Anúncio

Collapse
No announcement yet.

Temas de Roteiros

Collapse
X
 
  • Filter
  • Hora
  • Show
Clear All
new posts

  • Temas de Roteiros

    Este são alguns temas de roteiros para sua pesquisa e desenvolvimento de idéias.
    Espero que lhe seja útil e lhe ajude a pensar melhor suas histórias ou que lhe sirva como um bom exercício mental.

    Distopia: Um enredo comum de distopia (anti-utopia) é o de um sujeito que se propõe a questionar o local onde vive:
    "A civilização da Terra alcançou seu cúmulo de progresso, mas às custas do ser humano. Coisas antes tão comuns, como X ou Y, agora são proibidas por causa do governo/da guerra/da sociedade..." (tema explorado por Aldous Huxley em "Admirável Mundo Novo" e por George Orwell em "1984").

    Cotidiano: mescla-se fatos reais, ou ao menos comuns de acontecer com um ser humano, com uma visão mais sutil e menos comum.
    "Acordar. Tomar café. Escovar os dentes. As coisas já estavam programadas nele, era como um robô. Até que, um belo dia..." (tema explorado por Clarice Lispector, Luis Fernando Veríssimo, entre outros).

    Ficção científica: Tecnologia, ciência (nem sempre coerente), aliens que entram em contato com humanos, viagens no tempo, supermonstros feitos por engenharia genética, imortalidade, invisibilidade... FC é um tema que permite livre criatividade, mas pode acabar caindo em viagem na maionese.
    "Finalmente, eles conseguiram. Foi batizada de Xyz, pois com ela, seria possível..." (Guerra nas Estrelas não é FC, é fantasia que se faz usar de elementos da FC).

    Ficção histórica: tá em moda hoje em dia. Lugares reais, citação de personagens reais, e fatos que poderiam acontecer.
    "Brasil, 26 de outubro de 2006. A cidade de Xyz em chamas, devido à..." (O Código da Vinci, de Dan Brown, ou assista Em Nome da Rosa.)

    Realismo Fantástico: muito raro de ser encontrado hoje em dia, o R.F. pega uma situação comum e a eleva à parâmetros que beira a insanidade e a falta de sentido.
    "Seu amor por ela era tão imenso quanto o corpo de sua amada, que rolava pesado pelas paredes do navio. Ela lhe pediu a Lua e ele foi buscar).

    Super herói:talvez seja a mais fácil e baixa forma de expressão de roteiro, de tanto que foi explorada: pessoa comum ou imagem do ser humano que se eleva à categoria de semi-deus, passando a lutar contra as forças malignas.
    Seu oposto é o anti-herói, que pode ser um cara bom mas que não possui os valores éticos e morais do herói (o herói pensa nos outros, o anti-herói pensa mais em si; é o famoso "alinhamento de personalidade").

    RPG: igualmente fácil de trabalhar em termos de roteiro, o RPG basicamente reúne um ou mais personagens de um universo mágico, semi-medieval, tecnológico ou a soma de ambos (?), que decide ir em busca de alguma coisa (prêmio, resgate, etc).
    No meio da viagem (ou missão, ou "quest") ha forças contrárias que tentam lhe(s) impedir de prosseguir.
    RPG é essencialmente uma aventura com começo, meio e fim bastante claros e sem muitas surpresas.

    Terror: este é um dos mais ricos e complicados temas para se criar roteiro. Em sua essência ele lida com o confronto do ser humano com seus medos, horrores e temores dos mais diversos. Sua proposta é induzir o medo no leitor, revelando-lhe surpresas ou situações de incômodo emotivo.
    "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

  • #2
    bom tópico.
    não é atribuída a shakespeare a idéia de que só existem 7 tipos fundamentais de histórias e tudo é uma variação a partir disso?
    acho que combinando esses dois elementos básicos [ temas e estruturas narrativas ] com coerência é meio caminho andado pra um bom roteiro.

    Comment


    • #3
      Postado originalmente por daneletro
      bom tópico.
      não é atribuída a shakespeare a idéia de que só existem 7 tipos fundamentais de histórias e tudo é uma variação a partir disso?
      acho que combinando esses dois elementos básicos [ temas e estruturas narrativas ] com coerência é meio caminho andado pra um bom roteiro.
      Sem dúvida. Se bem que Shakespeare era teatrólogo e não escrevia livros, mas a premissa é válida.

      Realmente, todo roteiro é, basicamente, tema e estrutura narrativa.
      Simples, né?
      Pelo contrário! É aí que o bicho pega!

      O tema é tremendamente complexo e a estrutura narrativa é mais complexa ainda.
      E em ambos ha uma imensa quantidade de elementos a serem manuseados e apresentados ao leitor.

      A dificuldade que se tem em se trabalhar com uma HQ é que se despreza o mais básico do básico, algo que está além da simples aparência: contar uma história.
      É impressionante mas meio que se perdeu, ou talvez nunca se tenha sabido, como fazer para se escrever uma história agradável, interessante, não necessariamente inteligente e nem muito menos "nova/diferente" mas que funcione, de maneira simples, franca e direta.

      O estudo dos estilos de roteiro (leia-se histórias) serve para isso, para que nós, que escrevemos, possamos direcionar nosso trabalho não apenas a um tema que nós gostamos.

      Mas a um tema que nos desafie.

      É fácil escrever sobre o que se gosta ou o que se sabe.
      Difícil é escrever sobre o que se detesta ou o que NÃO se sabe.
      "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

      Comment


      • #4
        O Jorge Luis Borges simplicou tudo em 4 temas:

        Uma história de amor entre 2 pessoas.
        Uma história de amor entre 3 pessoas. (óia! :P)
        Luta pelo poder.
        Uma viagem.
        É fácil quando se sabe.

        Comment


        • #5
          Postado originalmente por Rodolfo
          O Jorge Luis Borges simplicou tudo em 4 temas:

          Uma história de amor entre 2 pessoas.
          Uma história de amor entre 3 pessoas. (óia! :P)
          Luta pelo poder.
          Uma viagem.
          Borges era um gozador.
          "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

          Comment


          • #6
            Postado originalmente por Rodolfo
            O Jorge Luis Borges simplicou tudo em 4 temas:

            Uma história de amor entre 2 pessoas.
            Uma história de amor entre 3 pessoas. (óia! :P)
            Luta pelo poder.
            Uma viagem.
            Apesar do Borges ter simplificado galhofeiramente a questão, sempre tem um ou outro estudioso debruçado sobre o assunto.
            Joseph Campbel nunca foi roteirista ,e sua preocupação era mesmo mitologia comparativa. Mas sua estrutura básica da Aventura do herói , influenciou muitos escritores e cineastas, incluindo o escritor e roteirista Christopher Vogler, que lançou um livro que se tornou uma espécie de manual de Hollywood (para bem ou para o mal)

            O Frances Georges Polt em 1895 também criou uma lista de 36 situações dramáticas
            http://en.wikipedia.org/wiki/The_Thi...c_Situationss.

