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    História da Dc Ano por Ano

    Amiches, um colega de outro Forum, Nano Falcão, está fazendo um tópico sobre a história da Dc.

    Como achei interessante, estou trazendo pra cá..Qq erro que os nossos historiadores acharem, podem comentar que eu repasso ao Nano

    [hide:f93349ce23]A História da DC ANO À ANO!

    Bem Vindo aos anos 30. Os Estados Unidos viviam a grande depressão. A grana era pouca, mas as pessoas ainda precisavam se divertir – principalmente as crianças. A diversão precisava ser barata então. As histórias em quadrinhos impulsionavam as vendas dos JORNAIS que traziam grossos cadernos coloridos semanais, além das tiras diárias em preto e branco. Quanto mais e melhores quadrinhos mais crianças – e até adultos – iriam preferir este ou aquele jornal. Os artistas que trabalhavam nestas tiras eram requisitados e concorridos. Os melhores estavam sem dúvida lá: Hal Foster com Tarzan, depois com Príncipe Valente; Burne Hogarth, que sucedeu Foster em Tarzan; Chester Gold com Dick Tracy; Alex Raymond com Flash Gordon; Lee Falk com Mandrake e Fantasma; só pra citar alguns.

    Nas bancas também circulavam as “pulp magazines”: revistas literárias baratas, com textos e várias ilustrações. Uma geração inteira cresceu idolatrando Tarzan, Zorro, Buck Rogers, Conan, Sombra, Escorpião, Doc Savage, que foi onde esses heróis nasceram. Havia também o mercado de material mais picante, com pulp magazines de material erótico e ilustrações de mulheres nuas... Eram dezenas de editoras lançando material muito parecido com as outras, plagiando na cara dura, tentando capturar os leitores. Não havia televisão, e naquela época era caro fazer um filme, de forma que não haviam tantos filmes assim pra se assistir. Rádio e leitura eram os maiores entretenimentos.

    Os editores das revistas perceberam o sucesso das tiras de jornal, e começaram a publicar coletâneas desse material. As primeiras revistas de fato eram apenas republicações, não material autoral. E foi um sucesso! Afinal, era comum alguém querer ler as histórias antigas que saíram no jornal e perderam por algum motivo. Fora que a série tinha no máximo uma página no jornal dominical. Agora havia revistas inteiras só com páginas deles!

    Mas essas revistas não nasceram no formato que conhecemos. De fato, muitas eram no formato tablóide dos jornais propriamente ditos! Foi então que apareceu um certo Max Gaines, que já havia aplicado todo tipo de cambalacho e trambique pra sobreviver na vida, e resolveu se meter no rentável negócio de republicar os sucessos dos quadrinhos. Para baratear os custos de impressão, ele teve a idéia de dobrar as páginas do tablóide: e assim estava criado o tal “formato americano” das nossas queridas revistas. Não por acaso, a revista de Gaines, Famous Funnies, é considerado o primeiro comic book propriamente dito!



    Muita gente se empolgou com o sucesso de Famous Funnies. Entre eles um sujeito que tentava carreira como escritor e editor de pulp magazines, um certo Malcolm Wheeler-Nicholson. Uma vez que ele não tinha grana pra comprar os direitos autorais do material que era republicado dos jornais, e até porque quase tudo de bom estava realmente já comprado, ele teve a insólita idéia de publicar material inédito.

    Para isso ele foi atrás de autores que ainda não haviam tido chance nos jornais. A verdade é que a maioria constituía de material ruim, os melhores quadrinistas eram realmente os das tiras. Basta a gente comparar os desenhos desses jornais com as primeiras revistas da DC. Mas o que o povo queria era diversão em quantidade, e não qualidade, havia demanda, e o Major (Malcolm era ex-militar) sabia disso.

    Só que não tinha um miserável no bolso. Aliás uma coisa em pegar material de autores rejeitados é que não precisava pagá-los a vista, eles estavam desesperados pra publicar alguma coisa e mostrar o seu talento. Mas ainda assim era preciso imprimir e distribuir o novo gibi. O Major então ficou sabendo de alguém que poderia fazer fiado pra ele: HARRY DONENFELD.

    Donenfeld era um daqueles ex-gangsteres da época da lei seca que havia legalizado seus negócios (que originalmente foram criados pra lavar a grana ilícita, se duvidar) publicando pulp magazines, principalmente de conteúdo erótico. Ele criara uma gráfica e distribuidora que fazia serviço terceirizado. Donenfeld aceitou fazer negócio com a editora que Malcolm criara, a NATIONAL ALLIED PUBLICATIONS.

    E assim começa nossa história.


    1935: ANO UM: AS PRIMEIRAS REVISTAS



    O primeiro gibi do Major foi uma coletânea de material inédito chamada New Fun: The Big Comic Magazine #1, numa revista tablóide como a maioria (ou seja, o dobro do tamanho do formato americano deitado), com 32 páginas. Vendo as páginas de New Fun se percebe que se tratam de tiras que foram rejeitadas pelos jornais. O primeiro número saiu em fevereiro de 1935.

    A maior parte do conteúdo da NEW FUN eram histórias de humor, mas também apareciam histórias de aventura, com capa e espada, detetives, faroeste, e plágios de Mandrake e Tarzan. A coisa era tão “cara de jornal” que na capa e contra-capa aparecia uma historinha de uma página, inicialmente o único material a cor, aliás. As cores foram lentamente introduzidas, até tomar todas as páginas da revista. No número 06 aconteceu uma estréia tímida de uma dupla que ninguém daria um centavo: Siegel & Shuster assinavam as duas páginas de “Henry Duval”, do gênero capa e espada que fazia sucesso no cinema da época. No mesmo número, sob pseudônimos mais duas páginas com DOUTOR OCULTO: um espécie de detetive com poderes mágicos!

    Não estourou a boca do balão, mas vendeu suficiente pro Major tentar continuar. A periodicidade oficialmente era mensal, mas havia atrasos. No final daquele ano, uma nova revista era lançada NEW COMICS, mais uma revista que trazia várias histórias de humor, aventura, crime e até romance. A diferença é que a NEW COMICS tal como a Famous Funnies eram naquele formato de gibi, por isso mais grossa, com oitenta e quatro páginas (sim, o número cabalístico não é invenção brasileira!).



    A NEW COMICS custava os mesmos 10 cents que a NEW FUN COMICS, e apesar de menor, era mais grossa, e os leitores realmente preferiam esse formato. Logo, a New Comics estava vendendo mais que a New Fun, que aliás, a partir do número 07 mudou o nome para “MORE FUN COMICS” para não confundir os leitores com duas revistas com o prenome “New”. No número 10, a More Fun Comics passou a adotar o formato da New Comics, e o formato americano tal como o conhecemos (um pouquinho mais largo, na verdade) estava consolidado. O número de páginas também: 68. As revistas perderam páginas, mas agora todas eram todas coloridas, com raras exceções.





    1936

    Malcolm Wheeler-Nicholson contava com várias séries dos mesmos criadores. Os cartunistas Sheldon Mayer e Adouls Alger eram os mais requisitados, fazendo várias histórias curtas de humor. Tom Hickey cuidava de várias adaptações de livros e pulp magazines. Da mesma forma, Jerry Siegel e Joe Shuster foram ganhando mais trabalho.



    Em New Comics 02, de janeiro de 1936, estreou uma nova série, de quatro páginas, na revista: FEDERAL MAN. Se tratavam das aventuras de oficiais do governo federal, numa época em que o FBI ainda era embrionário.Eram histórias que misturavam o gênero policial com alguma ficção científica. Não demorou pra ser uma das principais atrações da revista. Não que fosse um fenômeno, mas no meio de tudo que a New Comics apresentava, Federal Man era um dos melhores materiais.

    Em julho do mesmo ano, Siegel & Shuster trocaram a série do mosqueteiro Henry Duval em More fun comics 11, por "Sandy Kean and the Radio Squad", essa uma série policial mais urbana. Assim como Federal Man, era bastante inspirada pelos programas de rádio da época, que romantizavam as operações da polícia. Assim como Doctor Occult começou com duas páginas, mas logo ambas ganharam 04 páginas, que nas revistas da National até aquele momento, era o máximo de páginas que cada história possuia. Até aparecer a Detective Comics.



    1937: NASCE A DETECTIVE COMICS



    As revistas basicamente se bancavam, mas o Major Malcolm acumulava dívidas. Tentando resolver os problemas financeiros, ele corria atrás do sucesso. Então teve a idéia de lançar uma coletânea especializada num único gênero, ao contrário das revistas que traziam “de tudo” como a More Fun Comics e a New Comics.

    Ele poderia ter pensado num título de humor, já se não houvesse tantas revistas desse gênero, como o Best-Seller da Dell, a já citada Famous Funnies. Não, ele tinha que ir numa direção mais séria: um dos gêneros que mais vendiam as pulp magazines eram as histórias policiais, e assim estava decidido. Nascia a DETECTIVE COMICS.

    No entanto, Harry Donenfeld disse que só rodaria e distribuiria a nova revista se ela saísse por uma nova editora, onde ele e Malcolm seriam sócios. Assim nascia também a Detective Comics Inc. O Major aceitou porque Donenfeld também arcaria com as despesas dessa publicação, e isso permitira postergar as dívidas da National Allied Publications.

    Apesar do projeto ter sido elaborado pra ser lançado em dezembro de 1936, a primeira edição de Detective Comics só chegou as bancas em março de 1937. Na capa, FU MANCHU, um dos maiores sucessos do cinema e das pulp magazines naquela época, agora adaptados para os quadrinhos com texto do próprio Major e desenhos de um certo Tom Mickey. A revista também trazia bastante trabalho da dupla Siegel & Shuster, como a série SPY, onde o nome já diz tudo; e SLAM BRADLEY um detetive casca grossa e boxeador, ao gosto dos heróis urbanos de Robert E. Howard, aliás.

    Mas uma série que também estreou no número um e que nos chama a atenção é SPEED SAUNDERS. Os fãs da DC devem lembrar do nome: se trata do tio-avô de Shiera Saunders, a HawkGirl da Sociedade da Justiça no século XXI. Um personagem que Geof Johns resgatou do limbo e inseriu na continuidade do Universo DC. Da mesma forma como Ed Brubacker recuperaria Slam Bradley do limbo nas páginas da própria Detective Comics, numa série de histórias back-ups (republicadas aqui no encadernado da Mulher Gato, sobre o título: “Na trilha da Mulher-Gato”).

    NEW ADVENTURE COMICS



    Em janeiro de 1937 a New Comics também mudava de nome: a partir do número 12 passou a se chamar “New Adventure Comics”. A maior parte das histórias era de fato de aventura, mas ainda havia algumas páginas de humor. A maior parte das apresentações, aliás, era de apenas duas páginas, tais como na More Fun Comics (diferente da Detective, com histórias de maior envergadura, para a época, é claro, onde 13 páginas era quase um épico).

    A mudança de nome provavelmente foi pra diferenciar da “New Book of Comics”, uma nova coletânea que teve apenas dois números (um em 1936, outro em 1937). Oficialmente a New Book seria a terceira revista da DC, mas muita gente diz que a Detective Comics é a terceira, pelo fato da New Book não ter vingado.


    1938: O ano da virada

    A revista Detective Comics vendia bem, mas como metade dos lucros eram de Donenfeld, não bastavam para pagar as dívidas que o Major Malcolm tinha com a National Allied Publications. Então ele pensou numa nova revista temática, desta vez do gênero de aventuras: A ACTION COMICS.

    Para o comando da publicação, ele entregou o trabalho para o editor Vin Sulivan que já ajudava a editar a More Fun Comics e a New Adventure Comics. Foi Sulivan que selecionou o material que seria publicado na revista.

    Enquanto isso, o esperto Harry Donenfeld vendo que as revistas na verdade davam lucro e que o acontecia com o Major era justamente que não podia bancar os custos do impressão e distribuição (que quem fornecia era o próprio Donenfeld), deu de presente para o Malcolm e sua esposa um cruzeiro até Cuba. “Vá trabalhar novas idéias”, teria dito Harry.

    O Major e a esposa foram felizes da vida, mas quando voltaram já tinham mudado até o nome na porta do escritório. Durante sua ausência, Donenfeld entrou na justiça acusando o Major de não pagamento das dívidas. Aqui é que a história fica sinistra: segundo apurou Gerard Jones no seu livro “Homens do Amanhã”, o juiz que julgou o caso, Abe Mennen era da Tammany, uma sociedade do tipo a maçonaria da onde vários gangsters e ex-gangsters, além de políticos e policiais, faziam parte. Donenfeld e Menem eram membros do grupo, e o empresário usou sua influência para tirar a National Allied de Malcolm. Donenfeld comprou a metade da Detective Comics Inc do Major como um “cala-boca” e lhe desejou boa sorte.

    Assim termina o papel do Major Malcolm Wheeler-Nicholson na história da DC Comics. Acabou mudando de ramo, afinal os gibis nunca tinham dado tanto dinheiro como ele pensava... Ah! Se ele soubesse o que estava pra acontecer e o que se tornaria a Action Comics...


