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O Homem de 100 Mil Anos.

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  • O Homem de 100 Mil Anos.

    Eu tenho 100 mil anos. Talvez mais, talvez menos.

    Eu já havia nascido neste mundo muitas vezes antes de chegar àquela que considero minha primeira tribo.
    Éramos uma tribo comum para a época. Tínhamos um sistema hierárquico planificado. Todos os indivíduos eram iguais. Todos eram caçadores, todos eram plantadores e colheitadores. Todos eram guerreiros e todos viviam em paz. Pois todos eram pais e mães de todos.
    Não tínhamos deidades. Acreditávamos em nós, na nossa amizade e dela obtínhamos união.
    Temíamos as intempéries e as demonstrações de força da Natureza, mas não creditávamos à elas razões e inteligência próprias.
    Morávamos em cabanas facilmente montáveis quando era preciso pois éramos um povo nômade.
    Vivíamos num estado de irmandade quase plena. Apenas tínhamos na figura de nosso Sábio, nosso Líder, o firmamento de nossas convicções. O socorro quando surgia alguma indagação ou aonde podíamos buscar aconselhamentos dos mais diversos.
    Nós o chamávamos de Pai. E ele, naturalmente, tinha inúmeras mães, irmãs, filhas e filhos.

    Eu era um de seus filhos.
    Por razões que não cabem por hora comentar, fui encarregado, ainda na infância, de zelar pela Palavra. Não tínhamos escrita. Nossas histórias, nossos feitos e nossa lembrança eram passadas para o Detentor da Palavra. Pois se cada membro de nossa tribo tinha uma função do qual se destacava, a minha era a de manter na memória aquilo que deveria ser guardado e consultado.
    Desde pequeno tive um treinamento especial dado pelo Pai e pelos meus irmãos mais velhos que me fizesse lembrar quase tudo: receitas e ervas especiais, cuidado com os bichos, materiais que serviam para fazer fogo, armas, nome das estrelas e o começo de nosso povo.
    Não tínhamos escola pois viver entre todos nós era toda a escola que precisávamos.
    Portanto, aprendi de tudo. Mas principalmente conheci de tudo. Das pedras do chão ao movimento das estrelas no céu. Das alegrias do nascimento ao pranto da morte. Da serenidade ao desespero.
    Convivi com cada membro de nossa tribo. Aprendi como ser essa pessoa. O que a fazia ser quem era. O que ela gostava e desgostava, o que ela queria ou detestava, como ela vivia e como ela era embalada para o despir da Morte.

    Quando fiquei adulto, já com 13 anos, eu era um membro pleno e completo de nossa tribo. Era hora de encontrar uma esposa e formar meu núcleo dentro do núcleo e, assim, passar para meus herdeiros nosso legado.
    O Pai, bastante feliz e orgulhoso, ajudou-me a escolher uma esposa mas, principalmente, me ensinou como identificar o amor que eu sentia por ela mas que, pela minha impetuosidade natural da idade, eu estava confuso demais para entender.

    Casei-me numa ocasião bastante propícia: o céu estava calmo e sem mudanças. Os animais peçonhentos e agressivos cessaram seus ataques. Havia muitas fontes de alimentos e a água era farta e abundante, vinda de um grande rio de águas claras e mansas. A colheita de arroz foi adequada e, com as sobras, fizemos trocas com outras tribos e obtivemos animais para a tração e nosso sustento.

    Minha esposa era minha melhor amiga entre as mulheres. Era uma pessoa trabalhadora e persistente. Doce ao conversar, sábia ao pensar, cordial em todos os sentidos. Ela me amava muito e eu à ela e, graças a esse amor, tivemos dois filhos.

    Porém um dia, sem aviso, fomos atacados por uma tribo. Por sermos todos guerreiros, nos defendemos como podíamos. Mas os atacantes eram em maior número e nossa tribo foi dizimada.

    Naquele dia, eu estava com o Pai. Ao sinal do ataque, fomos à batalha.
    Lutamos tanto quanto pudemos mas a selvageria, a loucura e a sede de sangue do inimigo eram maiores. Não éramos páreo para eles e nossos homens e mulheres foram caindo um a um.