            [hide:6891e30aeb](1) Implorar; (2) o Salvador; (3) a Vingança que persegue o crime; (4) Vingar parente por parente; (5) Acuado; (6) Desastre; (7) Vítima de; (8) Revolta; (9) Tentativa audaciosa; (10) Rapto; (11) o Enigma; (12) Conseguir; (13) Ódio de parentes; (14) Rivalidade com parentes; (15) Adultério mortal; (16) Loucura; (17) Imprudência fatal; (18) Crime de amor involuntário; (19) Matar um parente ignorado; (20) Sacrificar-se pelo ideal; (21) Sacrificar-se pelos parentes; (22) Sacrificar tudo pela paixão; (23) Ter que sacrificar a família; (24) Rivalidade entre desiguais; (25) Adultério; (26) Crimes de amor; (27) Ser informado da desonra de um ser amado; (28) Amores proibidos; (29) Amar um inimigo; (30) a Ambição; (31) Luta contra Deus; (32) Ciúme equivocado; (33) Erro judiciário; (34) Remorso; (35) Reencontrar; (36) Perder a família.
            [/hide:6891e30aeb]

            Uma mídia industrial como os quadrinhos dificilmente pode prescindir totalmente de estruturas que facilitem a vida de produtores.
            Há sempre o perigo de cair na massificação, tantas vezes vista no cinemão americano, assim como no clichezismos de certos mangás para garotos do tipo" herois apanham, treinam, ficam mais fortes e vencem, apanham de novo, treinam..."

            Mas isso é problema de lá , que tem uma industria pesada , a vomitar zilhões de narrativas por minuto sobre as mentes do globo. E mesmo lá , surge coisa , feita por quem usa essas mesmas estruturas, como são, virando-as do avesso, ou mesmo por contraponto, questionando-as e fugindo delas. Mesmo assim são um ponto de referência.

            Aqui parece não existir escolas , apenas modas. O Brasil queima etapas , passa da era do telefone de barbante em copinho de plástico, pra banda larga sem fio, mas não passamos totalmente, e pior, sem saber como exatamente chegamos onde estamos, pois somos um país do agora, do eterno presente.

            O tópico tem potencial pra ser bem interessante, mas acho que deveria se aprofundar mais em cada item, como o terror por exemplo. Realmente é um dos gêneros mais ricos, tem uma certa tradição (ou teve) no Brasil, talvez devido a espiritualidade do nosso povo. Mas foi o que , apesar de gozar certa boa fase, mingou, se estagnou, foi pras picas.

            Também podia falar sobre " plots" crássicos, daqueles que se encontram tanto em histórias de aventura, ação, terror...etc,etc...

            Comment


            • #7
              [hide:6b3317f878](1) Implorar; (2) o Salvador; (3) a Vingança que persegue o crime; (4) Vingar parente por parente; (5) Acuado; (6) Desastre; (7) Vítima de; (8) Revolta; (9) Tentativa audaciosa; (10) Rapto; (11) o Enigma; (12) Conseguir; (13) Ódio de parentes; (14) Rivalidade com parentes; (15) Adultério mortal; (16) Loucura; (17) Imprudência fatal; (18) Crime de amor involuntário; (19) Matar um parente ignorado; (20) Sacrificar-se pelo ideal; (21) Sacrificar-se pelos parentes; (22) Sacrificar tudo pela paixão; (23) Ter que sacrificar a família; (24) Rivalidade entre desiguais; (25) Adultério; (26) Crimes de amor; (27) Ser informado da desonra de um ser amado; (28) Amores proibidos; (29) Amar um inimigo; (30) a Ambição; (31) Luta contra Deus; (32) Ciúme equivocado; (33) Erro judiciário; (34) Remorso; (35) Reencontrar; (36) Perder a família.
              [/hide:6b3317f878]
              Acho difícil sintetizar tanta situação mas...
              Mas isso é problema de lá , que tem uma industria pesada , a vomitar zilhões de narrativas por minuto sobre as mentes do globo. E mesmo lá , surge coisa , feita por quem usa essas mesmas estruturas, como são, virando-as do avesso, ou mesmo por contraponto, questionando-as e fugindo delas. Mesmo assim são um ponto de referência.
              Que a indústria tem a tendência de criar uma "blocagem" criativa, instituindo moldes de adequação criativa e exigindo que os roteiros caibam sempre num mesmo jeitão, isso é facilmente detectável por qualquer um que leia o que vem sendo produzido em termos de quadrinhos gringos.

              Mas nem por isso deve-se jogar fora o molde e partir pro 8 ou 80: ou se segue o esquemão burro de sempre, ou se parte pra despirocada autoral quase sempre sem sentido.

              O ideal é o meio-termo que pode até misturar os dois e, claro, tentando se abordar o tema de maneira minimamente criativa, senão diferente.
              Aqui parece não existir escolas , apenas modas.
              Leia-se "plágio".
              O Brasil queima etapas , passa da era do telefone de barbante em copinho de plástico, pra banda larga sem fio, mas não passamos totalmente, e pior, sem saber como exatamente chegamos onde estamos, pois somos um país do agora, do eterno presente.
              Exato.
              Estamos perdidos e confusos porque estamos sem par, estamos sem ritmo, levados pela imensa maré da produção que rola lá fora e que, ao desembocar aqui, acaba por sufocando as alternativas locais.

              Mas eu não digo que a gente não sabe fazer.
              Sabe, sim.
              É que não temos estrutura mesmo, carecemos de escola criativa como você disse e, daí, seguimos o modismo que nos é imposto.

              E essa maré só se inverte quando o autor ROMPE com o convencionalismo e trata de, primeiro, "comer" a tralha que lhe é passada pra, depois, "vomitar" tudo e, no processo, acrescentar uma boa parte de sua "bile" pessoal.

              Mas, de novo, caímos na falta de escola. De compreensão de todo o processo criativo que envolve o roteiro.
              Nem é só questão de técnica mas, sim, de compreensão do OBJETIVO do roteiro.

              Estamos macaqueando, nada mais.
              O tópico tem potencial pra ser bem interessante, mas acho que deveria se aprofundar mais em cada item, como o terror por exemplo. Realmente é um dos gêneros mais ricos, tem uma certa tradição (ou teve) no Brasil, talvez devido a espiritualidade do nosso povo. Mas foi o que , apesar de gozar certa boa fase, mingou, se estagnou, foi pras picas.
              Fases.
              A mídia quadrinhos nacional passa por fases de extrema criatividade pra depois cair no mais completo ostracismo e indiferença.

