca! Se bem que todos deveriam se ajoelhar perante sua beleza e gostosura...

                      [ simplesmente Nathy ]diz:
                      tah me deixandu enkabulada!

                      Pedro Lyberty!diz:
                      Então, eu vou pro Rio amanhã, o fim de semana tá chegando e o Carnaval também. Já sabe o que vai fazer?

                      [ simplesmente Nathy ]diz:
                      eu vo sair em uma eskola di samba, mas ainda naum sei kual! mas prometu ke ti digu! poderiamos markar algu nesse domingu! Ke tal?

                      Pedro Lyberty!diz:
                      Ótima idéia.

                      [ simplesmente Nathy ]diz:
                      mi diz uma koisa...tah tomandu akele remediu? Eu toh tomanu!

                      Pedro Lyberty!diz:
                      Sim, uma vez por semana. Me deixa mais relaxado, menos pesado, me sinto até mais lúcido. E aumenta o prazer sexual. Pode deixar que eu vou tomar antes de ver você. Bem, eu vou arrumar o quarto, mal cheguei e deixei aqui tudo bagunçado. Me ligue amanhã, a gente marca direito esse encontro no domingo. Ok? Faça sua parte que eu faço a minha, peituda. Gostosa. Bucetuda.

                      [ simplesmente Nathy ]diz:
                      rs. Podi krer, to fazenu minha part tb. I prometu ke te ligu, vx podi confiah em mim, nunk ti decepcionei....

                      Pedro Lyberty!diz:
                      Ok. Beijo na boca, me ligue amanhã. Te vejo domingo. Vou te fazer subir pelas paredes!

                      [ simplesmente Nathy ]diz:
                      oka, naum veju a hora! bjxxxxxxxx

                      Pedro Lyberty!diz:
                      Tchau, beijão!

                      [ simplesmente Nathy ]diz:
                      XAAAAAAUUU!!!^_^

                      Terminada a conversa, Pedro tirou a camisa, ligou o rádio AM - que brega... - e deu uma faxina geral no quarto. Aliás, considerou estranho o fato de uma casa tão grande quanto aquela não haver empregados. Só provava que Elizabeth não queria mais morar ali, não sei se porque enjoou ou algo semelhante. A estrutura predial estava naquelas maravilhas, o jardim, muito bem cuidado. De sujo por aí, só o quarto que Pedro estava limpando. Com a grana que havia escondido dos pastores e obreiros da igreja ele poderia contratar um chofer, empregados, cozinheiros e o caralho à quatro, e não despertaria suspeitas, pois sua família nada na grana. Nada mais natural de um filhinho de papai, quando sai da cadeia, voltar para o seio familiar e continuar limpando a bunda com notas de 100 reais, como sempre ou com algumas pequenas variações, como o sujeito arrumar um emprego. O "crime" cometido por Pedro foi considerado uma espécie de vingança pelos fiéis que finalmente se sentiram enganados. A igreja teve sua prosperidade florescida em meados da década de 90. Igreja nova, atraia jovens com seus papos "cool e descolados", entre os jovens então convertidos estavam estrelas adolescentes de tv e cantores de Rock nacional e MPB. E um certo jogador brasileiro que figurou entre os melhores do mundo. O suicídio coletivo não impediu que filiais da igreja continuassem a funcionar. Decerto de que afastou uma porrada de fiéis, mas não o suficiente para quebrar a igreja. Sempre tem um povinho que dá dinheiro e tempo para eles. Pedro estava mais preocupado em ver sua vida do que se preocupar com represálias de desafetos. Achava que TODOS os membros da igreja eram frouxos, inofensivos, que não poderiam fazer mal a uma mosca. E sempre passavam essa impressão. Então, ele não tava nem aí pra vingancinhas, já que logo, logo processaria quem se atrevesse.

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                      • #12
                        Postado originalmente por Desmond.
                        Hoje em dia, os empregadores têm preferência por quem completou o Ensino Médio.
                        BEHOLD MY POWER

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                        • #13
                          Postado originalmente por AntiMonitor
                          Impressionante como este gago é insistente...
                          Éééé engggraçaçaçado cocomo eeeele não gagagagueja quaquando escrecreve.
                          Mas nununão popopodi fafafalar mamal dele pupuquê sisinão eeele diz quque é perssss...
                          Perssss...
                          Peperssseguiguição.

                          Anyway, tá muito ruim essa merda, Desmond.
                          Desista.
                          Você não leva jejejeito.
                          "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

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                          • #14
                            Postado originalmente por AntiMonitor
                            Postado originalmente por Desmond.
                            Hoje em dia, os empregadores têm preferência por quem completou o Ensino Médio.
                            uHAUHUHuhau HH AU

                            Ensino médio hj em dia vc não consegue nem de gari!
                            BOSTIL TIL TIL!!!

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                            • #15
                              Postado originalmente por Spit-Nick
                              Ensino médio hoje em dia você não consegue nem de gari!
                              Pra atendente de telemarketing da TIM e da Claro exige-se nível superior iniciado.
                              Pra ganhar 450 contos por SEIS horas de trabalho por dia.

                              O Desmond é muito alienado, santo deus...
                              Ele precisa viver mais, pobre infeliz.
                              "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

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