    ACTION COMICS: COMEÇA A ERA DE OURO!



    A Action Comics era para ser apenas mais uma revista em quadrinhos. Vin Sullivan tentou selecionar o melhor que pôde o material, mas a verdade é que a maioria era de rejeitados dos grandes jornais, como a dupla Jerry Siegel & Joe Shuster.
    Por anos eles tentaram vender a tira “Superman”, sem sucesso. Sullivan resolveu enfim aceitar, e comprou os direitos por 130 dólares. Siegel e Shuster aceitaram porque depois de tantos anos tentando empurrar o personagem, parecia que ele estava destinado a não ser nada mesmo.

    O material era claramente feito para as páginas do jornal e foi adaptado para a revista. Além do Superman, também estavam na nova antologia de 68 páginas séries como Zattara, um plágio descarado do Mandrake, com direito a ajudante afro; e Tex Thompson, um aventureiro ricaço. Essas foram as três de maior sucesso e que duraram na revista. As demais tiveram vida curta, como a adaptação das Viagens de Marco Polo; Chuck Dawson, um western; Pep Morgan; e Scoop Scalon, repórter cinco estrelas.

    Action Comics nº 01 foi lançada em junho de 1938, e historicamente essa data hoje é considerada o início da “Era de Ouro dos Quadrinhos”. Porque essa é a Era de Ouro? Porque nunca se vendeu tanto gibi como naquela época. Eram milhares de exemplares, entretenimento barato em revistas de 10 centavos com 68 páginas coloridas. Era uma verdadeira febre entre a garotada.

    Apesar de aparecer na primeira capa da Action Comics, os editores demoraram pra perceber o motivo do sucesso. Nos seis números seguintes as capas abordaram outras histórias que não o Superman, embora ele seguisse sendo publicado em cada número. As vendas foram aumentando cada vez mais, até que os editores descobriram porque os jovens corriam atrás da revista.

    O improvável Superman, o mesmo que havia sido rejeitado por todos os publishers dos sindicatos que distribuíam as tiras de quadrinhos para os jornais porque era “impossível demais”, estava alcançando um sucesso jamais visto por um personagem de quadrinhos. Flash Gordon e Fantasma foram sem dúvida um sucesso, mas nada comparado aos milhares de exemplares que o Superman vendia.

    Nascia o gênero do super-herói: histórias sobre as façanhas de seres com superpoderes fantásticos que combatiam o crime. Foi com o Superman que a National Allied Publications deixou de ser apenas mais uma editora de quadrinhos para começar a se tornar a maior editora de quadrinhos da América.


    NA DETECTIVE COMICS... O VINGADOR ESCARLATE!



    Qual foi o primeiro vigilante encapuzado a figurar na Detective Comics? Se você pensa que foi o Batman, está redondamente enganado!

    No número 20 de Detective Comics, publicado em outubro de 1938, figurava na capa a nova aposta da publicação, na trilha do Superman: O Vingador Escalarte (Crimson Avenger). Era basicamente um plágio do sombra, só que usando uma capa e máscaras vermelhas.

    Ou melhor, o personagem tinha mais similaridades também com o Besouro Verde, outro personagem de sucesso na rádio. Até um assistente oriental, chamado Wing, ele tinha! Lee Walter Travis era um milionário que combatia o crime por uma razão não muito definida. O personagem era escrito por Jim Chambers, e seria o carro chefe da Detective Comics até 1939, quando foi eclipsado por outro encapuzado... também mascarado e milionário, mas com uma roupa bem mais original!

    Na atual cronologia do Universo DC, Lee Travis aliá é considerado o "primeiro vigilante mascarado"! Num juramento de admissão da moderna Sociedade da Justiça há inclusive uma homenagem ao herói. Travis morreu há tempos, mas outras pessoas assumiram a identidade do Vingador.


    NOVEMBRO: SURGE A ADVENTURE COMICS



    A New Adventure Comics já não era tão nova. Pelo menos foi o que Donenfeld pensou quando rebatizou a revista a partir do número 32. O humor estava sendo varrido de vez da publicação. As boas vendas da Action Comics fizeram os editores pensarem que o sucesso era do gênero, a aventura. Assim Adventure passou a ser uma segunda antologia dedicada ao gênero que trazia no nome da revista. Essa poderia ter sido a revista de maior numeração da DC Comics, não fosse cancelada nos anos 80. Recentemente ela foi relançada e deve retomar a numeração antiga, inclusive.
    1939: SURGEM A NATIONAL COMICS e a ALL-AMERICAN PUBLICATIONS

    Como Harry Donenfeld havia ganhado na justiça a posse da National Allied Publications e comprado metade da Detective Comics Inc – a outra parte era do seu contador e até então testa de ferro Jack Liebowitz, achou melhor fundir as duas empresas numa só, e assim apareceu a NATIONAL COMICS. Para os leitores estarem certos que eram a mesma editora, começou a aparecer um selinho nas revistas: “Uma publicação DC” (ou seja, detective comics inc!). Por isso, com o passar dos anos o apelido da National seria logicamente DC entre os fãs.

    Para Donenfeld e Liebowitz, os proprietários da DC, o início de tudo tinha sido a Detective Comics e não a More Fun Comics da empresa fundada por Malcolm Wheeler-Nicholson. Dá pra compreender então o apreço que tinham pela marca “DC”.

    Liebowitz era apenas o contador de Donenfeld, mas queria começar seu próprio negócio. O amigo Harry apoiou quando nosso velho picareta Max Gaines, o cara que criara a Famous Funnies resolveu montar sua própria editora. Ele precisava de crédito pra imprimir e distribuir as revistas e a empresa de Donenfeld fazia esse tipo de coisa. Além do que já tinha relações com eles e o editor Vin Sulivan (diz a lenda que foi Max quem rejeitara a tira Superman mas a encaminhara para conhecimento de Sulivan, que a incluiu em Action Comics).



    Max estava criando a ALL-AMERICAN PUBLICATIONS. Donenfeld aceitou o negócio com uma condição: que seu camarada Jack Liebowitz fosse sócio na empreitada. Max topou e assim começaram o negócio com duas revistas: a Movie Comics, que teve vida curtíssima e apenas seis edições naquele mesmo ano de 1939; e a antologia ALL-AMERICAN COMICS, que trazia de tudo, desde humor, aventura, ficção científica, histórias policiais e faroeste.

    O carro chefe inicial da All-American Comics era a dupla de peraltas Mutt & Jeff, algo do tipo “Os Sobrinhos do Capitão”, que Max comprara os direitos de republicar o material dos jornais - e abrilhantavam as páginas até então da Famous Funnies. Fez tanto sucesso que no verão daquele ano de 1939 ganhou uma revista própria, Mutt & Jeff, que era trimestral, sendo uma a cada estação. Essas revistas aliás eram verdadeiros almanaques, como veremos num clássico exemplo logo abaixo.

    THE BAT-MAN, O HOMEM-MORCEGO



    Com o sucesso cada vez mais estrondoso do Superman, todo mundo estava procurando o próximo Superman. Já havia aparecido o Vingador Escarlate, mas sem grande sucesso na Detective Comics. O editor Vin Sulivan procurava algo de igual apelo. Várias propostas surgiam na sua mesa.

    Então um certo Bob Kane, que até então era um cartunista sem talento que jamais chamara a atenção apareceu com... The Bat-Man (com hífen inicialmente). Apesar de ser um aventureiro sem poderes, ele vestia uma fantasia tão original e espalhafatosa quanto do Superman. A primeira história era uma cópia descarada de um episódio do Sombra, e de resto, o personagem copiava muita coisa de outro herói dos pulps, o Aranha: Era um milionário que era perseguido por seu amigo comissário de polícia, que não suspeitava sua identidade secreta.

    A originalidade estava mesmo na roupa e com o tempo no interessante elenco de criminosos que seriam criados para combatê-lo. Na verdade o golpe de mestre foi a origem do personagem, que só apareceu meses depois, uma das mais dramáticas até então para um personagens de quadrinhos, e que funciona tão bem que jamais teve que ser reformulada. Muito do crédito do sucesso do Batman se deve ao escritor BILL FINGER, que era contratado do estúdio de Kane, por isso não assinava as histórias.

    THE BAT-MAN estreou em maio de 1939, no número 27 da Detective Comics. Vin Sulivan já sabia que tinha um campeão nas mãos e fez questão de dar o devido destaque nas capas a seguir. O Batman não era o Superman, mas não demorou pra se tornar o segundo personagem mais rentável dos quadrinhos da América. Harry Donenfeld mal folheava os gibis que publicava, mas ficou rico por causa deles.

    FALANDO NO SUPERMAN...



    O primeiro personagem a ganhar revista própria nos EUA foi o Superman. Mas não era uma mensal. Na época, todas as revistas nas bancas eram antologias, ou revista-mix como chamamos no Brasil. Superman era o mais próximo do que aqui chamamos de “Almanaque”.

    A revista tinha periodicidade trimestral, saindo uma a cada início de nova estação. Por isso ao invés do mês, cada número trazia na capa: verão, outono, inverno, primavera...

    Como um almanaque só trazia histórias do personagem propriamente dito. Eram 68 páginas só de Superman. Mas não era tudo material inédito. No máximo uma ou duas histórias pra fazer os fãs antigos comprarem, e republicações, para agradar os fãs novos que perderam os primeiros números da Action Comics.

    O primeiro número de SUPERMAN saiu em junho de 1939. Vendeu como água no deserto. Iria vender tanto que não levaria tanto tempo pra virar bimestral. Essa é a mesma revista Superman que é publicada até hoje nos Estados Unidos, e chegou a pouco no número 700.


    ELE VEIO PARA DAR PESADELO AOS CRIMINOSOS...



    A procura pelo “novo Superman” continuava. A influência dos anti-heróis dos pulp magazines ainda era grande. Assim como o Vingador Escarlate e o Batman, o Sandman parece saído de uma dessas revistas.

    Wesley Doods é outro milionário que resolve combater o crime. Aqui é a explicação é que ele tem pesadelos sobre crimes. Então para dormir em paz a conclusão é que ele precisa enfrentá-los. Para fazer isso adota a identidade do Sandman, uma lenda folclórica forte no imaginário anglo-saxão de um ser que faz as pessoas sonharem.

    Pra fazer os criminosos sonharem, Wesley usa uma arma de gás e uma máscara para se proteger (e também sua identidade). Ele costuma jogar areia nos criminosos derrotados, com sua “assinatura”.

    O personagem foi criado pelo escritor Gardner Fox e pelo desenhista Bert Christian e estreou no número 40 da ADVENTURE COMICS. Apesar de não ser um sucesso como Superman e Batman, a série SANDMAN ajudou a melhorar as vendas da Adventure Comics, que enfim merecia o nome. Mais isso era só o começo. Outros aventureiros viriam lhe fazer companhia na publicação.


    O ULTRAMAN DA DC



    Vários super-heróis se chamaram Ultraman... Mas o que pouca gente sabe é o que o primeiro era um personagem da DC, digo, da então All American Publications.

    Ultraman foi mais uma tentativa de criar um novo “Superman”. Mas suas histórias se passavam no futuro e eram ainda mais embebidas de ficção científica. Tratava-se na verdade quase de um plágio de Buck Rogers: Um cientista entra em animação suspensa e acorda 2174 com superpoderes, devido a alteração química no seu corpo.

    A estréia deste Ultraman foi na All-American 08, com direito a capa, em novembro de 1939. Mas não iria animar muito os leitores. Ele apareceria até o número 19 da revista, em 1941 quando teve que ceder espaço para um super-herói com mais apelo. Diremos quem foi quando chegarmos lá.

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    So many of our dreams at first seem impossible, then they seem improbable, and then, when we summon the will, they soon become inevitable.”
    - Christopher Reeve (1952-2004)

  2. #2
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    mais uma vez a dc fica em segundo lugar...

  3. #3
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    Uau. Sensacional isso. Continue publicando e informe o link original!
    GOURMET, DROGADO E PROSTITUÍDO, VENDENDO TUDO DO ALAN MOORE.
    Tópico de vendas: http://www.mbbforum.com/mbb/showthre...GORA-COM-FOTOS
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  4. #4
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    1940: A MARÉ DOS SUPER-HERÓIS

    Os superheróis eram a moda do momento. A All American Publications então preparou uma nova revista, e desta vez seria justamente uma antologia que somente traria histórias deste tipo. Superman estava em Action Comics, Batman em Detective Comics e Sandman em Adventure Comics, mas essas revistas não eram especializadas em super-heróis. Então Max Gaines teve a idéia de lançar a FLASH COMICS, a primeira revista-mix totalmente dedicada ao novo gênero.