              Temos uma imensa tradição no terror e mesmo no romance mas para que tal produção possa ser estimulada deve-se ter, primeiro, a formação do autor que pode direcionar seu trabalho neste ou naquele segmento.

              Mas a mesma mídia que floresce a criatividade é a mesma que massacra, exatamente pela imensa quantidade de material que aqui chega. Material demais deixa o autor bitolado pois a função da massificação não é criar autores mas, sim, incentivar consumidores!
              Se o autor consegue se sobressair ele carrega uma imensa carga dessa bitolação e não consegue sair dela, como é o caso da rapaziada que expõem seus desenhos aqui e a gente percebe que são mangazeiros, marvetes ou hobbistas.

              Eles não se vêem como autores, nem como artistas, no máximo se imaginam como "técnicos".
              Também podia falar sobre " plots" crássicos, daqueles que se encontram tanto em histórias de aventura, ação, terror...etc,etc...
              Vambora, uai!
              Eu já fiz um pouco, farei mais! Mas espero que os senhores também colaborem com suas opiniões ou resenhas.
              "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

              Comment


              • #8
                Postado originalmente por BK
                Vambora, uai!
                Eu já fiz um pouco, farei mais! Mas espero que os senhores também colaborem com suas opiniões ou resenhas.
                Então lá vai. além dos cenários , acho interessante analisar alguns plots, que neles costumam existir.

                Creio que o plot por excelência é o da busca. No fundo toda aventura acaba se resumindo a uma busca. , seja por fama , fortuna, sabedoria, afeto, reconhecimento, paz interior, aventura, poder, algo indefinível para o herói., e etc...

                Mas como o "plot" da busca é tão vasto e múltiplo , melhor por a lupa em alguns tipos de plots de busca. Então acho pertinente começar por um dos mais básicos, recorrentes e populares. Talvez seja também o mais crivado de clichês , mas ainda sempre funcional e proveitoso, usado inúmeras vezes em todos o gêneros e mídias que é o plot da “ Caça ao tesouro”

                CAÇA AO TESOURO : O tipo mais rotineiro de busca encontrado em histórias de aventuras, mas que também está no cerne de histórias de terror, espionagem, scifi e demais gêneros.
                É bom ressaltar que o sentido de tesouro é variável, não sendo simplesmente o baú cheio de dobrões espanhóis no fundo do galeão afundado.
                Pode ser uma relíquia religiosa, histórica , ou mesmo um objeto mágico, pergaminho místico, planta ou animal raro, a fonte da juventude e uma infinidade de coisas..
                .
                Ele pode ser procurado por grupos diferentes , por motivos diferentes, ou mesmo cada membro de um mesmo grupo pode ter suas próprias razões para estar na busca..
                Para uns é apenas um objeto de grande valor pra ser vendido, mas para outros pode ser um objeto que trará conhecimento científico,ou a chave pra salvar vidas ou uma catástrofe mundial. Pode ser que encontrá-lo restitua a honra e reputação de alguém, e por aí vai.

                Por isso a “Caça ao tesouro” pode perfeitamente se entrelaçar a outros plots como a Busca da Cura ou O Resgate , entre outros.

                Um recurso famoso é o de dividir o mapa do tesouro , ou o próprio tesouro em várias partes. Dificultando a vida dos protagonistas e adversários e prolongando a trama.
                Por isso: “As esferas do dragão só funcionam se tivermos juntado todas as sete” ou “ Só temos metade do mapa, a outra parte está com o vilão”, e assim por diante.
                Lembrando que o plot é sempre uma idéia básica, que pode parecer que vá resultar num mero cliché, sempre é bom lembrar que como ele se desenvolve depende da criatividade do autor.

                Então uma maneira inusitada, divertida e criativa de se repartir o mapa ou o tesouro, sempre enriquecerá o sabor do plot, além de fazer de cada busca por uma parte do quebra-cabeças uma aventura ‘a parte.

                Lembro uma louca comédia de faroeste , onde um cowboy e um samurai ! procuravam o tesouro escondido por um velhaco tarado que dividiu as partes do mapa tatuando-as no traseiro de belas mulheres.

                Outro recurso é a corrida contra o tempo, e nesse sentido temos o tesouro que só se torna “encontrável”(sic) em determinada época e lugar , a cada cem ou mil anos. Outra corrida contra o tempo é aquela onde o tesouro é procurado pelo adversário, um plot que casa bem com o amuleto mágico ou objeto do poder, já que se o tesouro cair em mãos erradas um grande mal se abaterá sobre todos (
                Por ex: O Senhor dos Anéis, Os caçadores da Arca perdida)

                Não precisa ser sempre uma batalha épica que envolva o destino do mundo, podendo ser apenas uma guerra de egos,(dois ilustres cientistas) onde tanto os heróis quanto os adversários lutam pelo pioneirismo da descoberta , sendo que geralmente o opositor o faz de modo pouco ético, e é mais egocêntrico em seus interesses.

                Idéias suplementares que podem acompanhar o “plot” da Caça ao tesouro são:

                • O tesouro é uma lenda, e nem todos os aventureiros do grupo estão certos da sua existência.

                • O tesouro já tem dono, como por ex: é objeto de adoração por nativos.(eventualmente pode-se até tentar uma troca , caso os heróis queiram ser éticos)

                • Plot análogo ao de cima, com complicação moral. Se o tesouro for removido ,os habitantes , ou a flora local será drasticamente prejudicada.

                • Outros já partiram em busca do tesouro, mas nunca retornaram (geralmente por um bom motivo).

                • Nem os aventureiros sabem o que é, ou pra que serve o tesouro (o que pode ser perigoso ou frustrante).

                • O tesouro não passa de um pretexto pro organizador da expedição para procurar outra coisa.

                • O tesouro se perde logo de saída , mas os heróis acabam encontrando outro melhor ,mas que pode mudar a relação entre eles.(quando procurávamos os diamantes do Barba ruiva tudo ia bem, mas agora que descobrimos existir uma garrafa com o elixir da longa vida, nosso guia anda meio sinistro!)

                • Nem todos no grupo procuram o tesouro, pois um espião está infiltrado pra garantir que o mesmo não seja achado.

                • Os heróis encontram o tesouro, mas ficam presos no local onde encontraram, o que reverte a trama para o “plot” da Fuga ou do Naufrago.

                • Os aventureiros vão buscar o tesouro pensando que é uma coisa , quando na verdade é outra totalmente diferente, e que nem parece um tesouro, podendo estar embaixo do nariz deles o tempo todo.