    As poucas mulheres sobreviventes foram seviciadas e vendidas como escravas.
    Os idosos, mortos.
    E as crianças... Direi que foram mortas.

    Eu estava pronto para deixar este mundo pois presenciei minha esposa e filhos trucidados. Aquela cena para sempre me perseguiria e eu não poderia viver com tamanha dor. Era melhor morrer em combate, como pregava os ensinamentos de nosso povo.

    Mas o Pai tinha outros planos para mim.
    Pouco antes do fim chegar, já bastante ferido, no meio da confusão da luta, nosso Pai se chegou a mim e ordenou que eu fugisse com ele. Era algo impensável em todos os sentidos pois ele mesmo estava à beira da morte. Mas diante de sua insistência, obedeci.
    Pegamos uma trilha escondida e longe dos olhos do inimigo e mergulhamos na mata densa.

    Caminhamos tanto quanto o estado precário de meu Pai permitia. Parávamos de vez em quando para beber água e ele trocar as folhas medicinais que cobriam seu ferimento, mas nós dois sabíamos que seu destino já estava definido.

    Ao nascer do sol, após uma noite de agonia piorada por estarmos sempre caminhando, o Pai sentiu que seu momento derradeiro havia chegado.
    Ele me pediu para encosta-lo em uma grande árvore que você conhece como baobá.
    Deixou de lado sua lança, bebeu um último gole de água e me pediu para sentar ao seu lado.

    Ele me pediu e tirei do salto de sua sandalia um pergaminho feito de pele de animal, enrolado em um tubinho de ouro. Li as letras estranhas e antigas escritas de maneira desconexa. Eu aprendera aquele alfabeto recentemente e entendi de imediato seu significado.
    Olhei de volta para o Pai e ele, já a beira da morte, me mandou usar daquela magia.

    Implorei para que ele a usasse em si, pois ele era mais digno e honrado do que eu jamais seria. Mas no intervalo em que eu implorava essas palavras, meu Pai soltou seu último suspiro e deixou este mundo para sempre.

    Eu não soube onde ele conseguira aquele pergaminho.
    Haviam lendas que diziam existir bruxos e feiticeiros poderosos e de conhecimento avançado que controlavam o tempo, o mundo e tudo o que a natureza mostrava e escondia. Eram histórias macabras sobre deuses esquecidos, templos perdidos e criaturas que foram sendo dissolvidas pelo desinteresse e pelo ódio das pessoas.
    Talvez aquele pergaminho tenha sido a causa da destruição de nossa tribo. Talvez meu Pai, sempre bondoso e justo, havia guardado para alguém aquele segredo esperando um retorno que não acontecera.
    Não sei.
    A verdade é que estavam acontecendo coisas que eu não compreendia mas que, naquele momento em que o corpo de meu Pai perdia a cor e se tornava lívido, em minhas mãos jazia algo que poderia mudar... Tudo.

    Não havia tempo. Peguei da água de meu Pai, juntei-a com a minha e com meus prantos, e avancei mais ainda em nossa rota.

    Um dia e meio depois de longa e difícil caminhada, pois eu tratava de apagar meus rastros, cheguei à base de um morro de pedra, na entrada do Deserto do Fogo. Meus olhos ardiam, minha pele queimava devido ao calor e ao seco, meus ossos doíam e meu corpo estava exausto. Eu precisava descansar e chorar os mortos, mas minha curiosidade para com o pergaminho era maior que qualquer sofrimento, que qualquer dor que eu sentia.
    Subi o morro e entrei na sua única caverna.
    Pensei em dormir, descansar, beber dos fios de água que escorriam das paredes e que pingavam do teto, comer dos deliciosos cogumelos brancos que brotavam mais ao fundo, qualquer coisa de conforto mas...

    Deitado no chão pedregoso e molhado, debaixo de ninhos aonde passarinhos assustados cobriam suas crias, com os dedos doloridos e machucados, abri o pergaminho.
    Quase desmaiando, decifrei com uma certa facilidade seu enigma e comecei a dizer, em voz alta, o real significado de suas palavras.

    Em alguns decênios depois eu entendi, ainda que brevemente, o que fazia o pergaminho. Ele era um deslocador e isolador de consciência.