    O primeiro número de FLASH COMICS saiu em janeiro de 1940. A série carro-chefe da nova publicação se chamava justamente “The Flash”. Pela primeira vez aparece um super-humano com um único poder: no caso a supervelocidade. Criado pelo escritor Gardner Fox e o desenhista Harry Lampert, Jay Garrick era um cientista que após um acidente no laboratório ganha seus incríveis poderes, com que resolve combater o crime.



    Mas o Flash não era o único personagem da revista, apesar de levar o seu nome. Afinal naquela época as revistas eram antologias: Flash Comics tinha 68 páginas, e as histórias de Garrick tinham no máximo 13 páginas. No número 01 de Flash Comics também estreou a série HAWKMAN, outro sujeito que só tinha um poder extra: podia voar. Criado também por Gardner Fox e concepção visual de Dennis Neville, Carter Hall era um arqueólogo que descobriu um misterioso metal que anulava a gravidade nas suas escavações. As armas antigas que utilizava eram “emprestadas” do museu onde trabalhava.

    Outra série que teria presença cativa na Flash Comics foi JOHNNY THUNDER (no Brasil, Johnny Trovoada). Era a série cômica da revista, com a diferença que o palhaço da vez, Johnny tinha um gênio de estimação com poderes ilimitados! Foi criado pelo escritor John Wentmorth e pelo desenhista Stan Aschmeier. No resto da revista também haviam outras séries, mas estas esquecíveis e que não durariam muito como O Chicote, Cliff Cornwall e a Patrulha Fantasma.

    Flash Comics não tinha um Best-seller como Superman ou Batman, mas tinha três boas séries numa única revista, e isso o tornaria num dos gibis mais vendidos, ficando atrás somente de Action Comics, Superman, Detective Comics e Batman, respectivamente. Max Gaines finalmente tinha criado um campeão. E o ano estava apenas começando!


    E OS BANDIDOS TERÃO O QUE MERECEM...!



    Enquanto Flash Comics despontava nas bancas como uma nova e bem sucedida coletânea, a Detective Comics tinha o Batman, a Action Comics tinha o Superman, a Adventure Comics tinha o Sandman, e a All American Comics tinha, vá lá, Mutt & Jeff.

    Só a More Fun Comics ficava com o amargo posto de revista menos vendida da National Comics. O editor Vin Sulivan sabia que precisava de um super-herói para a publicação. A solução foi pedir idéias justamente para o criador da mais bem sucedida série da casa, Jerry Siegel. O pai do Superman então apresentou um sujeito que poderia ser mais assustador do que o Batman: O Espectro!

    O personagem estreou na edição 52 da More Fun Comics, de fevereiro de 1940. Ele era um policial que havia sido assassinado por gangsters. O espírito de Jim Corrigan no entanto pediu Justiça, no que foi ouvido pelo arcanjo Miguel, que o transformou no Espectro, um fantasma sedento de vingança. Diferente do garboso Superman, ou mesmo do Batman que mais latia do que mordia, o Espectro não entregava os bandidos para as autoridades: Ele os matava, e com requintes de crueldade. A série na verdade era uma mistura de super-herói com terror. Muito divertido (fun) de fato...


    UMA HORA DE PODER



    Sandman não era o Batman nem o Superman, e isso estava claro para o editor da Adventure Comics, Vin Sullivan. A revista precisava de outra série para ajudar Wesley Doods na tarefa de vender o gibi.

    A dupla Ken Fitch e Bernard Baily apareceu então com o Homem-Hora, um sujeito que tinha uma hora de superforça após tomar as suas pílulas Miraclo.

    O Homem Hora estreou no número 48 da Adventure Comics, em março de 1940. Ele era o bioquímico Tex Tyler, um cara que também gostava de ficar em forma e distribuir porrada. Descobrindo essa droga milagrosa, ele decidiu que era muito perigosa para cair nas mãos das pessoas e que deveria ser usada somente para o bem. Por isso decidiu ajudar as pessoas e se tornar um super-herói.


    O PRIMEIRO SIDEKICK



    Depois do Espectro, o Batman era o herói mais sombrio da DC, na verdade, parecia ainda mais sombrio, devido as cores escuras da sua roupa. O problema é que todo texto do Batman era “inspirado” em pulps magazines violentas (e destinada para adultos) como Sombra e Aranha, não coisa para crianças, o principal público consumidor de gibis até então.

    Um dos assistentes de arte de Bob Kane, na verdade um verdadeiro desenhista das histórias, já que muitas vezes o Sr. Kane só assinava o nome, JERRY ROBINSON é que teve a idéia de introduzir um parceiro mirim para o herói: ele desenhou o personagem e apresentou para o patrão. Quem é este? ROBIN, disse Robinson, e o sobrenome não pode ser coincidência. Ainda que Robin seja o nome de um pássaro. Mas a explicação oficial é que uma homenagem a Robin Hood... Bob Kane aceitou a idéia, e lá foi Bill Finger criar o argumento.

    Robin estreou nas histórias do Batman no número 38 da Detective Comics, em abril de 1940. Dali em diante seria coadjuvante inseparável do seu tutor. A idéia de ter um garoto co-estrelando as histórias era basicamente dar alguém com quem os leitores pudessem se identificar: um menino que combatia o crime ao lado do seu herói.

    E o Robin deu certo, deu tão certo que com o passar dos tempos os editores descobririam que acrescentar um sidekick ajudava nas vendas. Claro, hoje em dia é ridículo pensar num adulto colocando uma criança em perigo para combater criminosos. Mas devemos lembrar de duas coisas: primeiro, a maior parte dos leitores eram crianças e elas brincavam fantasiando viver essas aventuras; segundo, eram os anos 40, e naquela época as crianças já trabalhavam cedo. Não havia uma concepção moral e legal como a de hoje.

    Se não fosse pelo Robin não teríamos Bucky Barnes, Wally West, Roy Harper, Donna Troy e nem o Capitão Marvel Jr, e sem o Capitão Marvel Jr não haveria o Superboy. Uma coisa influência a outra, e Dick Grayson foi o primeiro dominó a ser derrubado.


    O LORDE DA ORDEM



    O Espectro não ficaria muito tempo sozinho na tarefa de melhorar as vendas da More Fun Comics. No número 55, em maio de 1940, começou a ser publicada a série “DOCTOR FATE”, aqui no Brasil chamada “Senhor Destino”. O personagem, no entanto só iria parecer numa capa na edição seguinte, revezando a partir daí com o Espectro.

    O Senhor Destino era o filho de um arqueólogo que após ter descoberto numa tumba egípcia o espírito de um lorde da ordem, Nabu, se tornou seu hospedeiro. Bastava colocar o elmo que KENT NELSON se tornava nesse mago travestido de super-herói.

    Ao contrário do uso tímido de magia do Doutor Oculto (que a estas alturas não era mais publicado na More Fun Comics desde o número 32, afinal Jerry Siegel & Joe Shuster tinham mais o que fazer) e do Zatara (que ocupava as páginas da Action Comics), o Sr. Destino usava magia e enfrentava inimigos místicos em escala bem mais épica. No entanto, dois anos depois o personagem teria que mudar de linha, porque naquele tempo essa coisa mística era a maior viagem para a mentalidade modernista dos anos 40.


    E O BATMAN GANHA SUA REVISTA!



    Assim como o Superman, o apelo do Batman em Detective Comics era tal que os editores resolveram faturar mais lançando o personagem em mais uma revista. Tal como o Superman, seria uma revista trimestral, uma a cada início de estação.

    O primeiro número de BATMAN saiu em maio de 1940. O personagem já aparecia na capa na companhia do Robin, seu parceiro mirim que havia estreado um mês antes. Essa revista é a mesma que é publicada até os dias de hoje e se converteu na principal do herói.

    Ao contrário dos primeiros números de Superman, o gibi tinha bastante material inédito. O destaque ficava por duas histórias apresentando um novo vilão: o Coringa, destinado a ser o arqui-inimigo do herói. Bob Kane não tinha problemas para produzir tanto material. Afinal ele praticamente não desenhava nada mesmo. Contratou um estúdio com vários desenhistas e só aparecia pra colocar o nome, segundo consta. Já o argumento e diálogos das histórias ficavam por conta dos escritores Bill Finger e Gardner Fox. “Era uma verdadeira linha de montagem”, lembra Sheldon Moldof, um dos “ghost-artists” que Kane usou por muito tempo.


    UM CAÇADOR CHAMADO CONGO BILL



    Entre as diversas séries que a More Fun Comics apresentava, ninguém poderia achar grande coisa de CONGO BILL, as histórias de um caçador e aventureiro na África, quase um plágio do Jim das Silvas das tiras em quadrinhos de Alex Raymond.

    Mas Congo Bill teria um grande papel no futuro, quando se moveria para a Action Comics, em 1941, e ao lado do Superman seria uma das séries mais populares naquele gibi – a ponto de ganhar uma série de cinema. O personagem também se tornaria o nosso amigo Congorilla, que James Robinson tirou do limbo para fazer parte da sua Liga da Justiça.

    Congo Bill foi criado pelo escritor Whitney Ellsworth e o desenhista George Papp. Sua primeira história e aparição se deu no número 56 da More Fun Comics, de junho de 1940.


    NO DIA MAIS CLARO...



    A moda dos super-heróis estava varrendo a concorrência. Mutt & Jeff ainda vendiam, mas eram coisa do passado. Max Gaines percebeu que precisava se mover, senão a sua menina dos olhos, a All American Comics sucumbiria. Ele tentou com o tal Ultraman, mas não foi um estouro.

    O artista Martin Nodell apresentou uma sugestão: o Lanterna Verde, um sujeito que tinha um anel mágico capaz de formar objetos de luz verde. Gaines mandou tocar ficha, e o escritor Bill Fingir, que ajudara a criar o Batman, criou o resto do personagem (identidade civil, coadjuvantes, vilões, etc).

    O LANTERNA VERDE estreou no número 16 da All American Comics, em julho de 1940 e seria doravante o carro chefe da revista. Ele era o engenheiro Alan Scott, que encontrou uma lanterna mágica que o instruiu a tirar um pedaço dela e fazer um anel, de onde extraia seus poderes. Como todo rapaz prendado, Alan era boa gente e resolveu usar a dádiva para combater o crime.


    TAMANHO NÃO É DOCUMENTO



    O LANTERNA ia bem, mas havia muitas páginas pra encher na All American e todas tinham que ser o mais populares possíveis. Então deu pra bola do tal Ultraman, e Max Gaines decidiu substituí-lo por algo mais tradicional.

    A dupla Ben Flinton e Bill O’Conner é que apareceu com a idéia na mesa: um herói de pouca altura, mas bom de briga. Por causa de seu tamanho ele seria chamado de... ATOMO! O personagem na verdade foi inspirado na numa figura da vida real, um lutador profissional chamado Joe Greenstein, que apesar de baixinho era muito forte.

    Da mesma forma era o estudante All Pratt, que vítima das piadas dos colegas e querendo conquistar a garota dos seus sonhos, treinou boxe e levantou peso a exaustão, até decidir combater o crime pra mostrar que nada era impossível para uma pessoa pequena.

    As histórias do herói começaram a ser publicadas no número 19 da All American Comics, de outubro de 1940.


    A PRIMEIRA TORNADO VERMELHO



    Ma Hankel na verdade estreou na All American Comics no seu número 03, em 1939. Ela era uma coadjuvante ocasional da série humorística “Scribbly”, uma semi-autobiografia do editor/cartunista Sheldon Mayer. Era um personagem de humor, evidentemente, uma senhora mãe de família corpulenta, que ralhava com as crianças do bairro, mas também as protegia das más companhia, com direito a porrada nos pequenos mal-feitores.

    A coisa tomou contorno de paródia no número 20 da All American Comics, de novembro de 1940: Ma Hunkel improvisa um “uniforme”, com direito a panela na cabeça servindo de elmo, para combater a bandidagem da vizinhança sem que os bandidos pudessem mais tarde retaliar na sua família. De fato, funcionava, porque muita gente achava que o Tornado Vermelho era um homem!

    A série foi uma das primeiras paródias aos super-heróis com bastante gags e situações cômicas. Os leitores da revista gostaram da série por tempo suficiente pra ficar alguns anos na publicação. Depois a personagem cairia no limbo, até ser resgatada por Geof Johns para fazer parte do elenco de apoio da Sociedade da Justiça.


    A ALL STAR COMICS E O PRIMEIRO SUPERGRUPO DOS QUADRINHOS



    Com a Flash Comics sendo o sucesso que foi, o Publisher Max Gaines queria mais e sabia que deveria lançar outra revista exclusivamente dedicada aos super-heróis. Mais de onde eles sairiam? Num lance de esperteza ele pensou numa antologia dos que não tinham antologia... Superman tinha o a sua revista trimestral, assim como Batman. De resto, os demais astros da Flash Comics, More Fun Comics, Adventure Comics e All American Comics não tinham cacife para tal.

    Assim nasceu a ALL STAR COMICS um almanaque genérico, a ser lançado uma vez a cada três meses, com o nome da estação correspondente na capa. A publicação traria histórias dessa turma sem “almanaque”. No número 01 abrilhantaram as páginas Flash, Gavião Negro, Ultraman, Homem-Hora, Espectro e Sandman. No número dois Lanterna Verde substituiu Ultraman.