                • Um elemento muito comum no final de uma aventura de caça ao tesouro, que pode se tornar um clichê insuportável, ou uma situação interessante, dependendo da habilidade do roteirista, é fazer o personagem ter que se decidir de última hora em salvar a própria vida , ou a de um amigo/namorada, ou carregar o tesouro. Se a escolha for entre salvar o vilão e o tesouro, maior será a provação aos valores pessoais dos heróis.

                • O tesouro é uma mentira , ou um chamariz, plantado para fazer com que incautos libertem forças malignas que jazem ocultas.

                • O tesouro até existiu, mas já foi encontrado por outros há tempos, ou se deteriorou e perdeu seu valor para os heróis.

                • O tesouro se perde no final da caçada, caindo no abismo, afundando na areia movediça, mas sobra uma compensação ao herói, como novos amigos, um par romântico, outro mapa para um tesouro ainda mais incrível, ou simplesmente uma lição de sabedoria e humildade.

                Se alguém lembrar de mais idéias recorrentes à " Caça ao tesouro"...fala aí...

                Comment


                • #9
                  A Cura

                  Outro “plot” interessante, que pode ser a busca da cura de uma doença ou mesmo de uma maldição.
                  E também a cura tanto do próprio herói como de um ente querido do mesmo, uma figura importante da sociedade, ou mesmo de todo o povo , ou planeta.
                  Num seriado de ficção científica, a terra era contaminada por um vírus alienígena que mataria toda a população em 5 anos.
                  Claro que os heróis partiam pros confins do espaço para encontrar a cura.

                  Com uma idéia similar no anime Patrulha estelar, o sol foi sabotado por alienígenas e iria explodir em um ano (simbolicamente o sol ficou doente). O nave Argo(Yamato) parte em busca da solução (cura) do sol.

                  Um velho Pajé recebe em sonhos a resposta para a seca inclemente e a doença que abate o gado e as pessoas. Ele aponta um herói indicado pelos deuses , que deverá partir atrás da solução do problema.

                  Num motivo muito usado em contos de fada e fantasia, a filha do rei está muito doente , e o soberano oferece grande recompensa e até mesmo a mão da mesma a quem conseguir restabelecer a saúde dela.( o rei poderá acrescentar que os que falharem terão as cabeças descansando em cima de bandejas)

                  A doença nem sempre é fatal, podendo ir da apatia profunda que torna o rei um joguete na mão do mau conselheiro/vizir, até a loucura da rainha e o sono eterno da bela adormecida : )
                  A doença pode ter ordem física, psíquica ou espiritual e a cura pode estar até no próprio doente , ou sua mente.( o que não impede o herói de viajar milhas e milhas antes de descobrir isso: “Oras vejam só, bastava retirar esse espinho cravado atrás do pescoço da princesa! )

                  Talvez a doença seja alimentada por alguém próximo da vítima. O médico que finge curar , mas que só prolonga o mal, a governanta mal intencionada que envenena aos poucos o herdeiro do trono... e por aí vai.
                  A busca não precisa ser por um objeto, fórmula ou erva milagrosa. Pode ser também por uma pessoa, um médico pesquisador, um sábio, eremita, fada, ou mago, que não necessariamente esteja disposto a ajudar, ou que exija do herói algo em troca.

                  O “plot” da Cura não deve ser entendido diretamente com uma doença propriamente dita, mas como a solução de um problema que impede que uma pessoa tenha sua vida normal ,possa causar a morte da mesma ou que prejudique a ordem natural das coisas.

                  Um exemplo seria o astronauta que cai num planeta primitivo. Sua nave é avariada na queda, e ele não consegue fazer a cápsula de animação suspensa, onde está sua noiva/amiga/colega realizar o delicado processo de despertá-la. Como sua nave não foi a única a cair, ele sai em busca de ajuda , primeiro pra salvar o(a) tripulante inanimado(a) ( as baterias do suporte de vida estão pifando), e depois sair do planeta.( é o plot da Cura em companhia do plot do Náufrago)

                  A Busca da Cura também é ótimo sub-plot pra uma aventura com um dos membros do grupo de heróis ficando doente/ferido, ou um aldeão/nativo, requisitando a ajuda do intrépidos viajantes.
                  Já quando partimos para a cura do próprio herói, ou da maldição, temos elementos interessantes.
                  Um lobisomem que busque a cura para seu mal seria o foco de uma série de aventuras. Na verdade o incrível Hulk é um exemplo deste tema, (é interessante notar que no inicio, Baner se transformava no Hulk à noite)

                  No plot da maldição o amaldiçoado tem que arcar com as conseqüências da maldição em si mesmo, e nos que estão ao seu redor.
                  Muitas vezes a maldição também dará alguma vantagem ao protagonista pra
                  superar os obstáculos do caminho(ex:a força do Hulk, a ferocidade do lobisomem)
                  Um elemento que pode acompanhar este tipo de linha é o caçador implacável.

                  Pode ser alguém que devota sua vida a eliminar o mal, e considera o protagonista não uma criatura doente, mas uma ameaça à sociedade.
                  Também poderia ser alguém que procura vingança , pois acredita que o” amaldiçoado”foi responsável pela morte de um ente querido(o que pode ser um engano, ou a pura realidade)

                  Outra opção seria um familiar do monstro , ou cientista/mago responsável pela maldição ou existência da criatura, que se sinta culpado pelos danos causados pelo amaldiçoado , e chegou a conclusão que lhe cabe o dever de elimina-lo.(mesmo que continue a devotar afeição ao amaldiçoado)

                  Enfim , a estrutura do plot maldição tem tudo para virar uma aventura herói errante, bem ao estilo “O fugitivo”,o antigo seriado , ou o filme com Harrison Ford. Não por acaso um seriado que seguia ao pé da letra esse molde era o Hulk dos anos 80 na tv. Quem assistiu deve lembrar de Bill Bixbi pedindo carona no final, ao som do pianinho :P

                  Existem infinidades de elementos dramáticos a ser explorados no plot da cura, como :
                  Se o personagem for curado da maldição, um mal maior se abaterá sobre terceiros (Baner consegue neutralizar o Hulk, com a cura que só funciona uma vez, mas só o Hulk pode deter o monstro que arrasa a cidade, logo Baner decide se volta,ou não,a ser o Hulk)


                  O plot da Cura permite o autor uma ampla variedade de situações , já que é amplo o espectro de males que pode afligir um doente. Pode ser o simples ferimento em combate do parceiro de aventuras, até as intrigas palacianas envolvendo envenenamento, magia negra, ou possessão.
                  Outro ponto interessante é quando o doente pode ou não ser removido.

