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A Luva Escarlate - Prólogo

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  • A Luva Escarlate - Prólogo

    Se vocês gostarem, posto mais. A história ainda não está totalmente completa. Alguns membros do MBB já leram, mas ninguem ainda manifestou sua opinião.



    O seminarista Arturo Garcez havia acabado de colocar as últimas flores dentro do caixão quando o padre Miguel entrou na capela. Arturo acendeu as velas enquanto o padre caminhava da porta até o caixão. As flores eram espécies locais, semelhantes as rosas. Eram flores simples, comuns, dos bosques daquela cidadezinha litorânea.
    Arturo ajeitou suas roupas e esperou pelo padre que caminhava. O jovem seminarista não tinha mais que vinte e cinco anos e lembrava bastante o próprio Miguel quando era mais jovem. Estava arrumado, vestido e preparado para a cerimônia fúnebre que se seguiria em breve. O seminarista tomou as mãos do padre nas suas e as beijou.
    Padre Miguel era um homem de bastante idade. A cidadezinha, esquecida no litoral da Espanha, já conhecia esse padre há muito tempo. Realmente muito tempo.
    - Ele parece descansar – disse Arturo contornando o ataúde suspenso por pilares de metal.
    O cadáver pertencia ao padre Malcom Frost. Malcom, fugido da Alemanha, Malcom suposto bruxo, suposto traidor da Igreja. Nada fora provado. Malcom oficialmente era um padre fugido da Alemanha ajudando a esconder refugiados de guerra. Estava velho, cansado, mas ninguém esperava que fosse morrer durante um assalto, durante um assalto na sua casa.
    - Sim – disse o padre Miguel com a voz gasta – agora finalmente. Todos os boatos não serão mais ditos e sua credibilidade não será mais posta em cheque. Era um bom padre. Acompanhava-me em todas as atividades, embora o reumatismo também o fizesse.
    O padre Miguel deu uma volta ao redor do caixão, como se inspecionasse tudo. Em breve as pessoas iriam chegar. Eram poucas, mas verdadeiros fiéis. Durante todo esse tempo o povo da cidade nunca se deixou abater pelos boatos que vieram com o padre Frost. Padre sujo. Nazista. Bruxo. Diziam que arrancavam os corações dos fiéis durante a confissão para depois substituí-los por corações de demônios.
    Padre Miguel sorriu. Era impossível arrancar o coração de uma pessoa sem ao menos fazer uma sujeira incrível. Sem contar os gritos, é claro. Mas diziam que o padre tinha pacto com o demônio, por ter ajudado os nazistas. Ao contrário. O padre fugiu de uma cidade alemã.. Bern... Bern... alguma coisa com Bern. Ele fugira trazendo refugiados.
    É verdade que o padre fora a julgamento, mas alguns dos arcebispos alemães afirmaram serem provas plantadas. E plantadas ou não, Malcolm Frost foi inocentado. Nestes pensamentos, Arturo e Miguel começaram a caminhar em silêncio rumo a porta da pequena capela.
    As poucas pessoas foram chegando e entrando. Umas beatas e um ou outro pescador. O padre Miguel achou melhor se dirigir a sacristia enquanto Arturo recebia as pessoas. Se tivesse sido observador, teria notado um homem de terno, parado embaixo de uma arvore. Obviamente era fora da capacidade do padre, mas se ele enxergasse dentro do bolso do homem, veria um distintivo da Interpol.
    Foi Arturo que viu o homem parado, olhando enigmaticamente para a igreja. Fixou o olhar, permitiu que o homem percebesse que era visto. Seria mais um curioso que atribuía a Malcolm o rótulo de nazista? O homem foi se aproximando da igreja. Ao ficar a três metros da igreja, exibiu o distintivo ao seminarista.
    - Quando a celebração terminar, peça ao padre para falar comigo. Estarei esperando aqui fora.
    E voltou calmamente para debaixo da árvore. Arturo correu para dentro da igreja.