    No entanto, para o número 03 da revista, que saiu em dezembro de 1940, o editor Sheldon Mayer e o escritor Gardner Fox tiveram uma idéia: e se todos os heróis da DC fizessem parte de um clube?

    Porque antes de ser uma equipe, a verdade é que a Sociedade da Justiça da América era isso: uma sociedade. Os heróis se encontram em volta de uma mesa e cada um conta suas próprias aventuras. Obviamente cada uma escrita e desenhada por artistas diferentes. Era apenas uma desculpa para a natureza da antologia, de trazer diversos personagens.
    No número 05, o editor Sheldon Mayer explicava na sessão de cartas que Superman e Batman eram “membros honorários” porque tinham suas próprias revistas, e assim seria, cada membro que tivesse suas próprias revistas teria que sair da Sociedade!

    Os membros originais da Sociedade da Justiça eram Flash, Lanterna Verde, Gavião Negro, Homem-Hora, Senhor Destino, o Espectro, Sandman e o Átomo. Quando o Flash ganhou sua própria revista (a All Flash), foi substituído por Johnny Trovoada. Já o Lanterna Verde seria substituído pelo Dr. Meia-Noite.

    Mas em poucos números, os heróis já estavam resolvendo casos juntos – ainda que as histórias fossem desenhadas por vários artistas, com cada membro saindo sozinho ou formando duplas pra resolverem determinada ação. O escritor Gardner Fox anos mais tarde usaria esse mesmo modelo na Liga da Justiça: os heróis encontram um caso. Dividem-se pra investigar. Tem suas aventuras isoladas. Então se reúnem para a conclusão.

    Como era um gibi de 68 páginas, nem preciso dizer que isso ajudou a quebrar a natureza das “histórias curtinhas” da DC. Com a integração dos membros, com eles combatendo cada vez mais unidos os mesmos inimigos, cada número foi se tornando um pequeno épico. E o gibi caiu na graça de muitos fãs. A partir do número 04 ele já não era trimestral, mas bimestral.

    1941: UNIVERSO EM EXPANSÃO

    TEX THOMPSON SE TORNA MR. AMERICA

    Nem todos os personagens de gibis eram super-heróis, mas estava claro qual era a preferência do leitor. Assim, o aventureiro TEX THOMPSON, que compartilhava as páginas da Action Comics com o Superman desde o número 01, teve que se adaptar aos novos tempos.

    No número 33 da Action Comics, de fevereiro de 1941, Thompson encara sabotadores nazistas que querem impedir um navio de mandar comida para a Europa em guerra. Ele é dado como morto, e aproveita para criar uma nova identidade: pinta o cabelo para preto, coloca uma máscara, e veste um colante nas cores da bandeira americana.



    Ele é o Mr. América, que tem como principal arma o inseparável chicote de Thompson. Para dar um toque de comédia, um mês depois, na Action Comics 34, aparecia seu sidekick, na verdade um sujeito gordo, vestido como a Tornado Vermelha, que adotou a alcunha de “Fatman”.

    Essa foi a primeira de muitas mudanças na carreira de Tex Thompson que garantiram sua permanência na Action Comics, não é claro que a revista precisasse de qualquer ajuda para vender... Superman fazia isso muito bem, e como fazia!


    O PRIMEIRO HERÓI... CEGO!



    Assim como o primeiro super-herói baixinho não foi o Wolverine, e sim o Átomo (Al Pratt), o primeiro super-herói cego não foi, como muita gente pensa, o Demolidor, e sim o Doutor Meia-Noite!

    O personagem fez sua estréia no número 25 da All American Comics, de abril de 1941, se juntando assim a Lanterna Verde e Átomo na tarefa de vender o gibi. Criado por Charles Reizenstein e o desenhista Stanley Joseph Aschmeier, o Dr. Charles McNider é um médico cirurgião que é cegado por uma granada quando operava a testemunha de um crime. Ele aparentemente perde a visão, até que um dia, a noite, uma coruja entra na sua janela (lembram do morcego do Batman? Poisé...) e derruba o abaju. Mcnider percebe que pode enxergar nas trevas, a sua visão foi invertida! Ele adota a coruja (que vira seu sidekick) e com a ajuda de um óculos especial e granadas que criam fumaça negra, ele cria uma identidade secreta para se vingar dos gangsters que o cegaram, e assim começa a carreira do nosso herói.

    Logo, o Dr. Meia Noite faria parte da Sociedade da Justiça, substituindo o Lanterna Verde quando este ganhou sua própria revista “Quartely”.


    O HOMEM DAS ESTRELAS



    Abril também foi o mês de estréia de outro personagem que se tornaria membro posteriormente da Sociedade da Justiça da América.

    STARMAN começou a ter suas histórias publicadas no número 61 da Adventure Comics, de abril de 1941, revista onde já eram publicadas as aventuras de Sandman e Homem-Hora. O personagem foi criado pelo desenhista Jack Burnley.

    Theodore “Ted” Knight provavelmente é um dos primeiros “super-heróis cientistas”. Certo, Jay Garrick e Rex Tyler também eram cientistas. Mas todos resolviam as coisas nos punhos, não com a cabeça. Já o Dr. Knight não ganhou seus poderes por acidente: ele construiu para si mesmo um “bastão cósmico” que captava “energia das estrelas”. Esse bastão o permitia voar e disparar raios com ele. Com um garboso uniforme vermelho e uma estrela amarela no peito que nome melhor que Starman, o defensor de Opal City?


    SARGON, O FEITICEIRO



    Como explicamos no caso acima da transformação de Tex Thompson em super-herói, o caso agora era que muito difícil uma série que não fosse de super-herói emplacar nas revistas. Os editores tinham começado essas publicações com bastante variedade, tentando agradar todo mundo, mas o sucesso de coletâneas especializadas em super-heróis como a Flash Comics mostrava que os leitores queriam eram super-heróis.

    Então a ALL-AMERICAN COMICS que começou com quase todas as histórias sendo de humor foi assim se transformando numa revista também só de super-heróis. Dando um chega pra lá em mais uma série cômica esquecível, apareceu SARGON, O FEITICEIRO, no número 26 da All American Comics, de maio de 1941.

    O personagem era mais um mago que atuava como super-herói. John Sargent no entanto ganhou seus poderes através do “Rubi da Vida”, que escondia debaixo do seu turbante. Assim como o Lanterna Verde Alan Scott, Sargon ganhou um sidekick adulto e gorducho como figura cômica, mas atrapalhando do que combatendo o crime, no caso seu empresário Maximiliam O’Leary.


    DE NAMORADA A SIDEKICK



    Shiera Sanders fez sua primeira aparição em Flash Comics 01, justamente como namorada do herói Carter Hall, o Gavião Negro. Assim como Carter é a encarnação do príncipe Khufu, Shiera é a encarnação da princesa Chay-Ara.

    Assim como as namoradas do Flash e do Sandman, Shiera logo ficou sabendo da identidade do seu namorado, e o ajudando a combater o crime – pelo visto só o Superman gostava mesmo de sofrer. Mais diferente delas, Shiera estava destinada a não ser apenas a namorada do herói. Estava destinada a ser sua parceira.

    Todo herói estava ganhando o seu “ajudante”. Poderia ser um menino ou uma figura cômica, que existia mais pra rir do que pra ajudar, no caso sujeitos fora de forma e atrapalhados – como os parceiros do Lanterna Verde, Sargon, Mr. América, etc. Mas nenhum herói ganharia um sidekick tão exuberante quando o Gavião.

    Afinal, foi em ALL STARS COMICS 05, de maio de 1941, que Shiera pela primeira vez usou as asas substitutas construídas por seu noivo para enganar os criminosos, vestida a caráter. Não demorou muito e ela adotaria o nome HAWKGIRL (Garota Gavião, que aqui no Brasil foi batizado pela Ebal de Mulher-Falcão).


    MAIS UM VELOCISTA



    Era tanto super-herói que as idéias originais podiam estar acabando. Mas não condenemos o escritor Mort Weisinger por criar um novo velocista se já tínhamos o Flash. Afinal, Johnny Quick faria usos mais criativos do seus poderes e ainda podia voar!

    JOHNNY QUICK estreou no número 71 da MORE FUN COMICS, de setembro de 1941. Johnny Chambers é um repórter fotográfico que recebe de seu tutor uma fórmula secreta: uma equação que quando repetida lhe dá supervelocidade! O segredo havia sido achado na tumba de um faraó egípcio.

    Mais importantes do que as aventuras do herói ligeirinho que dividiria doravente as paginas de More Fun Comics com o Espectro e o Senhor Destino, é a estréia de Mort Weisinger na National Comics. Esse escritor e editor seria responsável pela criação de muitos personagens novos, principalmente na mitologia do Superman, nos anos vindouros.


    UM CAVALEIRO NOS TEMPOS MODERNOS



    Em setembro de 1941, a ADVENTURE COMICS trouxe mais um atração: a armadura, a espada, o cavalo alado, davam contas de uma série de fantasia com cavaleiros medievais. Nada mais errado: era o incomum novo super-herói criado por Creig Fressel.

    O CAVALEIRO ANDANTE (Shining Knight, algumas vezes no Brasil chamado de Cavaleiro Cintilante, numa tradução mais fiel) fez sua primeira aparição no número 66 da Adventure Comics, de setembro de 1941.

    Sir Justin era um dos cavaleiros da tabula redonda que ganhara do mago Merlin uma armadura, escudo e espadas indestrutíveis, além de um cavalo alado. Sua missão era caçar e destruir o ogro Blunderbore, que matara o primo da Rainha Guinevere. Sir Justin conseguiu derrotá-lo, mas causou uma avalanche e acabaram soterrados no gelo, entrando em animação suspensa!

    Então nos tempos modernos, o cavaleiro foi despertado quando descoberto por arqueólogos, e passou a fazer o que sabia fazer melhor, lutar contra os mal-feitores, defendendo os fracos e oprimidos como exige o código dos cavaleiros da tabula redonda.


    OS MELHORES DO MUNDO



    Superman e Batman tinham suas próprias revistas mas era pouco. Elas vendiam tanto, que os editores estavam dispostos a dar doses ainda maiores dos heróis mais queridos da América. A idéia era um novo almanaque: WORLD’S FINEST, simplesmente os Melhores do Mundo!

    Mas essa publicação teria ainda mas páginas: 96, custando quinze cents. Se os editores achavam que podiam cobrar cinco centavos a mais num gibi, estavam completamente certos! Afinal era o gibi que tinha Superman, Batman e Robin nas capas! A revista inicialmente seria publicada trimestralmente, a cada estação.

    As primeiras edições trouxeram também histórias de personagens que não tinham ganho espaço na All Stars, como o mago Zatara e o hoje esquecido proto-herói patriótico da All American Comics Red, White & Blue. Não durou muito porém, Superman e Batman acabaram ocupando todos as páginas, com várias histórias deles. Até o Robin ganhou aqui suas primeiras histórias próprias. É bom lembrar que embora tenha sido conhecida como revista da parceira dos dois heróis, durante todos os anos 40, os heróis não agiam juntos em World’s Finest, apenas dividiam suas páginas, em histórias solo cada.


    NOVA REVISTA, NOVOS HERÓIS



    A demanda era a alta, e a National queria mais era faturar. Então já estava na hora de lançar um novo gibi, uma nova antologia com várias séries de super-heróis.

    O nome escolhido para a revista foi STAR SPANGLED COMICS, aproveitando a onda patriota que a América vivia. Se era assim, tinha que ter um carro chefe a altura. Chamaram então Jerry Siegel, o pai do Superman, e encomendaram uma nova série. Foi assim que ele criou o Star-Spangled Kid & Stripesy, uma dupla deveras incomum.

    O que diferenciava eles das demais duplas dos quadrinhos, é que o sidekick era o adulto! Star-Spangled Kid (no Brasil, Sideral), era um garoto, Sylvester Pemberton, que resolveu se tornar super-herói inspirado pelos quadrinhos que lia e combater os espiões nazistas que supostamente pululavam a América. O empregado da sua família, o motorista Pat Dugan, para proteger o garoto, acabou entrando na brincadeira e se torna o seu assistente, o Stripesy.Mas que fique claro, quem dava as ordens era o patrãozinho!

    O primeiro número de Star Spangled Comics foi às bancas norte-americanas em outubro de 1941. Além da dupla de heróis, outras atrações, das quais a mais durável foi o herói TARANTULA, criado também por Mort Weisinger. John Law era outro aventureiro sem poderes que decide combater o crime, mas por um motivo talvez egoísta: buscar inspiração para seus livros. Além de bom de briga, o herói também tinha uma arma que disparava teias! Familiar, não? O personagem viveu seus dias finais na revista do Asa Noturna, infelizmente essas histórias não foram publicadas no Brasil.