                  Levar um companheiro debilitado às vezes é uma necessidade, quando a cura não pode ser trazida, ou o doente não pode ser abandonado. Isso já dá pé pra várias situações dramáticas.
                  Claro que grupos de 3 ou mais pode se dividir nas tarefas, o que também divide o drama , ex :
                  “ - Gronk, você fica aqui junto de Tork , tentando abaixar-lhe a febre e mantendo os lobos afastados, enquanto eu atravessarei o desfiladeiro atrás da feiticeira e a obrigarei a fazer um antídoto! “

                  -
                  Se o doente ficar sozinho no local aguardando o herói trazer a cura, quando este chegar poderá ter uma surpresa desagradável.
                  Imagine o astronauta do exemplo passado, encontrando um técnico capaz de consertar a câmara de animação e despertar sua noiva, mas ao retornar para a nave descobre que o veículo (com sua noiva dentro) simplesmente sumiu!!Arrggghhhhh!!
                  No exemplo em que o próprio herói é vitima da doença, ele pode ir sofrendo os efeitos aos poucos, tentando controlar com algum medicamento, mas ir perdendo as força/habilidades gradativamente e chegando quase morto (ou louco furioso) ao final da busca.

                  Idéias que casam com o plot da Cura :

                  • O próprio responsável pela doença/envenenamento é que contrata o serviços do herói na busca da cura.. O Vizir que quer matar o herdeiro pode contratar um herói desavisado, ou convocar um torneio para escolher campeões, tudo com intuito de afastar suspeitas de sua pessoa, e pela crença no fracasso dos heróis, já que a única cura pode estar no bolso do colete deste vilão

                  • O enfermo é na verdade uma entidade maligna, que engana o herói para que lhe traga uma cura que na verdade é só um meio de ampliar seus poderes.

                  • A cura existe , mas seu preço é humanamente alto, sendo que talvez seja preciso sacrificar uma vida para salvar outra., ou muitas.(Ex : Em O Exorcista, os padres acabam se sacrificando para salvar a menina possuída)

                  • Além do fator tempo(quase sempre presente neste tipo de plot) , os ingredientes da cura podem ser vários e estarem espalhados( como o mapa da caça ao tesouro) E o grupo também pode se dividir em busca dos mesmos. E nem todos os heróis podem chegar com o ingrediente, ou mesmo chegar, ao ponto de encontro.

                  • O doente oferece resistência à cura. Pode ser de ordem moral ou religiosa. Ele pode achar que é desígnio dos deuses (e sua tribo pode concordar ), pode achar a cura contra seus princípios,ou pode ser a oposição hostil de alguém mentalmente perturbado pela enfermidade, ou a já citada possessão demoníaca.
                  É até possível uma fuga do doente antes da chegada da cura.

                  • A doença é contagiosa, e provoca reações anti-sociais na comunidade , fazendo que o herói não só corra o risco de contraí-la , como ter de enfrentar o medo e hostilidade da população local, ao procurar abrigo e ajuda.

                  • A cura provoca um novo problema, ou efeito indesejável (Minha noiva se curou da febre púrpura, mas agora não lembra mais de mim !)

                  • Existem dois ou mais doentes, mas a cura só dá para apenas um.

                  Comment


                  • #10
                    (meu teclado esta sem acentos, lamento o incomodo)

                    O que voce citou, Megamano, e basicamente a essencia das aventuras dos herois gregos: ir em busca de algo que faça a redençao do personagem, de alguem que ele ama ou de toda uma civilizaçao.
                    Algo que foi, e e, inclusive usado em quase todas as HQs de RPG atraves das Quests.

                    Basicamente voce cria um clima de ameaça iminente (seja em forma de cataclisma natural ou nao, doença, grande perigo, etc) e a unica esperança esta la na puta que pariu... Mas ninguem tem culhao pra ir catar a bagaça.
                    Dai surge QUEM? O heroi! Oooooh!

                    Porem, creio eu, a HQ gringa deu uma mexida nesse sentido e INVERTEU A EXPECTATIVA (o grande barato das HQs) e deixou o heroi PARADO num lugar...
                    E tascou a jogar nele tudo quanto e tipo de problema ou ameaça.

                    A principal divisao que existem nesses problemas e ameaças e a FIGURA da dita cuja. Sempre tem que ser alguma coisa ou alguem MAIOR que o heroi.

                    A dificuldade maior esta em voce equilibrar a quantidade de "elementos ameaçadores" que vao desafiar o personagem, ao mesmo tempo em que ele tem que lidar com trocentos tipos diferentes de reaçoes dos personagens ao seu redor... E ate consigo mesmo, com suas contextaçoes, duvidas, receios...
                    Os antigos herois nao tinham duvidas: eles eram o que eram e pronto. As duvidas existenciais ou nao foram introduzidas mais recentemente, de tal maneira que raramente voce encontra um heroi que nao "vacile".
                    Heroi grego nao vacilava, heroi moderno tem seu lado "sensivel".
                    "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

                    Comment


                    • #11
                      Postado originalmente por BK

                      Basicamente voce cria um clima de ameaça iminente (seja em forma de cataclisma natural ou nao, doença, grande perigo, etc) e a unica esperança esta la na puta que pariu... Mas ninguem tem culhao pra ir catar a bagaça.
                      Dai surge QUEM? O heroi! Oooooh!

                      Porem, creio eu, a HQ gringa deu uma mexida nesse sentido e INVERTEU A EXPECTATIVA (o grande barato das HQs) e deixou o heroi PARADO num lugar...
                      E tascou a jogar nele tudo quanto e tipo de problema ou ameaça.
                      Realmente interessante, já tinha pensado nisto. O EUA terra das highways e pátria por excelência dos roadmovies, mas no quadrionho de heróis, atualmente, predominam os heróis locais.

                      Pois creio que geralmente dá pra ser dividir o tipo de narrativa em herói local , e o herói errante.
                      Um exemplo seria Sherlok Holmes- herói local e Don Quixote- o errante.

                      Superman , Hulk, Batman, na maioria são herois locais. Não importa se a área de atuação seja Gothan, os EUA, ou o mundo.
                      Pois creio que o que define é a estrutura narrativa, onde o pé na estrada, conhecer e conviver com os costumes , habitando e se integrando ao lugares e percursos é o que faz a história fluir.
                      E não simplesmente dando um super salto, usando um jato, para trocar sopapos com o vilão e voltar.

                      De vez em quando tem arcos de histórias com os heróis locais atuando como andarilhos, mas na maioria o esquema não é esse.
                      Se bem que o Hulk da tv nos anos 80, era um herói errante.
                      Os original nos quadrinhos só ficava no esquema de troca de cenários , numa parte ou outra do deserto, com o Baner sempre na barra da saia da Bety Ross.
                      Mas claro que isso era lá no comecinho da hq, Stan lee e os escambau, já que há muiyto não leio nada do personagem.