    Quando a cerimônia terminou, o padre Miguel veio com bastante urgência até a porta da igreja. O seminarista apontou para o homem, que continuava embaixo da arvore, só que desta vez sem o paletó. Ao ver o padre, o estranho caminhou até ele e falou num espanhol cheio de sotaques:
    - Lamento pelo seu amigo, padre. Só quero deixar umas recomendações.
    O padre conduziu o estranho para a sacristia. Enquanto caminhavam pela igreja, as beatas começavam a reza do terço, enquanto alguns aldeões lacravam o caixão. Ele ia ser enterrado no cemitério municipal. O agente da Interpol fez o sinal da cruz ao entrar na Igreja e uma pequena reverencia ao passarem pelo ataúde. O padre abriu a sacristia e deixou que Arturo e o policial entrassem primeiro. Depois serviu vinho para os três.
    - Em que posso ajudá-lo, senhor?
    - Padre, você já deve ter ouvido boatos referentes ao nosso amigo – o padre fez menção de responder, mas o homem ergueu a mão pedido pra não ser interrompido. As palavras morreram na boca do padre – Devo dizer que boa parte deles são verdadeiros. Seu amigo trabalhou para os nazistas, mas contra sua vontade. Esse foi talvez o motivo pelo qual ele tenha fugido, ainda mais com refugiados. Não cabe a mim ou a alguém nesta sala julgá-lo inocente, o tribunal o inocentou e isso é suficiente.
    O policial bebeu um gole do vinho.
    - O filho de Malcolm Frost, Adrian Frost, está indo para o Brasil para a Conferência de Bispos Brasil-Espanha. Devido a uma promessa de um dos bispos, estão indo de navio e vão celebrar uma missa em alto-mar. Um telegrama foi expedido esta tarde para ele, portanto deve estar recebendo a noticia da morte do pai em breve. Por favor, evitem ligar para ele.
    O padre assentiu com a cabeça:
    - Foi mesmo um assalto, senhor?
    - Foi latrocínio. Invadiram a casa dele, vasculharam tudo. Ele dormia, acordou e foi abordado pelos ladrões. O assassinaram na sala. O padre possuía pouco dinheiro, e o pouco que tinha foi deixado intacto. A perícia descobriu depois que poucas coisas foram roubadas.
    - E por que a Interpol?
    - Acredita-se que um dos assassinos seja um terrorista procurado, responsável por terror psicológico na Grécia e Europa Oriental. E agora estão indo para o Brasil. Por isso pedimos que não liguem para Ian Frost de modo nenhum. Nada. Não piorem a situação.
    O estranho terminou de beber e se levantou, vestindo o paletó. O padre e o seminarista se levantaram também. O estranho fez um gesto com a mão:
    - Não se incomodem. Eu conheço a saída.
    - Senhor... – começou o seminarista
    - Gonçalves. Sou português – disse o agente revelando o seu sotaque
    - Senhor Gonçalves – continuou o seminarista – o senhor disse que poucas coisas foram levadas. O que foi roubado?
    - Apenas uma caixa velha de madeira e uma pasta de documentos antigos.
    O agente saiu da sacristia, deixando o seminarista e o padre com seus afazeres.

  • #2
    Caso eu obtenha a aprovação dos meus caros amigos do fórum, postarei o primeiro capítulo.

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    • #3
      Considerarei o silêncio uma negativa.

      TKS.

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      • #4
        kahel, suas histórias são bem vindas =^^=
        "sem inspiração para uma nova assinatura"

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        • #5
          Sendo bem sincero, não me empolgou muito não. Mas se já tiver a próxima parte pronta, posta aí, ué, não custa nada, talvez a leitura fique mais envolvente na próxima parte.
          ùltima Leitura: Razoável
          sigpic
          Mister No #6 (RECORD)

          http://www.tumblr.com/blog/ultimaleitura

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