    O VINGADOR ESCARLATE GANHA COLANTE



    A onda de super-heróis não perdoava ninguém. O pobre Vingador Escarlate, criado pro Jim Chumbers, era um herói dos pulps, um tipo de Sombra ou Besouro Verde, que foi completamente colocado pra escanteio devido a presença do Batman em DETECTIVE COMICS. Tanto que chegou a tirar umas “férias” das revistas, e poderia muito bem ter sido condenado ao limbo, como tantos outros personagens e séries que não mencionamos neste compêndio justamente para não ocupar tanto espaço.

    O que tornaria o Vingador Escarlate relevante seria sua volta, pelas mãos do artista/escritor Jack Lehti, a partir do número 38. No número 44 da Detecive Comics, de outubro de 1940, o personagem ganhava uniforme colorido, assim como seu sidekick. Eram os novos tempos. O personagem também deixou de matar os seus adversários e preferir usar os punhos, em brigas amigáveis.


    AQUAMAN E ARQUEIRO VERDE



    A edição 73 de More Fun Comics, de novembro de 1941, vale muito no mercado de colecionáveis. Não é a toa. Afinal, neste mesmo gibi, estrearam duas novas séries: ARQUEIRO VERDE e AQUAMAN!

    Ambos eram crias de Mort Weisinger, que se não teve problema de copiar o Flash meses antes, agora chupinhava um pouco do Submariner (o nosso Namor), da Timely para apresentar o seu Aquaman, e apresentava uma mistura de Robin Hood com Batman, no que resultou o nosso querido Arqueiro Verde!

    AQUAMAN foi criado visualmente pelo desenhista Paul Norris. Mas diferente de Namor, que era um anti-herói, o nosso Aquaman era um galante herói das profundezas marinhas, de cabelo loiro e orelhas redondas, além de um colante laranja e calças verdes! Outra diferença é que o Aquaman original não era atlante, mas era humano! Isso mesmo, você não leu errado: o pai do Aquaman era um cientista que descobriu as ruínas do reino perdido da Atlântida. Lá ele e seu filho viveram, e descobriram o segredo para respirar debaixo da água. Viver naquela pressão desenvolveu superforça no garoto, além de aprender como se comunicar com os animais marinhos e se movimentar a grande velocidade na água. Em suma, a origem do novo Aquaman que Kurt Busiek usou nada mais era que recuperar a origem do Aquaman original!



    Já o ARQUEIRO VERDE foi desenvolvido graficamente por George Papps. A inspiração do escritor Mort Weisinger era obviamente Robin Hood, mas ele também cita o livro “The Greenv Archer”, de Edgar Wallace como ponto de partida na criação do herói. De resto, o Arqueiro Verde ganhou um parceiro mirim, Speedy, um “Flecha-Carro”, um “Flecha-Avião” e uma “Flecha- Caverna”. Santo cópia, Batman! Acha pouco? O Arqueiro Verde também era um playboy milionário na identidade secreta, o industrial Oliver Queen, era o defensor de uma cidade fictícia, Star City, e seu arquinimigo era um palhaço chamado “Bull’s Eye”.

    Mort Weisinger não era lá muito criativo inicialmente, mas apegado as suas crias. Quando a moda dos superheróis acabou, vários supersujeitos populares como Lanterna Verde e Flash tiveram que se aposentar. O Aquaman e o Arqueiro Verde não, Weisinger sempre dava um jeito deles serem apresentações “back-ups” em outras revistas.


    O PRIMEIRO VIGILANTE



    Tex Thompson teve que virar Mr. America pra ficar na Action Comics. Outras apresentações, que traziam histórias de humor, aventura e western não se adaptaram e tiveram que ceder a vaga para os super-heróis. Afinal se alguém comprava o gibi mensal para ler as histórias do Superman, era justamente esse tipo de história que queria.

    Por isso, no número 42 da Action Comics, de novembro de 1941, apareceu mais um herói, o VIGILANTE. Ele foi criado pro nosso amigo Mort Weisinger (que estava a toda naquele ano) e o desenhista Mort Meskin. O novo herói teria uma carreira longeva na Action Comics, ficando na publicação até os anos 50, superando muita estrela que se aposentou antes!

    Greg Sanders era um cowboy moderno: cantor de música country, sabia montar e atirar como ninguém, além de ser hábil no manejo do chicote. Seu avô tinha sido um combatente índio, e seu pai era xerife numa cidade do oeste, quando foi então assassinado. Sanders voltou para casa e decidiu fazer justiça com as próprias mãos, já que a polícia não conseguia pegar os criminosos responsáveis. Assim nasceu o Vigilante. Sua roupa basicamente eram de um cowboy mascarado, o que poderia confundi-lo com um herói das histórias do velho oeste, não se passassem nos nossos dias, e Greg preferia usar uma moto ao cavalo!


    FLASH E LANTERNA VERDE GANHAM SUAS REVISTAS



    Em dezembro de 1941 saíram duas novas revistas, dando destaque aos dois novos astros da casa: FLASH E LANTERNA VERDE tiveram a honra de ganhar revista própria, coisa que até então só havia sido conferida ao Superman, Batman e a dupla cômica Mutt & Jeff (a republicação de uma popular tira de jornais da época).

    Assim como esses três últimos, ALL-FLASH e GREEN LANTERN eram revistas trimestrais, que saiam sempre no começo de cada estação, trazendo algumas histórias inéditas e várias republicações, para quem perdeu os números da Flash Comics e All American Comics, revistas onde eles apareciam todos os meses.



    A revista do Flash foi chamada de ALL FLASH para não ser confundida com a Flash Comics, obviamente. E a título de curiosidade querem saber quem vendia mais, Flash ou Lanterna? Flash. Em menos de dois anos, a revista deixou de ser trimestral e passou a ser bimestral enquanto Green Lantern foi trimestral durante toda sua carreira.


    SANDMAN: COLANTE E SIDEKICK



    Assim como o Vingador Escarlate, o Sandman parecia um herói saído das pulp magazines, com sua roupa civil. O seu disfarce era uma máscara de gás e as histórias eram sobre crimes e mistério, não sopapos e ação, coisa que era a tônica do gênero dos super-heróis.

    Assim, para os editores da ADVENTURE COMICS, Wesley Doods deveria mudar ou sumir. A dupla que criara Aquaman, Mort Weisinger e Paul Norris, assumiu a série e mudou tudo: o herói passou a usar um colante amarelo e púrpura, e ganhou um sidekick: Sandy, the golden boy, o sobrinho de Dian Belmonte, a noiva do herói.

    A estréia da nova roupagem foi no número 69, de dezembro de 1941. Não foi só o uniforme que mudou. Também o clima das aventuras, que passaram a incluir supervilões e muito mais pancadaria e acrobacias. O Wesley Doods detetive, enfrentando criminosos do mundo real, só voltaria anos mais tarde numa badalada revista do selo Vertigo, nos anos 90.


    UM NOVO TIPO DE HERÓI



    O final do ano trouxe aquela destinada a ser a terceira grande personagem do universo DC, ficando atrás somente de Superman e Batman.

    Sua estréia na verdade foi tímida e reservada, sem o menor barulho: Se tratava apenas de uma história “back-up”, no finalzinho da All Star Comics, a revista que se destinara a ser carro chefe da Sociedade da Justiça da América.

    Isso mesmo, apesar de se tornar a principal atração da Sensation Comics nos meses seguintes, a MULHER-MARAVILHA fez sua estréia no número 08 de All Star Comics, de dezembro de 1941.

    Ela foi o primeiro trabalho de um intelectual que até então não escrevia quadrinhos, o psicólogo William Moulton Marston. Dois anos antes, após ele ter defendido o poder pedagógico das histórias em quadrinos, Marston foi convidado por Max Gaines, co-fundador e sócio da All Americana Publications para ser consultor das suas revistas.

    Participando das reuniões e lendo aqueles gibis, Marston teve a idéia dele mesmo criar um novo tipo de herói: “Um que triunfasse não com punhos ou poder de fogo, mas com o amor”, disse. “Ótimo. Mas tem que ser uma mulher”, observou sua esposa, Elizabeth.

    Marston era apaixonado por sua esposa, que acreditava ser um novo tipo de liberada, emancipada mulher, incomum para aqueles anos 40. Ele se baseou nela para criar a nova personagem, que depois foi desenvolvida graficamente por Harry G. Peter.

    A heroína iria ser o carro chefe da SENSATION COMICS, a nova revista que a All-American iria lançar no começo de 1942. Pra promover o novo lançamento, os editores pediram uma história curta que foi incluída no exemplar de dezembro da All Star Comics. E o resto, como dizem, é história.


    A LEADING COMICS E OS SETE SOLDADOS DA VITÓRIA



    Apesar da parceria, a National Comics e a All American Publications eram empresas diferentes. A National pertencia a Harry Donenfeld, enquanto a All American era de Max Gaines e Jack Liebowitz, esse último, contador de Donenfeld, portanto funcionário de ambas as empresas. Todos os gibis eram impressos e distribuídos pela Independent News, de propriedade de Donenfeld.

    Assim, não havia problemas de personagens da National apareceram nas revistas da All American e vice-versa. A única rivalidade, se havia, eram dos editores, que trabalhavam em empresas diferentes. Mort Weisinger, que trabalhava para a National, de certo sentiu-se novamente “inspirado” pela criação alheia, no caso a bem sucedida revista ALL STAR COMICS, da All American Publications, que tinha na Sociedade da Justiça da América seu carro chefe.

    Weisinger então resolveu reunir os heróis da National que ainda não participavam da Sociedade em seu próprio clube, ou seja, uma revista “quartely” (trimestral), uma antologia com os heróis da National que não tinham antologia tal como a All Star Comics era para os personagens da All American Publications. Mas quem sobrara?

    O Arqueiro Verde da More Fun Comics; Vingador Escarlate, da Detective Comics; o Cavaleiro Andante, da Adventure Comics; o Vigilante, da Action Comics; e o Star-Spangled Kid & Stripesy, da Star-Spangled Comics. Um conjunto minguado de pouco peso de poderes e heróis. Mas era o que Weisinger tinha em mãos (o Aquaman passava todo tempo debaixo do mar e viajando pelo mundo, fora dos EUA, por isso não era cogitado).

    O grupo foi chamado de “Sete Soldados da Vitória”. Diferente da SJA, os sidekicks foram admitidos na equipe (provavelmente pra fazer volume). Assim como a Sociedade em All Star Comics, as histórias iniciais dos Sete Soldados na verdade eram antologias de cada um desses personagens vivendo suas próprias aventuras, escritas e desenhadas por autores diferentes, amarradas de alguma forma por um caso em comum, ou então eles simplesmente se reunindo e trocando experiências!

    Nem de longe se comparava ao sucesso da SJA. Mas a equipe esteve por pelo menos 15 números a frente da Leading Comics, que era trimestral e aparecia a cada estação nas bancas norte-americanas.


    1942: OS SUPER-HERÓIS SE ALISTAM

    Em 07 de dezembro de 1941 os Estados Unidos declararam guerra ao Eixo – Alemanha, Itália e Japão. Acabou se tornando um consenso na sociedade norte-americana a guerra, ainda mais depois do ataque a base naval de Pearl Harbor.

    Antes mesmo disso, muitos heróis já combatiam sabotadores nazistas ou ia à Europa dar uma força para os ingleses e a resistência francesa. Mas agora o jogo era pra valer. Praticamente todo super-herói entrou no clima da guerra, afinal os editores perceberam que patriotismo vendia gibi. Por isso houve a febre dos heróis patrióticos, e os que não eram, que passassem a ser. Foi bem nesse clima, que a terceira maior personagem da DC conheceu sua ascenção.


    ELA ERA SENSACIONAL!



    Em janeiro de 1942 foi lançada a primeira edição da SENSATION COMICS, o mais novo sucesso da All-American Publications. Na capa, a MULHER-MARAVILHA, que já havia estrelado uma pequena história back-up no finalzinho de All Star Comics 08, em dezembro passado.

    Foi nas páginas de Sensation Comics que a Mulher-Maravilha deu início a sua escalada para a glória. Era uma aposta em tanto dos editores lançar uma super-heroína num mercado onde a maioria dos consumidores eram meninos. Heroínas já haviam aparecido antes, mas nenhuma era um Best-Seller.

    Mas a Mulher-Maravilha conseguiu o feito impressionante de nos anos 50 ser “um gibi para meninas”, isso é, cativou as meninas a também comprarem um gibi com uma super-heroína. Mas importante, os rapazes compraram, atraídos pelas belas curvas da morena, uma das primeiras heroína com pouca roupa de todos os tempos (e vai ver o segredo era esse).

    Por trás de todo esse apelo a libido (dos meninos) e identificação (das meninas) estavam os ideais feministas do seu criador William Moulton-Marston, mas tratados de uma forma tão sutil e com tal pano de fundo que o gibi jamais pareceu chato ou didático para os jovens.