    Naquela caverna isolada no meio do mundo, eu aprendi o segredo de como burlar a morte, de como reviver sem perder a memória e como viver para sempre.

    Assim, a custa do sangue de todos os que amei, eu hoje sou o homem de 100 mil anos.
    "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

  • #2


    Beijokas

    Canibal
    PROTOCOLO: A ORDEM foi impressa e está sendo vendida. APENAS ACEITEM!!!

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    • #3
      Desconheço completamente o personagem que você cita, Augusto.

      Porém, as idéias que eu uso não são novas.

      A abordagem é que é diferente.
      "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

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      • #4




        Beijokas

        Canibal
        PROTOCOLO: A ORDEM foi impressa e está sendo vendida. APENAS ACEITEM!!!

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        • #5
          Ah, que lindo.
          No afã de mostrar seu "vasto" conhecimento, você apresenta alguns correlatos uma das temáticas que meu pequeno texto aborda: imortalidade.

          Porém, no texto eu não disse que o personagem é imortal.
          Eu disse, sim, que ele tem 100.000 anos. Ou seja, ele é longevo. Mas não imortal.

          Na verdade eu apresento um detalhe bem interessante e que os personagens que você cita, Augusto, nem de longe abordam:

          Em alguns decênios depois eu entendi, ainda que brevemente, o que fazia o pergaminho. Ele era um deslocador e isolador de consciência.
          Diferente do Savage que ganhou imortalidade pela força de um meteorito, ou do McCloud que nasceu Higlhander sem motivo algum (o outro eu não sei quem é), apresento, de maneira superficial mas definitiva, a chave-mestra que abre uma série de possibilidades muito maiores.

          É que normalmente os leitores e fãs de quadrinhos tem a tendência de limitarem a compreensão de um personagem a meros referenciais daquilo que leram antes. O que é normal.
          Porém, quem tem uma mente ligeiramente mais afiada, deixa de lado esse vício cartesiano antiquado e analiza o que a história tem a oferecer de novo.

          Como eu disse, não há nada de novo.
          O que é diferente é a abordagem e é essa premissa que se deve ter ao ler um texto...
          Digamos, de minha autoria.

          Mesmo porque se perde um tempo precioso ao buscar comparações em seu banco de lembranças e torna seu e o meu acesso a este tópico uma inutilidade.
          "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

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          • #6
            os erro de portugues irritam nessa historia e nao da vontade de ler
            Giovanni Giorgio

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            • #7
              Tem erros de português e algumas passagens confusas que mereceriam uma revisada, mas eu gostei do texto.

              Mas me explica aí o porquê do pergaminho.
              "A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte"
              - M. Ghandi -

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              • #8
                Postado originalmente por Guiguito
                Tem erros de português e algumas passagens confusas que mereceriam uma revisada, mas eu gostei do texto.
                Detalhes, detalhes!
                A medida que eu for relendo eu arrumo as mancadas pois eu escrevi a história enquanto a idéia estava fresca. Se eu demorar demais, a idéia desmancha.

                E vocês se apegam a besteiras e deixam passar o que mais importa: a idéia, senhores!
                A idéia!
                Mas me explica aí o porquê do pergaminho.
                O pergaminho era um "encantamento".
                Uma relíquia que fazia parte de um cerimonial antigo de uma civilização bastante avançada e que cultuava seres que habitam os corpos humanos, tomando o lugar de seus hospedeiros originais.
                Ou seja, suas almas.
                A idéia que tive é que esse pergaminho é parte de um conjunto de encantamentos que, primeiro, retiravam a alma da pessoa, colocando no lugar o ser que desejasse habitar este mundo.
                Na segunda parte, a alma humana era aprisionada ou mesmo utilizada em propósitos não muito éticos.
                E na terceira, após o ser dimensional estar no corpo, ele passava a fazer parte de uma congregação que visava implementar seu governo neste mundo.

                Ao que tudo indica, esse ritual se perdeu e esse pergaminho rodou por aí até que um homem de estudo o encontrou.