                      Mas é interessante notar que em outras culturas o herói errante parece mais presente (Lobo solitário, Tin Tin, Ken Parker, Corto Maltese)
                      Até tem comics assim, como o Conan(mas nem sempre, já que o cenário " matar feiticeiro mau+ salvar gostosa da vez", nem é tão diversificado assim, parecendo que as cidades só mudam de nome) mas não são a maioria não.
                      Os antigos herois nao tinham duvidas: eles eram o que eram e pronto. As duvidas existenciais ou nao foram introduzidas mais recentemente, de tal maneira que raramente voce encontra um heroi que nao "vacile".
                      Heroi grego nao vacilava, heroi moderno tem seu lado "sensivel".
                      Pois é, os gregos pareciam não ter churumelas. Ser herói ou semideus era um estado natural em seus mitos, já que a maioria deles era antiga, forjada por civilização de base aristocrática,estando já bem arraigados antes dos ideais democráticos darem as caras via Atenas.

                      Então são mitos onde a supremacia do melhor, do eleito, favorecido pelos deuses,do sangue nobre, o bem nascido e tal, era algo legítimo, inquestionável.
                      Mal se apontava a ilha onde estava a fera de mil cabeças e o herói já se ia de clava em punho sem nem amarrar as sandálias.

                      Mesmo assim não eram exatamente perfeitos, já que tantos os deuses quantos os heróis tinham falhas de caráter e eram levados por paixões, as vezes mesquinhas.
                      Pode-se dizer que realmente não havia titubeios, vacilos e ser ou não ser com os gregos. Os heróis pecavam mesmo era por excesso , por assim dizer.

                      Geralmente entravam pelo tubo ao começarem a se achar tão fodões e vivaldinos que pudessem se equiparar aos próprios deuses.

                      Como o caso do Belerofonte e e seu cavalo Pégasus (esqueça Perseu voando em pégasus do filme Fúria de titãs, o pobre Perseu matava seus monstros a pé )
                      Depois de matar a quimera e fazer mil e uma montado em seu cavalo alado, Belerofonte se achou a última bolacha recheada do pacote , e decidiu voar com Pégasus até o Olimpo.

                      Zeus ficou puto na toga e mandou um inseto picar o traseiro da montaria do herói , que corcoveando fez o cavaleiro se esborrachar.
                      Em uma versão do mito ele morre, em outra sobrevive estropiado e mendigando.
                      Exemplo da ferina ira dos deuses , mandando um simples inseto acabar com as pretensões épicas de tão valoroso herói.

                      Mesmo o super chove não molha .( que as vezes enche o saco)dos supers dos comics atuais, é beeem recente, já que lá no começo, Superman, ,Capitão Marvel e outros ,não ficavam com encucações e crises existenciais por poderem transformar cocô de cabra em diamantes com um tapa , enquanto outros mortais não.

                      Mas de qualquer forma foi uma evolução, já que usar esta ou outra abordagem fica ao gosto do freguês.

                      Comment


                      • #12
                        Realmente interessante, já tinha pensado nisto. O EUA terra das highways e pátria por excelência dos roadmovies, mas no quadrionho de heróis, atualmente, predominam os heróis locais.
                        Isso tem uma explicação: a regionalização dos personagens se deve ao fato de suas tiragens serem mais direcionadas às regiões de maior vendagem e, por conseguinte, maior aceitação do leitor local.
                        Haviam personagens, digamos, "internacionais" como o Batman e Superman mas o grande babado do personagem regionalizado é que ele batia não apenas com a aproximação do leitor mas, principalmente, agradava às regiões aonde o comics tinha vendas mais fortes (leia-se "leitores mais interessados").
                        Gringo é foda, eles pensam em tudo.
                        Pois creio que geralmente dá pra ser dividir o tipo de narrativa em herói local , e o herói errante.
                        Um exemplo seria Sherlok Holmes- herói local e Don Quixote- o errante.
                        É por aí mesmo.
                        Mas essa localização tem outros motivos que não o acaso.
                        Superman , Hulk, Batman, na maioria são herois locais. Não importa se a área de atuação seja Gothan, os EUA, ou o mundo.
                        Há personagens com temáticas universalistas e que agem em lugares imaginários exatamente por serem arquétipos "maiores" do que rola na mente do leitor infanto-juvenil.
                        Mas o herói local tem como serventia focalizar as vendas em regiões promissoras em vendas.
                        Pois creio que o que define é a estrutura narrativa, onde o pé na estrada, conhecer e conviver com os costumes , habitando e se integrando ao lugares e percursos é o que faz a história fluir.
                        E não simplesmente dando um super salto, usando um jato, para trocar sopapos com o vilão e voltar.
                        Precisamente!
                        Taí Lampião como o exemplo nacional máximo do herói regional.
                        Ou o Vigilante Rodoviário.

                        Sentar bofete é importante porque o conflito físico mexe com as emoções mais básicas do leitor. Mas o conflito emocional, social, mental, regional, SEXUAL também valem.

                        Os melhores quadrinhos de heróis são os que tem como principal premissa a apresentação de conflitos.
                        Sem conflito você não tem ação e sem ação você não tem diversão.
                        De vez em quando tem arcos de histórias com os heróis locais atuando como andarilhos, mas na maioria o esquema não é esse.
                        Se bem que o Hulk da tv nos anos 80, era um herói errante.
                        Mas não era beeeeeeeem um herói errante, né?
                        Ele ia daqui pra lá mas sua movimentação não visava cidades mas, sim, confrontar conceitos.
                        Os original nos quadrinhos só ficava no esquema de troca de cenários , numa parte ou outra do deserto, com o Baner sempre na barra da saia da Bety Ross.
                        Mas claro que isso era lá no comecinho da hq, Stan lee e os escambau, já que há muiyto não leio nada do personagem.
                        O Hulk é um dos personagens mais legais já criados porque ele coloca, primeiro, a dualidade entre o ser humano e seu lado "escuro". Chupinhação de Jeckil e Hide, normal.

                        Só que a briga só esquenta quando entra dois fatores:

                        1 - romance; a figura da mocinha adorada gera um relacionamento profundamente conflitante e ela se torna o objeto maior de atrelamento do Bruce Banner a sua humanidade.

                        2 - exército; que significa a figura repressora do pai da moça e, claro, todo o moralismo vigente à época do gibi.