    Outra coisa importante é que a Mulher-Maravilha vestia as cores patrióticas da bandeira norte-americana e se alistou bem cedo na 2ª Guerra Mundial. Tal como o Capitão América, da Timely, Diana ia direto ao encontro dos anseios dos leitores do seu tempo, que era combater a tirania e a opressão na Europa. O Capitão América era um soldado, Diana Prince era uma secretária do exército. Eles estavam no meio do confronto, não fazendo passeios como o Superman e o Batman.



    Mas a Mulher Maravilha não estava sozinha na revista de 68 páginas, é claro. Havia várias outras apresentações – lembrem que as histórias eram curtas, tendo no máximo 13 páginas. Um personagem famoso do Universo DC que estreou na SENSATION COMICS 01 foi o PANTERA (no original, Wildcat), criado pelo escritor Bill Finger e o desenhista Irwin Hansen.

    Ted Grant era um boxeador injustamente perseguido que criou a identidade de super-herói para limpar o seu nome. Como a maioria das estrelas da All American Publications, o destino do Pantera era também fazer parte da Sociedade da Justiça.



    Outro personagem que também começou a ter suas histórias publicadas na Sensation Comics 01 e futuro colega de Ted na Sociedade da Justiça é o nosso “SR. INCRÍVEL” (Mister Terrific, no original). Criado por Charles Reizenstein e Hal Sharp, Terry Sloane era um homem de múltiplos talentos devido a sua memória fotográfica. Grande atleta, lutador marcial, homem de negócios. Sem desafios, o tédio o levou a desenvolver tendências suicidas, até que após salvar uma suicida da morte, se inspirou a salvar os outros, e adotou assim a identidade de “homem-misterioso” (eles não se chamavam super-heróis naquela época).



    Além desse “trio campeão”, havia também outras atrações curiosas na revista como o GAY GHOST (é isso mesmo que você leu!). Mas apesar do nome, Keith Everett estava interessado em mulheres, ou melhor, numa mulher, sua noiva, que teve que abandonar quando foi morto no século XVIII. Seus ancestrais o devolveram com a promessa de que lutaria pela causa da justiça. Mas há uma condição, ele tem que esperar por sua noiva vir buscá-lo. Só que ela acha que ele morreu e vai para a América. Por séculos, o fantasma assombra o castelo na Irlanda, até que uma descendente de Debora Wallace retorna, mas sabotadores nazistas estão atrás dela. O namorado de Debora é morto, mas o Fantasma encarna no corpo do rapaz, e após derrotar o rapaz, ele volta para a América com a noiva, onde passa a lutar contra o crime. Essa rocombolesca história criada por Gardner Fox e Howard Purcel foi publicada até o número 38 da Sensation Comics.

    Outra atração da revista eram as aventuras de capa e espada de “Black Pirate”. O anti-herói Jon Valor havia feito sua estréia em Action Comics 23, mas foi em Sensation Comics onde achou um lar onde suas histórias eram mensalmente publicadas.


    O PRIMEIRO ONDA AÉREA



    De vez em quando aparece nos quadrinhos da DC um super-herói (ou vilão) chamado Onda Aérea. Todos eles na verdade são sucessores de um esquecido super-herói dos anos 40, que figurou na mesma Detective Comics onde Batman reinava.

    Airwave estreou no número 60, de fevereiro de 1942 na Detective Comics. Ele foi criado pelo desenhista Lee Harris com uma ajudinha do escritor/editor Mort Weisinger. O herói na identidade civil era Larry Lawrence, que desenvolveu um equipamento de rádio que permitia controlar não só as ondas de rádio como a eletricidade. Além de patinar em fios de alta tensão, esse personagem quase cômico tinha um papagaio como sidekick, com quem batia papo durante as lutas!


    DUPLA EXPLOSIVA



    Na World’s Finest 05, primavera de 1942, foi a publicada a primeira história de mais uma nova dupla de heróis, criada por Mort Weisinger: TNT & DAN, the dyna-mite. O professor Tex Thomas e seu aluno Daniel Dumbar foram vítimas de um acidente radiotivo, e assim descobriram que se tocando ganhavam poderes: força, velocidade e habilidade de gerar energia (Thomas gerava calor, e Dumbar gerava eletricidade). Eles fizeram anéis, que tinham que juntar para acionar os seus poderes, que tinham curta duração.

    Depois da estréia na World’s Finest, a dupla se mudou para a STAR SPANGLED COMICS, onde a partir do número 07, de abril de 1942, passou a ser publicada mensalmente. Dentro do clima da Guerra, ele e seu parceiro tiveram diversas aventuras contra nazistas, na Europa.


    A LEGIÃO JOVEM E SEU GUARDIÃO



    Depois do sucesso do Capitão América, na Timely Publications, os editores da National contrataram o estúdio que produzia o herói para fazer e reformular algumas séries para eles. Tratava-se da dupla Joe Simon (texto) e Jack Kirby (desenhos), realizando assim a primeira migração de peso de uma dupla de artistas para uma editora concorrente.

    Uma das primeiras criações de Simon & Kirby para a DC foi com a LEGIÃO JOVEM, no original “Newboy Legion”, ou seja a legião de entregadores de jornal! Assim como a dupla Star Spangled Kid & Stripesy, era a inversão de um conceito interessante. Muitos heróis tinham uma “equipe de apoio” formada por garotos que os ajudavam em pequenas tarefas (como o Superman com os “superhomens da América” e o Capitão América com os “sentinelas da liberdade). Aqui era um grupo de garotos que eram os astros da série, com o herói, no caso o Guardião (quer nome melhor para uma verdadeira babá de moleques encrenqueiros?) aparecendo só no momento de salvá-los de uma enrascada maior.

    A estréia do grupo foi no número 07 da Star Spangled Comics, em abril de 1942. A legião é um grupo de garotos órfãos que vendem jornais pra sobreviver e tem problemas com a polícia. Mas um oficial, Jim Harper, simpatiza com os meninos e fica de olho neles, como o super-herói Guardião. O que fica cada vez mais difícil, porque os garotos ora se metem nos seus casos, ora tentavam investigar coisas por conta própria!


    O SEGUNDO, DIGO, O PRIMEIRO CAÇADOR



    Uma editora concorrente, chamada Quality Comics (que anos depois seria adquirida pela própria DC e hoje seus personagens fazem parte do UDC no geral) já havia lançado um super-herói chamado “Manhunter” (no Brasil, Caçador), que aparecia discretamente nas páginas de Police Comics.

    No entanto, nas páginas de Adventure Comics, desde o número 58 (de 1940) apareciam as histórias de um detetive amador que ajuda a policia, com o título de “Paul Kirk, Manunter” (algo como Paul Kirk, o caçador). Ele não usava nenhum uniforme especial e até aí era apenas mais uma historieta estrelada por um aventureiro/detetive, como inúmeras outras nas páginas de Action Comics e Detective Comics, por exemplo.

    Assim, fica a discussão, quem seria mesmo o primeiro Manhunter? Não importa. Joe Simon e Jack Kirby começaram uma série chamada “Manhunter” no número 73 da Adventure Comics, de abril de 1942, substituindo as histórias de Paul Kirk pelas aventuras de um aventureiro uniformizado que se chamava... Rick Nelson! Este sujeito era um caçador das selvas africanas que decidiu caçar criminosos nas grandes cidades.

    No entanto, já no número 74, o editor fez Simon mudar o nome do personagem para PAUL KIRK, justamente porque os leitores notaram que já existia um Manhunter na revista, Paul Kirk. A solução foi dizer que se tratavam da mesma pessoa, e Rick Nelson era um nome falso!


    SANDMAN EM RITMO DE AVENTURA



    No mesmo número 73 da Adventure Comics, a dupla Simon & Kirby começava outro run, agora assumindo o personagem Sadman. Seu uniforme já havia sido mudado por Paul Norris, e Mort Weisinger tinha lhe criado um sidekick, Sandy. Simon & Kirby mudaram o nome da série para “Sandman & Sandy, the golden boy”, e imprimiram um ritmo ainda mais frenético as histórios.

    Dizem as más línguas que muito da pancadaria e inimigos nazistas que a dupla enfrentou doravante se tratavam de histórias que Simon tinha pensado para o Capitão América, mas como da briga da dupla com o dono do Timely, Martin Goodman, por causa de direitos autorais, eles fizeram apenas as dez primeiras edições de Capitão América.

    Eles transferiram então esse “background” para essas histórias de Sandman, que de investigador já não tinha mais nada. O antigo empresário nerd e míope Wesley Doods de repente virou um sujeito atlético, capaz de várias faças de força e acrobacias, dignas de um supersoldado! Nem parece aquele sujeito meio gordinho que conhecemos através da linha Vertigo!


    O PRIMEIRO HOMEM-ROBO



    O número 07 com certeza foi de mudanças para Star Spangled Comics. Estava claro que Star Spangled Kid & Stripesy embora não fosse um fracasso, também não era um fenômeno que por si só garantiria as vendas da revista. Por isso a introdução de novas séries como a Legião Jovem e TNT & Dinamite.

    A esse time, também em abril de 1942, se juntou o HOMEM-ROBÔ. Não se trata do membro atual da Patrulha do Destino, Cliff Steele, mas de um herói completamente diferente (que inclusive deve ter influencido na criação de Cliff, o homem robô da era de prata).

    ROBERT CRANE era um cientista que foi mortalmente ferido. Para salvá-lo seu cérebro foi transportado para um corpo robótico. Depois de se vingar dos homens que o “mataram”, Crane passou a combater o crime. O personagem era mais uma criação de JERRY SIEGEL, com desenhos aqui de Leo Nowak.


    SOLDADOS ASSUSTADORES



    Com a América vivendo o clima da guerra, as HQs sobre o conflito começaram a pipocar. Um exemplo típico é “Ghost Patrol” (A patrulha fantasma), que estreou no número 19 de Flash Comics, de maio de 1942.

    A HQ é sobre três soldados fantasmas – Fred, Pedro e Slim – que podiam voar, atravessar paredes, ficarem invisíveis e se comunicar entre si sem que os humanos soubessem. Devidamente fantasmagóricos!

    Criados pela dupla de escritores Ted Udall e Emmanuel Demby, com arte de Frank Harry, a saga dos nossos heróis começa quando eles são mortos heroicamente para evitar que uma bomba nazista matassem inocentes. Mas seus espíritos não podem descansar enquanto não pegarem seus assassinos! Ainda assim a saga dos soldados iria além da guerra, depois aterrorizando gangsteres.


    AS CRIANÇAS VÃO A GUERRA



    Desde o Robin, os editores sabiam que os garotos gostavam de se ver no papel de super-heróis. O Star Spangled Kid e a própria Legião Jovem iam nesse sentido. Mas a grande aventura da época era a Segunda Guerra Mundial. Território de soldados em luta encarniçada. Definitivamente não era um lugar para crianças. Ou não?

    No mundo dos gibis da era de ouro tudo era possível. Simon & Kirby já haviam criado os “Sentinelas da Liberdade”, um grupo de garotos que combatiam os nazistas para a Timely Comics (e tinham freqüente ajuda do Capitão América, como o Guardião com a Legião Jovem). Eles resolveram fazer algo ainda mais radical, com garotos mais armados e dispostos a acabar com o inimigo: BOY COMMANDOS.

    A série estreou em junho de 1942 no número 64 da Detective Comics. Se tornou rapidamente popular, com histórias extras saindo na World’s Finest Comics 21 e 22. O ano nem acabaria e os moleques soldados ganhariam sua própria revista, em dezembro. Mais impressionante ainda é que segundo Jack Liebowitz, Boy Commandos foi a terceira revista que mais vendeu no período da Segunda Guerra, ficando atrás somente de Superman e Batman!

    E olha que a coisa não se deve somente ao patriotismo. Afinal, dos quatro meninos que compõem o comando, somente um é americano! Os Boys commandos são um grupo de adolescentes órfãos, que tiveram os pais mortos pelos nazistas! Então eles auxiliam os militares como uma tropa não-oficial, sobre o olhar vigilante do Capitão Rip Carter.
    O membro americano do grupo, simplesmente chamado “Brooklyn”, anos mais tarde seria revelado que se tratava do nosso sargento Dan Turpin, que Jack Kirby criou nos anos 70! (Ou melhor, recriou, já que ele havia sido co-criador de Brooklyn nos anos 40). O resto da equipe eram André, um garoto francês; Alfie, da Inglaterra; e Jan Hansen, da Noruega. Outros garotos iriam se juntar ao time com o passar dos anos.


    ESTRELA EM ASCENÇÃO



    Apenas seis meses depois da sua estréia, a Mulher-Maravilha ganhava sua revista trimestral. Os editores tinham ficado mais espertos depois dos fenômenos Superman e Batman a perceberem o que era sucesso, e agirem logo.
    WONDER WOMAN 01 foi lançada em junho/julho de 1942, como o “exemplar de verão”. Foi a mais longeva revista da heroína, sendo cancelada apenas em 1986, quando a série foi zerada e a heroína foi relançada, após 329 edições de altos e baixos.