                Daí em diante eu não pensei em nada mas basicamente temos a base de uma história de aventuras: um personagem comum que é agraciado com um dom (e não com um poder) que foi roubado de alguém.
                Agora, esse alguém, e demais interessados, estão vindo atrás de quem afanou o esquema, cabendo ao personagem principal tratar de se proteger.
                "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

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                • #9
                  entao arruma e publica depois, senao fica sempre a imagem de historia porca e cagada e quem ja leu a primeira versao nao tem mais vontade de ler.
                  Giovanni Giorgio

                  Comment


                  • #10
                    Adorei o texto! Viajei demais nele...

                    Foi você quem escreveu, BK?! Incrível...

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                    • #11
                      Paulo Coelho ficaria intrigado...

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                      • #12
                        Postado originalmente por Lovecraft
                        entao arruma e publica depois, senao fica sempre a imagem de historia porca e cagada e quem ja leu a primeira versao nao tem mais vontade de ler.
                        Ah, vá se foder, cara!
                        Fica se atendo a essas besteiras, esses detalhezinhos ridículos...
                        Ao mesmo tempo que nem você escreve qualquer merda e, quando escreve, erra mais que eu!
                        Porra, se liga, cara!
                        Quer criticar alguém, critica.
                        Mas critica pelo conteúdo e não pela forma.
                        Gaúcho xarope.
                        Postado originalmente por Fernanda
                        Adorei o texto! Viajei demais nele...

                        Foi você quem escreveu, BK?! Incrível...
                        Pois é, Fernanda. Fui eu quem escrevi, sim.
                        Bacana, não?
                        Eu ainda tenho cá alguns talentos...

                        Não escrevi nada de novo, nada de inédito, como o sagaz Canibal e sua inteligência a toda prova pode constatar em sua comparação brilhante.

                        Porém, o que pega é a abordagem. O que o maluco quer dizer.

                        Neguinho perde muito tempo com essas coisas de português, desenho, imagem e esquece de tentar compreender a proposta do cara.

                        Não que este personagem seja bom ou ruim.
                        Mas ele pode ser ótimo dependendo do que o autor tem a dizer.
                        "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

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                        • #13
                          Você está completamente enganado, Bk.

                          O Lovecraft está cobertíssimo de razão: se o cara não domina a escrita, se ele não fundamenta sua idéia numa construção de palavras corretas, ele está com uma falha de pensamento lógico e construtivo.
                          O que significa que lá no fundo, a idéia dele já está comprometida.

                          E é mais vergonhoso ainda que você abra mão da ortografia por motivos díspares e malucos como "ah, isso não importa".

                          Você fez 8, 10, 15, 20 anos de escola e praticamente toda sua vida você escreveu. E mesmo hoje você escreve.

                          Logo, você tem por obrigação ter um bom domínio sobre a ortografia.
                          Se você não domina isso, no mínimo é uma vergonha para si mesmo como pessoa...

                          Um escritor que escreve tão errado? Complicado assim, heim?

                          Escrever é roteirizar.
                          Escrever é o resultado do pensar.
                          E quem escreve errado é porque já está pensando errado.

                          Enfim, é isso.

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                          • #14
                            Quer ler, lê.
                            Não quer ler, não lê.
                            O texto é esse e pau no cu de todos vocês.
                            Querem comentar a bagaça, beleza.
                            Querem desvirtuar o tópico e perder tempo com essa eterna mania de ficar fazendo showzinho de marica, eu peço pra trancar essa porra.
                            Decidam-se.
                            "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

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                            • #15
                              Despertou o meu interesse sim, mas eu não entendi muito bem o que você quis dizer no seu ponto central.

                              O maior problema que eu tive para compreender foi o uso que você fez de conceitos como consciência e alma. O que quer dizer isso de isolar a consciência? E isso de tirar a alma e colocar um ser dimensional no lugar?

                              E como tudo isso pode ser usado como um truque para enganar a morte? Não entendi, porque a morte é um fenômeno físico e não sei como pode ser burlado pela manipulação da consciência ou da alma.

                              Esses pontos estão confusos pra mim.

                              Agora quanto às questões formais, só uma coisa que me chamou a atenção. O texto postado tem algumas partes confusas e não flui bem. Mas quando você postou para responder as críticas, seu texto se apresentou muito melhor, mais claro, direto e fluido. Não sei porque, mas acho que deveria escrever sempre deste modo.
                              http://cenini.blogspot.com/

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