                        Mas eu creio que o Hulk perdeu um pouco seu foco pois esses conflitos se desgastaram no decorrer do tempo, daí a necessidade de se colocar vilões malucos, aliens disso e daquilo e, claro, por interesse de marketing, a presença de outros personagens de segmentos de quadrinhos as vezes distantes, senão incongruentes (aliens, guerrilheiros, etc).
                        Mas é interessante notar que em outras culturas o herói errante parece mais presente (Lobo solitário, Tin Tin, Ken Parker, Corto Maltese)
                        Perceba que o herói errático não significa ser "despirocado".
                        Todos eles buscam alguma coisa: o Lobo, vingança; Tin Tin, a Verdade; Ken Parker... Sei lá o que ele buscava!
                        Corto Maltese idem.

                        E meu considerado BOSTON BRAND que queria pegar o cara que o matou!

                        Ou seja, o personagem não sai por aí pelo mundo de graça. Ele tem um motivo bastante sério.

                        Mas o legal e o criativo é você INVERTER A EXPECTATIVA!
                        Naquela série "Os Invasores", o cara VIU a chegada alienígena, SABE que os caras estão aqui dominando a parada e tenta, desesperadamente, alertar as pessoas da presença dessas criaturas.

                        Ao invés de você fazer o cara sair pelo mundo buscando algo, esse algo JÁ ESTÁ AQUI, na cara de todo mundo. E o personagem tenta alertar o mundo, ao mesmo tempo que é perseguido pelos aliens que ele mesmo descobriu.
                        Simples, prático, sem maiores delongas e aí está um clássico.
                        [quote]Até tem comics assim, como o Conan(mas nem sempre, já que o cenário " matar feiticeiro mau+ salvar gostosa da vez", nem é tão diversificado assim, parecendo que as cidades só mudam de nome) mas não são a maioria não.[quote]O lance do Conan era simples: vingança.
                        Depois, virou um troço meio aleatório até que ele calhou de querer ser rei.
                        Ou seja: o personagem foi sendo definido ao longo da MANIFESTAÇÃO DO LEITOR!
                        Pois é, os gregos pareciam não ter churumelas. Ser herói ou semideus era um estado natural em seus mitos, já que a maioria deles era antiga, forjada por civilização de base aristocrática,estando já bem arraigados antes dos ideais democráticos darem as caras via Atenas.
                        Obviamente esse alinhamento da personalidade do herói já foi utilizado nos quadrinhos comerciais atuais.
                        Mas creio que não ha personagem comercial que tenha tanta CERTEZA de seu destino quanto um herói grego.
                        Então são mitos onde a supremacia do melhor, do eleito, favorecido pelos deuses,do sangue nobre, o bem nascido e tal, era algo legítimo, inquestionável.
                        Mal se apontava a ilha onde estava a fera de mil cabeças e o herói já se ia de clava em punho sem nem amarrar as sandálias.
                        Isso que eu acho legal nos heróis gregos.
                        Eles são o que são, ponto final.
                        Sem dúvidas, sem incertezas, direto ao assunto, com coragem, determinação e ousadia.
                        Herói pra mim é isso: não ter dúvidas.
                        Coloque dúvidas no herói e ele fica molenga. Ou decepcionante.

                        Batman com dúvidas? Francamente...
                        Mesmo assim não eram exatamente perfeitos, já que tantos os deuses quantos os heróis tinham falhas de caráter e eram levados por paixões, as vezes mesquinhas.
                        Pode-se dizer que realmente não havia titubeios, vacilos e ser ou não ser com os gregos. Os heróis pecavam mesmo era por excesso , por assim dizer.
                        Eu já acho que eles eram perfeitos EXATAMENTE por serem imperfeitos!
                        Eles não era regidos por interesses comerciais e nem se submetiam à vontade do leitor.
                        Eles eram podres, cínicos, cruéis, apaixonados, violentos, mas eram sinceros...
                        E principalmente a gente podia confiar nele. Pois ele era aquilo e pronto.

                        Hoje não temos mais esse tipo de personagem. Hoje, o Superman vacila, tem receios, quer ser "humano".
                        Mesmo o Lobo tem seu código de honra!
                        Geralmente entravam pelo tubo ao começarem a se achar tão fodões e vivaldinos que pudessem se equiparar aos próprios deuses.

                        Como o caso do Belerofonte e e seu cavalo Pégasus (esqueça Perseu voando em pégasus do filme Fúria de titãs, o pobre Perseu matava seus monstros a pé )
                        Depois de matar a quimera e fazer mil e uma montado em seu cavalo alado, Belerofonte se achou a última bolacha recheada do pacote , e decidiu voar com Pégasus até o Olimpo.

                        Zeus ficou puto na toga e mandou um inseto picar o traseiro da montaria do herói , que corcoveando fez o cavaleiro se esborrachar.
                        Em uma versão do mito ele morre, em outra sobrevive estropiado e mendigando.
                        Exemplo da ferina ira dos deuses , mandando um simples inseto acabar com as pretensões épicas de tão valoroso herói.
                        Pois é, mesmo nas lendas gregas havia moralidade!
                        Mesmo o super chove não molha .( que as vezes enche o saco)dos supers dos comics atuais, é beeem recente, já que lá no começo, Superman, ,Capitão Marvel e outros ,não ficavam com encucações e crises existenciais por poderem transformar cocô de cabra em diamantes com um tapa , enquanto outros mortais não.
                        Acho que a maior merda que se pode fazer a um herói é lhe dar dúvidas.
                        É lhe dar incertezas.
                        Ou seja, é faze-lo ser mais humano e menos "divino".
                        Os gregos só respeitavam os deuses que os criaram. Mas, mesmo assim, na mudança que rolou nos comics mais recentes, o herói pode ser um deus!

                        Mas ele não abre mão de sua humanidade!

                        Aí que tá a merda!
                        Virou deus? Seja um deus! Sem dúvidas!
                        Mas de qualquer forma foi uma evolução, já que usar esta ou outra abordagem fica ao gosto do freguês.
                        Os tempos são outros.
                        Os heróis estão atrelados a interesses comerciais e, assim, eles perderam sua autonomia e foram nivelados por baixo, ao nível de sua audiência.
                        Essa é a maior amarra criativa possível: ficar subserviente às vontades do leitor.
                        Isso mata a criatividade e quem rompe com isso sempre acaba ACHANDO que ousa... mas não ousa nada, pois está inserido no esquemão.

                        Ao mesmo tempo, o autor nacional que não tem amarras, não tem limites e não tem obrigações maiores de vender em 100% do tempo, aplica em si mesmo as fórmulas gringas de criação de personagens.
                        Daí, ele faz o PIOR do PIOR herói gringo.

                        A turma que faz quadrinhos precisa entender que só que for ousado contra o esquemão que valoriza o quadrinho convencional é que vai se sobressair.
                        Quem seguir o esquemão dos gringos, fracassará, pois o leitor já tem os comics pra lhe suprir...