    Na capa do primeiro número, Diana já aparece com o famoso “shortinho”, largando mão do vestidinho das primeiras aparições na Sensation Comics (onde continuava sendo mensalmente publicada). Para a época, era uma grande ousadia.


    MR AMERICA É AGORA O AMERICOMANDO



    Tex Thompson já estava combatendo sabotadores há mais de um ano como Mr. America quando, em setembro de 1942, no número 52 da Action Comics, ele se encontrou com o Presidente Roosevelt em pessoa que lhe deu uma importante missão: se infiltrar nas linhas inimigas alemães!

    Agora Tex Thompson era o Americommando, vivendo aventuras muito mais arriscadas e perigosas na Europa, em plena guerra mundial. Seu parceiro cômico, Fatman, com efeito, deixaria de aparecer. Os leitores não queriam brincadeira, afinal essa a Action Comics.

    A capa dessa edição em particular é interessante, porque Superman dominava completamente a cena desde 1939. Aqui é uma das raras ocasiões em que as demais estrelas do título aparecem ao selo lado: o citado Americommando, Zatara, Vigilante e Congo Bill, que se mudara para a revista desde o número 37 (junho de 1941).


    HERÓIS PATRIÓTICOS



    Como dito acima, também não demorou muito para Boy Commandos ganhar sua própria revista trimestral, seis meses após a sua estréia! Esses garotos guerrilheiros tinham assim uma honraria que nem ícones da era de ouro como Espectro, Star Spangled Kid, Starman, Gavião Negro, só pra citar alguns, não conseguiram.

    O número 01 saiu em dezembro de 1942. Mas diferente dos outros “almanaques” da editora, os jovens heróis não estavam sozinhos. Quase toda a totalidade da revista era deles, claro, mas havia uma exceção: LIBERTY BELLE.



    A heroína, criada pelo escritor Don Cameron, com desenhos de Chuck Winter, era mais uma na onda patriótica. Elizabeth “Libby” Lawrence é uma radialista que adquire seus poderes quando soa o “sino da liberdade”, importante cânone da mitologia norte-americana que está na cidade da Filadélfia. Esse sino soou para chamar a cidade na guerra da independência e até hoje é atração turística, aliás.

    Toda vez que esse sino soava, Libby ganha superforça, resistência e velocidade. Para tocar o sino para ela, ganhou um assistente (tocar o sino? Sei, sei, por favor não pensem besteira!). Isso de certa forma a limitava a combater na sua cidade natal, onde combatia sabotadores nazistas em geral. Após dois números na Boy Commandos, a heroína se mudaria em definitivo para a Star Spangled Comics, onde ficaria até o final da guerra.


    DOSE TRIPLA



    O final do ano reservaria ainda mais uma revista da All American Publications. Afinal, se a National tinha WORLD’S FINEST, uma revista de 15 centavos e 100 páginas, com suas maiores estrelas Batman e Robin, porque a All American não poderia ter uma revista igual?

    Os heróis escolhidos para a nova publicação foram os três personagem mais famosos da American Publications: Mulher-Maravilha, Flash e Lanterna Verde, respectivamente.

    COMICS CAVALCADE 01 saiu no finalzinho do ano de 1942, como um almanaque trimestral de 100 páginas, sendo assim a segunda revista DC a custar 15 centavos. Era uma dose tripla dos heróis que já eram carros chefes das suas publicações mensais (Sensation Comics, Flash Comics e All American Comics), tinham seus almanaques trimestrais próprios e ainda por cima saiam em mais essa antologia.

    1943: ECONOMIA DE GUERRA

    As revistas em quadrinhos vendiam muito, mas a América passava por uma economia de guerra: ou seja, significa que muitos produtos começam a faltar, devido ao conflito na Europa. O papel no mercado começou a ficar escasso, e a National Comics e a All American Publications, como muitas editoras, tiveram que parar o seu crescimento para atender as exigências do departamento de Guerra.

    O pedido do governo é que as editoras usassem 10% menos de papel do que em 1942. Em suma, isso impediu o surgimento de novas revistas não só naquele ano, como até 1945. Mais grave ainda, algumas revistas tiveram que deixar de ser mensais como a More Fun Comics e a Adventure Comics, que deixaram de ser mensais, e passaram a ser bimestrais. A All American Comics passou a ter oito número por ano, ao invés de doze.

    As únicas revistas mensais eram as que mais vendiam, como Action Comics, Detective Comics, Sensation Comics, Flash Comics e a Star Spangled Comics.

    Bimestralmente eram publicadas as revistas Superman, Batman, Wonder Woman, All Flash, All Stars Comics e Mutt & Jeff (dupla satírica de humor que havia surgido nos jornais dos anos 30).

    Já trimestralmente saíam Boy Commandos, World’s Finest, Leading Comics, Green Lantern, Comic Cavalcade e “Picture Stories from the Bible”. Esta última era uma revista lançada pela All American no ano anterior, onde o título já diz tudo.
    Assim, sem poder criar novos super-heróis, os editores se concentraram em criar personagens coadjuvantes e apimentar os quadrinhos que já publicaram.

    Por outro lado, 1943 foi quando o primeiro superherói DC ganhou uma adaptação em live-action – afinal o Superman tinha ganho até então uma série de desenhos animados e outra de rádio. Mas o primeiro a ser intepretado por um ator de carne e osso foi... o Batman! Com 15 episódios, a série ficou longe de ter o mesmo sucesso das séries do Capitão Marvel e do Fantasma... mas tiveram lá seu papel em aumentar a popularidade do personagem.

    O PRIMEIRO ALFRED



    Conhece esse sujeito bonachão aí em cima? Poisé, ele é Alfred Pernyworth, o mordomo do Batman. Não, eu estou falando sério. Pelo menos foi desta forma que ele se parecia em Batman 16, de abril de 1943, em sua primeira aparição.

    Alfred inicialmente uma figura cômica nas histórias (como o parceiro do Lanterna Verde Alan Scott): um mordomo que mais atrapalhava do que ajudava quando se metia a dar uma de detetive. Isso iria um ano depois, onde Alfred ganharia a imagem que conhecemos, graças ao ator William Austin, que fazia seu papel na primeira bat-série do cinema. Assim, o Alfred que conhecemos até hoje tem a fuça do Austin (exceto nos filmes atuais, ironicamente).


    E SURGE A KRIPTONITA

    Se a aparência do Alfred veio do cinema, devemos a kriptonita ao rádio. Aliás, já havia sido o rádio que havia dado nome aquele Office boy que aparecia nas histórias em quadrinhos do superman, um moleque ruivo e sardento. Como o rádio é um meio de comunicação que só conta com as palavras, tinham que inventar um nome e uma voz pra ele: Jimmy Olsen. Mas isso foi em 1941. Em 1943, o programa de rádio do Superman – um dos mais ouvidos da América – criou um meteorito capaz de tirar de enfraquecer o homem de aço: a kriptonita!

    No entanto, o minério só daria as caras nos quadrinhos em 1949. Demorou pra cair a ficha, principalmente do criador/escritor Jerry Siegel, que chegou a escrever uma história onde um meteorito também enfraquece o Superman, mas é chamado de... Metal X!


    LÁ VEM ELA, VESTIDA DE CHEETA...



    Se o Superman tem Lex Luthor e o Batman tem o Coringa, quem seria a arqui-inimiga da Mulher-Maravilha, o terceiro ícone da DC? Vários candidatos apareceram nas páginas de Sensation Comics, mas Cheetah ocupa o posto de mais antiga e tradicional das rivais da maravilhosa.

    Sua primeira aparição se deu na Sensation Comics 06, de outubro de 1943. A primeira delas era uma mocinha aristocrática chamada Priscilla Rich, que tinha problemas de dupla personalidade. É essa versão que aparece no famoso desenho dos superamigos contra a Legião do Mal. A personagem acabou morta no início dos anos 80 e substituída brevemente por sua sobrinha, Debora Domaine, mas logo veio a Crise nas Infinitas Terras e apagou isso tudo. Hoje a vila atenta pelo nome de Dra. Barbara Minerva, e tem um visual melhorado – além de ser bem mais perigosa.


    O HOMEM IMORTAL



    VANDAL SAVAGE é uma figurinha carimbada no universo DC, e os leitores estão acostumados a vê-lo enfrentar a Sociedade da Justiça, ou então o Flash Wally West. No entanto, nos anos 40, quando surgiu, o vilão era pedra no sapato de outro super-herói... Alan Scott, o primeiro Lanterna Verde!

    Ele apareceu pela primeira vez no número 10 da revista trimestral do Lanterna Verde, Green Lantern Quartely, em dezembro de 1943. Se Savage não conseguiu a fama que Lex Luthor ou o Coringa tiveram, se deve ao fato principalmente do Lanterna Verde ser então um personagem de segundo escalão. OU talvez por Savage, assim como Solomon Grudy, o outro adversário de Alan Scott, era bem mais assustador que os inimigos do Batman e Superman!

    Savage era inspirado naqueles misteriosos vilões imortais das pulp fictions, tais como Fu Manchu, só que não era oriental. Logo ficou claro que ele era grande demais para o Lanterna Verde, e ele iria marcar ponto em All Star Comics, enfrentando t
    So many of our dreams at first seem impossible, then they seem improbable, and then, when we summon the will, they soon become inevitable.”
    - Christopher Reeve (1952-2004)

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    Bem, ele agora fez uma recaptulação dos personagens da Era de Ouro e escreveu sobre os Criadores da Era de Ouro.
    Estou postando aqui.

    Sobre o link do topico original vou postar tb okay.


    [hide:07f01bf72c]OS HERÓIS DA ERA DE OURO



    DOUTOR OCULTO
    Criado por Jerry Siegel & Joe Shuster (primeira aparição: More Fun Comics 06, setembro de 1935)


    SLAM BRADLEY
    Criado por Jerry Siegel & Joe Shuster (primeira aparição: Detective Comics 01, março de 1937)


    SPEED SAUNDERS
    Criado por Creig Fressel (primeira aparição: Detective Comics 01, março de 1937)


    SUPERMAN
    Criado por Jerry Siegel & Joe Shuster (primeira aparição: Action Comics 01, maio de 1938)


    ZATARA
    Criado por Fred Guardineer (primeira aparição: Action Comics 01, maio de 1938)


    TEX THOMPSON (futuramente Mr. America e Americommando)
    Criado por Bernard Baily (primeira aparição: Action Comics 01, maio de 1938)


    VINGADOR ESCARLATE
    Criado por Jim Chambers (primeira aparição: Detective Comics 20, setembro de 1938)


    BATMAN
    Criado por Bob Kane e Bill Finger (primeira aparição: Detective Comics 27, maio de 1939)


    SANDMAN (Wesley Doods)
    Criado por Gardner Fox e Bert Christian (primeira aparição: Adventure Comics 40, junho de 1939)



    HOP HARRIGAN
    Criado por Jon Blummer (primeira aparição All American Comics 01)



    FLASH (Jay Garrick)
    Criado por Gardner Fox e Harry Lampert (primeira aparição: Flash Comics 01, janeiro de 1940)


    GAVIÃO NEGRO
    Criado por Gardner Fox e Dennis Neville (primeira aparição: Flash Comics 01, janeiro de 1940)


    JOHNNY TROVOADA
    Criado por John Wentworth e Stan Achmeier (primeira aparição: Flash Comics 01, janeiro de 1940)


    O CHICOTE
    Criado por John Wentworth e George Storm (primeira aparição: Flash Comics 01)


    O ESPECTRO
    Criado por Jerry Siegel (primeira aparição: More Fun Comics 52, fevereiro de 1940)


    HOMEM-HORA
    Criado por Ken Fitch e Bernard Baily (primeira aparição: Adventure Comics 48, março de 1940)


    ROBIN
    Criado por Jerry Robinson e Bill Finger (primeira aparição: Detective Comics 38, abril de 1940)


    SENHOR DESTINO
    Criado por Gardner Fox (primeira aparição: More Fun Comics 55, maio de 1940)


    CONGO BILL (futuro Congorilla)
    Criado por Withney Ellsworth e George Papp (primeira aparição: More Fun Comics 56, junho de 1940)


    LANTERNA VERDE (Alan Scott)
    Criado por Martin Nodell e Bill Finger (primeira aparição: All American Comics 16, julho de 1940)


    ÁTOMO
    Criado por Ben Flinton e Bill O’Conner (primeira aparição: All American Comics 19, outubro de 1940)


    RED TORNADO (Ma Hunkel)
    Criada por Sheldon Meyer (primeira aparição: All American Comics 03, como Ma Hunkel, All American Comics 20, como Red Tornado, novembro de 1940).