                        Mas não tem quadrinhos pra lhe surpreender!
                        "AVATAR E ASSINATURA REMOVIDOS POR ULTRAPASSAREM O LIMITE DE 30KB"

                        Comment


                        • #13
                          Postado originalmente por megamano
                          Postado originalmente por BK

                          Basicamente voce cria um clima de ameaça iminente (seja em forma de cataclisma natural ou nao, doença, grande perigo, etc) e a unica esperança esta la na puta que pariu... Mas ninguem tem culhao pra ir catar a bagaça.
                          Dai surge QUEM? O heroi! Oooooh!

                          Porem, creio eu, a HQ gringa deu uma mexida nesse sentido e INVERTEU A EXPECTATIVA (o grande barato das HQs) e deixou o heroi PARADO num lugar...
                          E tascou a jogar nele tudo quanto e tipo de problema ou ameaça.
                          Realmente interessante, já tinha pensado nisto. O EUA terra das highways e pátria por excelência dos roadmovies, mas no quadrionho de heróis, atualmente, predominam os heróis locais.

                          Pois creio que geralmente dá pra ser dividir o tipo de narrativa em herói local , e o herói errante.
                          Um exemplo seria Sherlok Holmes- herói local e Don Quixote- o errante.

                          Superman , Hulk, Batman, na maioria são herois locais. Não importa se a área de atuação seja Gothan, os EUA, ou o mundo.
                          Pois creio que o que define é a estrutura narrativa, onde o pé na estrada, conhecer e conviver com os costumes , habitando e se integrando ao lugares e percursos é o que faz a história fluir.
                          E não simplesmente dando um super salto, usando um jato, para trocar sopapos com o vilão e voltar.

                          De vez em quando tem arcos de histórias com os heróis locais atuando como andarilhos, mas na maioria o esquema não é esse.
                          Se bem que o Hulk da tv nos anos 80, era um herói errante.
                          Os original nos quadrinhos só ficava no esquema de troca de cenários , numa parte ou outra do deserto, com o Baner sempre na barra da saia da Bety Ross.
                          Mas claro que isso era lá no comecinho da hq, Stan lee e os escambau, já que há muiyto não leio nada do personagem.

                          Mas é interessante notar que em outras culturas o herói errante parece mais presente (Lobo solitário, Tin Tin, Ken Parker, Corto Maltese)
                          Até tem comics assim, como o Conan(mas nem sempre, já que o cenário " matar feiticeiro mau+ salvar gostosa da vez", nem é tão diversificado assim, parecendo que as cidades só mudam de nome) mas não são a maioria não.
                          Os antigos herois nao tinham duvidas: eles eram o que eram e pronto. As duvidas existenciais ou nao foram introduzidas mais recentemente, de tal maneira que raramente voce encontra um heroi que nao "vacile".
                          Heroi grego nao vacilava, heroi moderno tem seu lado "sensivel".
                          Pois é, os gregos pareciam não ter churumelas. Ser herói ou semideus era um estado natural em seus mitos, já que a maioria deles era antiga, forjada por civilização de base aristocrática,estando já bem arraigados antes dos ideais democráticos darem as caras via Atenas.

                          Então são mitos onde a supremacia do melhor, do eleito, favorecido pelos deuses,do sangue nobre, o bem nascido e tal, era algo legítimo, inquestionável.
                          Mal se apontava a ilha onde estava a fera de mil cabeças e o herói já se ia de clava em punho sem nem amarrar as sandálias.

                          Mesmo assim não eram exatamente perfeitos, já que tantos os deuses quantos os heróis tinham falhas de caráter e eram levados por paixões, as vezes mesquinhas.
                          Pode-se dizer que realmente não havia titubeios, vacilos e ser ou não ser com os gregos. Os heróis pecavam mesmo era por excesso , por assim dizer.

                          Geralmente entravam pelo tubo ao começarem a se achar tão fodões e vivaldinos que pudessem se equiparar aos próprios deuses.

                          Como o caso do Belerofonte e e seu cavalo Pégasus (esqueça Perseu voando em pégasus do filme Fúria de titãs, o pobre Perseu matava seus monstros a pé )
                          Depois de matar a quimera e fazer mil e uma montado em seu cavalo alado, Belerofonte se achou a última bolacha recheada do pacote , e decidiu voar com Pégasus até o Olimpo.

                          Zeus ficou puto na toga e mandou um inseto picar o traseiro da montaria do herói , que corcoveando fez o cavaleiro se esborrachar.
                          Em uma versão do mito ele morre, em outra sobrevive estropiado e mendigando.
                          Exemplo da ferina ira dos deuses , mandando um simples inseto acabar com as pretensões épicas de tão valoroso herói.

                          Mesmo o super chove não molha .( que as vezes enche o saco)dos supers dos comics atuais, é beeem recente, já que lá no começo, Superman, ,Capitão Marvel e outros ,não ficavam com encucações e crises existenciais por poderem transformar cocô de cabra em diamantes com um tapa , enquanto outros mortais não.

                          Mas de qualquer forma foi uma evolução, já que usar esta ou outra abordagem fica ao gosto do freguês.
                          Sherlock HOLMES viajava, mané. Te liga.
                          E sem sair de casa. Com uma SOLUÇÃO 7% das boas.
                          Giovanni Giorgio

                          Comment


                          • #14
                            Postado originalmente por BK
                            O que voce citou, Megamano, e basicamente a essencia das aventuras dos herois gregos: ir em busca de algo que faça a redençao do personagem, de alguem que ele ama ou de toda uma civilizaçao.
                            Algo que foi, e e, inclusive usado em quase todas as HQs de RPG atraves das Quests.

                            Basicamente voce cria um clima de ameaça iminente (seja em forma de cataclisma natural ou nao, doença, grande perigo, etc) e a unica esperança esta la na puta que pariu... Mas ninguem tem culhao pra ir catar a bagaça.
                            Dai surge QUEM? O heroi! Oooooh!

                            Porem, creio eu, a HQ gringa deu uma mexida nesse sentido e INVERTEU A EXPECTATIVA (o grande barato das HQs) e deixou o heroi PARADO num lugar...
                            E tascou a jogar nele tudo quanto e tipo de problema ou ameaça.
                            um dos maiores sucessos em hq lá é y: the last man.
                            um cara viajando pela américa atrás de uma cura. ou uma resposta.

                            uma cidade ou país com um ser superior para protegê-lo também é um esquema muuuito velho.
                            remete aos deuses antigos.
                            e se repete tanto em superman, quanto em ultraman ou jesus cristo.

                            Comment


                            • #15
                              jesus protegia uma cidade? qual?
                              Giovanni Giorgio

                              Comment

                              Working...
                              X