    SOCIEDADE DA JUSTIÇA DA AMÉRICA
    Criada por Sheldon Meyer e Gardner Fox (primeira aparição: All Star Comics 03, dezembro de 1940)


    DOUTOR MEIA-NOITE
    Criado por Charles Reizenstein e Stanley Aschmeier (primeira aparição: All American Comics 25, abril de 1941)


    STARMAN (Ted Knight)
    Criado por Jack Burnley (primeira aparição: Adventure Comics 61, abril de 1941)


    SARGON, O FEITICEIRO
    Criado por John Wentworth e Howard Purcell (primeira aparição: All American Comics 26, maio de 1941)


    JOHNNY QUICK
    Criado por Mort Weisinger (primeira aparição: More Fun Comics 71, setembro de 1941)


    CAVALEIRO ANDANTE (ou CINTILANTE, depende da tradução)
    Criado por Creig Fressel (primeira aparição: Adventure Comics 66, setembro de 1941)


    SIDERAL & LISTRADO (ou FAIXA)
    Criado por Jerry Siegel e Hal Sherman (primeira aparição: Action Comics 40, setembro de 1941)


    TARANTULA
    Criado por Mort Weisinger (primeira aparição: Star Spangled Comics 01, novembro de 1941)


    AQUAMAN
    Criado por Mort Weisinger e Paul Norris (primeira aparição: More Fun Comics 73, novembro de 1941)


    ARQUEIRO VERDE E RICARDITO
    Criados por Mort Weisinger e Georg Papp (primeira aparição: More Fun Comics 73, novembro de 1941)


    VIGILANTE (Greg Sanders)
    Criado por Mort Weisinger e Mort Meskin (primeira aparição: Action Comics 42, novembro de 1941)


    MULHER MARAVILHA
    Criada por William Moulton Marston (primeira aparição: All Star Comics 08, dezembro de 1940)


    OS SETE SOLDADOS DA VITÓRIA
    Criados por Mort Weisinger (primeira aparição: Leading Comics 01, dezembro de 1941)


    PANTERA
    Criado por Bill Finger e Irwin Hansen (primeira aparição: Sensation Comics 01, janeiro de 1942)


    SR. INCRÍVEL
    Criado por Charles Reizenstein e Hal Sharp (primeira aparição: Sensation Comics 01, janeiro de 1942)


    FANTASMA GAY
    Criado por Gardner Fox e Howard Purcel (primeira aparição: Sensation Comics 01, janeiro de 1942)


    ONDA ÁREA
    Criado por Lee Harris e Mort Weisinger (primeira aparição: Detective Comics 60, fevereiro de 1942)


    TNT E DINAMITE
    Criados por Mort Weisinger (primeira aparição: World’s Finest 05, março de 1942)


    LEGIÃO JOVEM E O GUARDIÃO
    Criados por Joe Simon & Jack Kirby (primeira aparição: Star Spangled Comics 07, abril de 1942)


    O CAÇADOR (Paul Kirk)
    Criado por Joe Simon & Jack Kirby (primeira aparição: Adventure Comics 73, abril de 1942)


    HOMEM-RÔBO
    Criado por Jerry Siegel (primeira aparição: Star Spangled Comics 07, abril de 1942)


    GHOST PATROL
    criados por Ted Udall e Emmanuel Demby (primeira aparição: Flash Comics 19)


    BOYS COMMANDOS
    Criados por Joe Simon e Jack Kirby (primeira aparição: Detective Comics 64, junho de 1942)


    LIBERTE BELLE (também chamada no Brasil de Lili Liberdade)
    Criada por Don Cameron e Chuck Winter (primeira aparição: Boy Commandos 01, dezembro de 1942)
    OS CRIADORES DA ERA DE OURO

    JERRY SIEGEL


    Jerry Siegel é sem dúvida o criador mais importante da National Comics durante a Era de Ouro. E se não ganha em quantidade, nem em qualidade, ele ganha em importância. Foi ele quem criou o Superman, que deu início a todo o gênero.

    Antes do homem de aço, Siegel e seu amigo Joe Shuster tentaram outras séries, em diversos gêneros, desde Doutor Oculto, uma mistura de mago com detetive; Henry Duvall, as aventuras de um mosqueteiro no século XVII; Sandy Kean and the radio squad, uma série policial; Federal Man, uma série que misturava histórias policiais e ficção cientifica; Spy, uma série sobre espionagem, como diz o título; e finalmente o detetive Slam Bradley, a primeira estrela da revista Detective Comics. Este último e o Doutor Oculto são sem dúvida os mais importantes, a ainda aparecem nas revistas DC até os dias de hoje.

    Além do Superman, foi Siegel que criou alguns dos personagens principais do seu elenco coadjuvante, como Lois Lane, Lex Luthor, Mxpltz e o Galhofeiro. Não podemos esquecer-nos do Ultra-Humanóide, que acabou virando adversário numero um da Sociedade da Justiça.

    Depois do Superman, Siegel ainda criou o Espectro, sua Hq mais sinistra; a dupla de heróis que aqui já tiveram vários nomes Star Spangled Kid e Stripsy (chamados muitas vezes de Sideral e Listrado); e o primeiro Homem-Robô, que viria a servir de protótipo para o nosso conhecido Homem Robo da Era de Prata, Cliff Steele, da Patrulha do Destino.

    Por ultimo, Siegel fez uma reinvenção do seu próprio personagem de maior sucesso, ao criar o Superboy, a versão adolescente do Superman.


    GARDNER FOX


    Gardner Fox ganha no aspecto de qualidade, e fica no segundo lugar no quesito de importância. Ele começou criando o Sandman, e pensem bem, se ele não tivesse criado Wesley Doods, será que teríamos o clássico de Neil Gaiman nos anos 90?

    O sucesso no entanto só veio com suas criações posteriores: Flash, Gavião Negro, Senhor Destino, a própria Sociedade da Justiça... posteriormente, na Era de Prata, Gardner Fox estaria a frente da revitalização de vários títulos, incluindo a criação da super equipe da nova geração, a Liga da Justiça.

    Se ele é o “segundo autor mais importante” da Era de Ouro, perdendo só para Jerry Siegel, é incontestável que no computo geral de toda a história da DC, envolvendo todas as eras, ele sem dúvida foi o cara mais importante. Um verdadeiro herói infelizmente pouco conhecido inclusive pela maioria dos decenautas.


    MORT WEISINGER


    Mort Weisinger ganha no aspecto “quantidade” na Era de Ouro, principalmente pelo aspecto “cara de pau”. Enquanto a DC acusava o Capitão Marvel de plágio, Weisinger não tinha problema de sacar idéias, seja da concorrência,seja dentro da própria casa. Não a toa, sua primeira criação foi Johnny Quick, outro herói “mais rápido do mundo”, exatamente como o Flash, nas páginas de More Fun Comics! Ele tinha ousado dar a um superherói exatamente o mesmo superpoder do outro, numa época em que se um cara tivesse superforça, era acusado de copiar o Superman.

    E embora devamos a Weisinger coisas mais originais como o Tarantula, o Vigilante e a dupla TNT e Dinamite, esses são até hoje ilustres desconhecidos. São os plágios descarados de Weisinger que caíram na graça dos leitores, sendo os mais ilustres o Aquaman, inspirado como uma resposta ao grande sucesso da Timely Comics, Namor, o Principe Submarino; e Arqueiro Verde, que em vários aspectos era inicialmente uma cópia do Batman, apesar da inspiração também em Robin Hood.

    Ele ousou até mesmo copiar o conceito de super-equipe, inaugurado pela Sociedade da Justiça, criando os Sete Soldados da Vitória, com os “restolhos” da DC naquela época. Se hoje temos vários supermans por aí, como o Sentinela, Hiperion e Supremo, foi Weisinger que tornou isso possível, ao desafiar os limites do que seria plágio ou "homenagem".


    BILL FINGER


    Bill Finger é o maior injustiçado da história da DC. Ele é na verdade o co-criador do Batman, a quem nunca lhe foi dado o crédito, até hoje. Bob Kane apareceu com os rascunhos de um tal “Birdman” (sim, homem-pássaro!), e foi Finger que o transformou no Homem-Morcego. Que lhe deu a identidade secreta de Bruce Wayne, que criou o Comissário Gordon, e criou a sua origem macabra, uma das melhores e mais fortes dos quadrinhos, que funciona até hoje.

    Enquanto Bob Kane contratava “desenhistas fantasmas”, e assinava apenas seu nome nas histórias, eram Finger quem criava o enredo para a maioria das histórias do Batman, e ajudou a criar a maioria dos seus vilões, inclusive o Coringa, a Mulher-Gato, Hugo Strange, o Pinguim e o primeiro Cara de Barro.

    Além do Batman, devemos a Finger o primeiro Lanterna Verde, cujo crédito ficava também somente para o desenhista Martin Nordell. Por último, devemos a Finger o Pantera, nosso estimado e veterano Ted Grant, membro de quase todas as formações da Sociedade da Justiça.

    Além de criar esses personagens, Finger trabalhou para quase todas as séries da dC como escritor. Assim como Gardner Fox, Finger era uma fonte ilimitada na hora de criar histórias, numa industria voraz, que precisava de dezenas delas por mês.


    JOE SIMON & JACK KIRBY


    Essa dupla não dá pra tratar separadamente, porque são uma verdadeira entidade nos anos 40. Nunca dava pra saber onde começava um e terminava o outro, se a idéia original tinha sido do Jack ou do Simon, e o outro sempre contribuía tanto pro primeiro passo, que modificava a coisa toda.

    Hoje é típico a contratação de autores de sucesso de uma editora concorrente, mas nos anos 40, a primeira vez que isso aconteceu, foi com Simon & Kirby. Até então, os autores eram tidos pelos fãs como membros permanentes da casa onde trabalhavam. Simon & Kirby tinham criado o Capitão América, o maior sucesso da Timely.

    Uma briga dos autores com os editores da futura Marvel era o que a DC precisava, e os contratou na primeira chance. Um dos seus primeiros trabalhos foi reformular o herói Sandman, que era baseado nos decadentes heróis das pulp-magazines e transformá-lo num verdadeiro super-herói.

    Mas muito mais importante do que isso, foi a criação de A Legião Jovem e o Guardião, uma série que salvou a revista Star Spangled Comics do cancelamento e criou personagens que até hoje são queridos pelos fãs mais ortodoxos. Outra criação da dupla foi o primeiro Caçador da National, Paul Kirk, que foi a base para diversos personagens com o mesmo nome que apareceram nestes anos todos de DC Comics.

    Mas o grande sucesso da dupla é um titulo que durante a época da segunda guerra chegou a ser a terceira mais vendida da DC, atras somente de Superman e Batman: The Boys Commandos. Uma revista de guerra estrelada por... quatro meninos! A dupla sabia captar o desejo do leitor – e o que era a Legião Jovem senão os próprios leitores sendo protagonistas de suas aventuras, com o superherói (o guardião) relegado ao papel de coadjuvante? Boys Commandos realizava o desejo dos garotos de combater Hitler e Mussolini na Europa. É claro que um gibi tão ligado a segunda guerra estava com os dias contados quando ela terminasse, mas enquanto durou o conflito, a revista tinha um forte apelo entre os leitores.


    O Link do tópico é esse..
    http://www.miolos.com.br/forum/viewt...=2858&start=40
    Também tem um colega que está colando os textos no Forum da Panini.[/hide:07f01bf72c]
    So many of our dreams at first seem impossible, then they seem improbable, and then, when we summon the will, they soon become inevitable.”
    - Christopher Reeve (1952-2004)

  6. #6
    Senior Member Super-Homem da Era de PRAAAAAAATA Avatar de FLUFFY
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    Lesgau, sobretudo pelas ibagens, muitas eu não conhecia. O texto... bem, alguém deve ter lido.

    Continue!

  7. #7
    Super TP Monarca da Latvéria Avatar de Mt Chuck
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    Já postei tudo que o Nano escreveu.
    Assim que sair mais coisa, eu posto.
    So many of our dreams at first seem impossible, then they seem improbable, and then, when we summon the will, they soon become inevitable.”
    - Christopher Reeve (1952-2004)

  8. #8
    Senior Member Mutante Ní­vel Ômega Avatar de Stanislaw Ponte Preta
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    Pra quem quiser "spoilers", basta ler OS HERÓIS DO AMANHÃ, livro do Gerard Jones que conta a história dos quadrinhos americanos começando pela gênese da DC e do Superman.

    Pelo que li dos artigos do Nano, grande parte do material vem de lá.
    "[O final de Flashpoint] é como se a Era do Apocalipse tivesse terminado direto no começo de Heróis Renascem, poupando daquela desgraça de Massacre. Então só por isso, já é melhor que a Marvel. (Oz Jordan, cientista e terapeuta psicossocial)"

  9. #9
    Senior Member Lobo Solitário Avatar de Puyol
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    Muito bom. Espero que ele continue o bom trabalho e chega ate esse ano de 2011
    O que importa na verdade não são os quadrinhos que você lê, ou sua editora favorita. Na verdade nada disso importa.... Leia, e tenha base pra argumentar...
    Leitura sempre o fará evoluir.

  10. #10
    Senior Member Retalhador Lendário Avatar de RENARD
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    Era mais mais facil comprar isso aqui:


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